Mundo Operário

LUTA CONTRA REFORMA NA ARGENTINA

Intimidação: Polícia para ônibus e revista mochilas na entrada da capital argentina

Junto à polícia municipal, a polícia federal obriga manifestantes a descer dos ônibus, revistam mochilas e outros pertences. A ideia é frear o avanço dos trabalhadores e trabalhadoras que seguem para marchar até o Congresso.

segunda-feira 18 de dezembro de 2017| Edição do dia

Por volta de 10h da manhã vários micro-ônibus que levavam trabalhadoras e trabalhadores de diferentes categorias de La Plata à cidade de Buenos Aires foram detidos na altura do pedágio de Hudson por uma operação conjunta entre a polícia bonaerense [do município de Buenos Aires] e efetivos da Gendarmería Nacional [polícia federal]. Todos os passageiros tiveram que descer dos veículos e seus pertences foram revistados.

Em depoimento ao La Izquierda Diario, Luana Simioni, delegada da Junta Interna de ATE-IOMA e dirigente do Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS) na Frente de Esquerda (FIT) relatou que eram quatro micro-ônibus que vinham de La Plata e um operativo da Gendarmería e a polícia Bonaerense parou os veículos, pediu a documentação dos motoristas e fez todos os passageiros descerem.

“Revistaram os ônibus e um por um todos os pertences das companheiras e companheiros", disse Simioni. Acrescentou que a própria polícia lhes disse que "há mais retenções desse tipo antes da chegada à capital. Há uma clara intenção de evitar que cheguemos em milhares e milhares à praça do Congresso para repudiar esse ajuste e roubo aos aposentados".

“Querem fazer as pessoas desistirem para que não vá muita gente para se manifestar em uma enorme mobilização que expressa o rechaço popular a essa reforma previdenciária e o ajusto do governo", afirmou a dirigente da esquerda. "Dissemos a eles que o que estavam fazendo era uma violação dos direitos dos manifestantes, que estavam colocando todo tipo de impedimentos para podermos chegar a tempo da manifestação, que é o nosso objetivo", acrescentou.

Em relação a que tipo de ordem têm as forças repressivas para realizar essas retenções, Simioni disse que os próprios uniformizados lhes disseram que "têm a ordem expressa de revistar para que não haja armas, coquetéis molotov nem elementos contundentes que sejam transportados para a mobilização".

A polícia disse aos manifestantes que eles tinham "duas opções": ou se identificavam todos os passageiros e seriam detidos para "averiguar antecedentes" (o que poderia demandar horas), ou as pessoas retidas "concediam a requisição dos pertences".

Por último, Simioni relatou que, quando finalmente puderam subir nos micro-ônibus e retomar a viagem, "outros ônibus que passavam no pedágio também foram detidos. Até onde sabemos, isso só foi feito com veículos que levavam delegações para a manifestação".




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