Política

LAVA JATO

Moro recua de uma de suas milhares de arbitrariedades, preocupação com o #28A

Odete Cristina

estudante de ciências sociais na USP

terça-feira 25 de abril de 2017| Edição do dia

Em despacho publicado ontem, o juiz de Curitiba Sérgio Moro, disse que vai rever a decisão de exigir a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas audiências das 87 testemunhas do processo em que ele é réu na Operação Lava Jato, desde que a defesa também reconsidere o número de testemunhas. A medida foi duramente criticada por juristas por ser uma exigência que não está prevista em nenhuma lei. Esse recuo de uma de suas centenas de medidas arbitrárias junto ao adiamento do testemunho de Lula são expressões distorcidas de como a elite nacional, até mesmo os messiânicos príncipes de Curitiba estão assustados com o potencial da paralisação operária do dia 28, e como, indiretamente Lula pode ficar fortalecido já que muitos trabalhadores ainda confiam em sua liderança, apesar dos ataques que seu governo implementou e apesar de sistemática tentativa de conter as lutas dos trabalhadores, até mesmo contra o golpe quando ele falava em "não incendiar o país".

O juiz queridinho da direita golpista, disse que "De todo modo, para evitar maiores polêmicas, esclareço que reverei a decisão do indeferimento do pedido de dispensa de comparecimento pessoal caso igualmente revisto o rol de testemunhas arroladas pela Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, com a discriminação, circunstanciada, daquelas cuja oitiva é mesmo necessária e dos motivos concretos pelos quais não podem ser aproveitados os depoimentos por elas já prestados (...)". Ressaltou também, que é dever do acusado comparecer a todas as audiências, apesar do pedido da defesa para dispensa do ex-presidente, com a justificativa de que isso não é necessário. O grande número de pessoas a depor foi considerado "abuso do direito de defesa" pelo magistrado, "já que para muitas não haverá, como já apontado, diferença nos depoimentos". O prazo para a defesa se manifestar, conforme determinou Moro, é de cinco dias.

Esse novo recuo mostra como a aproximação do dia 28, que tem tudo para ser uma paralisação histórica dos trabalhadores, deixa a situação mais difícil para para os planos de Moro e da Lava Jato. A esperança que resta a eles, é que as centrais sindicais façam como fizeram após o 15M, quando mesmo com a importante demonstração de forças dos trabalhadores, decidiram dar uma trégua ao governo de mais de um mês, permitindo o avanço dos ataques como foi com a aprovação da terceirização irrestrita e os avanços na reforma trabalhista.

Para não permitir que as centrais traiam nossa luta é fundamental organizarmos nossa mobilização em cada local de trabalho e estudo, para exigir que o 28A seja o estopim para preparar uma greve geral capaz de derrubar os ataques e o governo Temer. Não permitindo que as grandes setores ligadas ao petismo, como a CUT, CTB, a Frente Brasil Popular, entre outros, canalizem a força da paralisação para que se torne um ponto de apoio de Lula e sua estratégia eleitoral em 2018. Precisamos organizar os trabalhadores pela base para dar uma resposta independente, que não esteja atrelada ao projeto eleitoral petista de conciliação de classes - que demonstra sua falência por meio dos esquemas acertados não apenas com os partidos de direita, mas também com os grandes empresários como os Odebrecht.

Ao mesmo tempo, não podemos ter nenhuma ilusão nessa justiça burguesa e na Lava Jato, que arbitrariamente busca legitimar os métodos repressivos utilizados todos os dias contra a população pobre e negra, como foi com Rafael Braga, e é incapaz de combater de verdade a corrupção inerente ao sistema capitalista. O que Moro e a Lava Jato buscam na verdade é atender aos interesses imperialistas, abrindo as portas para os capitalistas roubarem nossas riquezas, como pretendem fazer com a Petrobras, eliminando concorrentes brasileiros no mercado, como a JBS e Odebrecht, enquanto apoiam e fortalecem todos os ataques que estão sendo feitos contra os direitos dos trabalhadores.

Lula e o PT já demonstraram, de uma forma e de outra, que sua estratégia para estar no poder é compactuar com os velhos esquemas corruptos do Estado capitalista. Nós precisamos prepara uma greve geral para derrubar Temer e suas reformas, lutando para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que possa colocar abaixo esse regime apodrecido. Só assim poderemos lutar para resolver efetivamente os problemas que nos atingem e fazer com que os capitalistas paguem pela crise, com impostos às grandes fortunas, reestatização das empresas privatizadas e estatização de todas as envolvidas nos esquemas de corrupção, fim do pagamento da dívida pública e pleno emprego para todos, com divisão das horas de trabalho sem redução de salários e a efetivação de todos os terceirizados. Precisamos lutar por um governo de trabalhadores para dar uma saída real a todos os nossos problemas.




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