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Mesmo com contratos suspensos, Nissan paga multa para demitir 400 trabalhadores. A quem servem as MPs?

Próximo a retomada da produção, a Nissan anuncia 398 demissões, número que equivale a 16% da mão de obra da empresa na unidade de Resende (RJ). Enquanto as centrais sindicais endossam as MPs do governo na prática prosseguem as demissões.

quinta-feira 25 de junho| Edição do dia

A empresa japonesa é a primeira montadora a anunciar demissões no período da pandemia. O setor, contudo, pode ter novos cortes ao longo dos próximos meses diante da previsão de queda de 40% nas vendas em relação ao ano passado. Até este momento as montadoras já empregam quase 5 mil trabalhadores a menos do que no ano passado.

A montadora informou que vai voltar às operações com apenas um turno de trabalho. Antes da parada operava em dois turnos, com um total de 2,5 mil funcionários. Desde março, 63 fábricas de veículos tiveram as atividades suspensas e recorreram a medidas emergenciais criadas pelo governo federal por meio da MP 936, como suspensão dos contratos de trabalho e redução de jornada e salários.

Essa MP, louvada pelas centrais sindicais como uma “conquista”, foi o que garantiu que a Nissan conseguisse demitir centenas de trabalhadores sem nenhum empecilho, sendo eles jogados agora para o desemprego tendo como provável futuro um trabalho precarizado. Ao contrário do que afirmavam centrais como a CUT e a CTB, a MP não serve para “frear as demissões”, muito pelo contrário, na prática para as patronais descontarem a crise nos trabalhadores com os cortes de salário e demissões.

Só no estado de SP, nesta segunda foram retomadas atividades na Ford em Camaçari (BA) e nas unidades da Toyota em Indaiatuba, Porto Feliz e São Bernardo do Campo (SP). A fábrica de Sorocaba volta a operar no dia 26, assim como parte da planta da Hyundai em Piracicaba. A PSA, em Porto Real (RJ), e a unidade da Ford que produz motores em Taubaté religam as máquinas hoje, enquanto a Honda terá o retorno das plantas de Sumaré e Itirapina no dia 13 de julho.

Em todo o setor as multinacionais automobilísticas retomam suas atividades, expondo seus trabalhadores ao risco, enquanto as vendas de carros estão em queda, os automóveis estão encalhados e com grande estoque. A produção dessas indústrias poderia ser reconvertida para atender a demanda por equipamentos de respiração, que podem ser produzidos em indústrias automobilísticas. O único empecilho para essa política é a falta de interesse dos capitalistas, que visam unicamente o lucro. Se os trabalhadores controlassem a produção poderiam muito bem reconverter a produção dessas indústrias para atender toda a demanda por respiradores, salvando milhares de vidas, e dando um sentido para sua atividade nesse momento de crise sanitária.

Nós do Esquerda Diário nos solidarizamos com todos os trabalhadores que em pouco tempo perderão sua renda por conta das demissões na Nissan. Defendemos que haja um enfrentamento coerente à crise sanitária e econômica, se faz necessário a defesa de nenhuma demissão, que todos os empregos sejam mantidos sem redução de jornada com diminuição do salário. Para os desempregados é preciso um auxílio de 2 mil reais, ao invés dos míseros 600 do governo.




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