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LAVA JATO

Ministro admite que cortes atacam Lava Jato, entenda outros objetivos secretos de Temer

sexta-feira 28 de julho| Edição do dia

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou ontem (dia 27/07) que o contingenciamento de verbas da Polícia Federal pode ter impacto na atuação do órgão. Foram contingenciados R$ 400 milhões do orçamento da PF. Se trata de medida fiscal ou do velho "acordão com todo mundo, com o STF, com Lula" que foi dito em gravação há mais de um ano?

“Tenho que ser honesto, sincero e transparente. Poderá implicar em processos seletivos de ações, não realizar todas as operações ou não realizar em suas extensões totais, mas apenas parcialmente”, declarou.

Ou seja, o ministro fala que não pretende afetar a Lava Jato mas admite que o contingenciamento sim afetará a rotina das investigações.

A medida tem dois objetivos. Um objetivo de "tiro curto" que é aumentar a pressão sobre a PF e Judiciário para diminuírem suas ações, com objetivos políticos próprios e reacionários, e assim dar mais estabilidade ao governo de ataque aos trabalhadores colocado no poder por um golpe institucional. Entre a "casta" de Temer, Cunha, Aécio e companhia e a "toga" de Fachin, Moro, Dallagnol não há lado progressista, cada um a sua maneira procura erguer ou manter um regime político contra os trabalhadores. O objetivo maior da medida, no entanto, vai além dos desenhos políticos de como será o regime político do país, tudo como antes ou "limpo" pela Lava Jato para abrir caminho a empresários estrangeiros e políticos "outsiders" que a operação favoreça.

As medidas anunciadas por Temer e Torquato podem facilmente ser renegociada com a PF, visto que todos governos costumam oferecer cortes às forças repressivas como um "bode na sala" para que outros ataques passem e depois agradem essas mesmas forças repressivas.

Os outros ataques em curso são o objetivo maior de Temer e Torquato. Não somente as novas medidas contra o funcionalismo público como o aumento de sua contribuição à previdência, confiscando 3% do salário, fim de auxílio-almoço e outros direitos, mas muito mais que isso, servir de justificativa para a série de medidas contra os trabalhadores e o povo como a PEC 55 e a reforma trabalhista.

Não se trata unicamente de medidas para afetar a Lava Jato mas a busca de dar coerência ao discurso do governo Temer que cede bilhões a deputados que salvam sua pele na Câmara mas atua sistematicamente para acabar com a saúde e educação públicas bem como implementar sua reforma trabalhista.




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