Sociedade

ASSASSINATOS POLICIAIS

Mais um jovem morto pela polícia brasileira

Mais um jovem perde a vida nas mãos das polícias brasileiras. Desta vez no Rio de Janeiro. Jhonata Dalber Matos Alves de 16 anos tinha saído da casa de seu tio comprar pipoca.

sexta-feira 1º de julho de 2016| Edição do dia

Foto do menino assassinado divulgada pelo Jornal O Globo

Na noite de ontem, quinta-feira, no morro do Borel na região da Tijuca no Rio de Janeiro, o menino Jhonata de 16 anos foi assassinado pela polícia militar. Sua morte se somam aos três assassinatos de crianças e adolescentes cometidos por forças policiais em São Paulo.

Como sempre a polícia militar alega que houve um tiroteio e que alvejava bandidos. Quando não consegue contar um relato de que a própria vítima era um suposto "bandido" inventam que havia um tiroteio. A mãe do menino assassinado declarou ao jornal carioca O Globo como esta versão é mentirosa: "Não teve tiroteio. Eles acertaram a cabeça do meu filho, acabaram com a minha vida. Todo mundo viu ele com o saquinho de pipoca na não. O amigo que estava com ele se jogou em um monte de areia (no chão)".

Com pipoca na mão, o caso de Jhonata lembra o caso do menino Mateus morto na Maré no mesmo Rio de Janeiro com uma moeda de um real na mão, este menino tinha saído para comprar pão.

Ontem mesmo houve manifestação na região do Borel denunciando este assassinato cometido pela polícia.

A variação de justificativas das polícias em todo país não escondem como em amplíssima maioria não há variabilidade na cor dos jovens assassinados. São quase sempre negros. As estatísticas oficiais colocam em algumas centenas os jovens mortos pela polícia, mas sabemos que os números são muito maiores. Mesmo em comunidades com Unidades de Polícia Pacificadora como o Borel onde Jhonta teve sua vida arrancada, ou a Rocinha onde a UPP matou e sumiu com o corpo de Amarildo em 2013 as forças policiais gozam de absoluta impunidade.

Com ajuda do judiciário e privilégios constitucionais como a garantia de julgamento de seus crimes por seus próprios pares militares nunca são punidos ou sequer investigados, cenas do crime são alterados, casos nunca são reportados. A mídia sempre ativa em criminalizar as vítimas também ajuda na impunidade desta onda de infanticídios de negros e pobres.

Para acabar com os assassinatos policiais e a impunidade é preciso que todos crimes policiais sejam julgados por juri popular, e não pela justiça militar. Os juris precisam refletir a população que sofre nas mãos da polícia, ou seja, que sejam compostos em sua maioria por moradores de favela, trabalhadores e negros, e como resposta mais de fundo é necessário lutar pelo fim das UPPs, de todas tropas especiais como Rota, Bope, Core, como parte da defesa de dissolução de todas forças policiais.




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