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RIO DE JANEIRO

MEC proíbe ingresso de novos residentes em hospitais universitários do Rio de Janeiro

O Ministério da Educação colocou sob diligência e assim proíbe o ingresso de novos residentes nos dois maiores programas de residência do Rio de Janeiro enquanto o estado da saúde do Rio se agrava.

sábado 6 de janeiro| Edição do dia

A medida obrigou a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) a suspender um concurso de seleção para 227 vagas no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) marcado para o dia 13/01.

No Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, as provas já foram realizadas, mas o início das atividades para 180 novos residentes, programado para março, depende do resultado de uma vistoria, que deverá ser realizada este mês.

Em nota pública, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) posicionou-se em defesa da residência médica pedindo que a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) reveja sua determinação, e destacou:

“Dentre o que foi alegado pela CNRM para impor as diligências estão “diversos serviços operando de forma mínima” e “fechamento progressivo de leitos, no momento menos de 240 ativos”, dois argumentos intimamente ligados à crise gerada pela ineficiência do poder público. Contudo, com o compromisso do Estado de regularizar os salários, será possível reabrir os leitos e retomar os serviços e a capacidade de atendimento.”

“É um desserviço para a medicina o fechamento dessas vagas e a impossibilidade de concursos para novos médicos. Toda a cadeia de formação será prejudicada. É um ato injusto contra uma universidade que realmente tem um histórico positivo, e queremos que essa decisão seja revista”, frisa o diretor e coordenador da Comissão de Médicos Recém-Formados do CREMERJ, Gil Simões.

A própria União, através da lei 12.871/2013, obriga que sejam ofertadas vagas de residência em número suficiente aos egressos dos cursos de graduação em medicina.

“As decisões da CNRM atingem justamente os dois hospitais públicos com o maior número de vagas e que sofrem com a negligência dos governos. Tanto o Hupe como o Fundão prestam serviços de excelência à população e têm programas de residência de alta qualidade e reconhecimento no meio médico”, ressalta Simões.

Veja a nota completa do CREMERJ em seu site.

O Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, é referência em diferentes especialidades como transplantes e conta com cerca de 2,7 mil funcionários. Lá funciona, por exemplo, o Núcleo de Estudos da saúde do Adolescente (NESA), centro de referência nacional para o atendimento, em especial, de jovens cardiopatas e nefropatas crônicos. O HUPE também dispõe dos serviços de cirurgia cardíaca e transplante renal. Ele é o único hospital do Rio de Janeiro que oferece cirurgia de resignação de gênero e tem um centro de cirurgia plástica em tratamento de anomalias crânio faciais e Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro (Somerj) e a Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj) apoiam a posição do CREMERJ.

Nessa sexta-feira 05/01, a direção do Hospital Universitário Pedro Ernesto divulgou uma nota informando sobre a reabertura das internações do HUPE, para que até março a unidade alcance a capacidade plena de leitos ocupados, num esforço pela permanência do serviço apesar da desmonte da universidade.




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