Economia

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Guedes cogita estender auxílio emergencial, planejando ataques aos trabalhadores no futuro

Na tarde de ontem, Paulo Guedes participou de uma reunião com representantes dos setores de serviços, e deu declarações sobre o auxílio emergencial e o planejamento do governo. As informações foram divulgadas pelo portal O Globo, que obteve áudio da reunião.

quarta-feira 20 de maio| Edição do dia

O Ministro da Fazenda declarou, em uma reunião fechada com setores da área de serviços, que é possível que o governo estenda o auxílio emergencial por mais algum período, desenhando uma queda gradual dos R$ 600 reais pagos aos informais. O auxílio a semanas vem sendo criticado pela população por conta dos enormes atrasos nas parcelas, e também por conta das filas nas agências da Caixa para retirá-lo.

Segundo Guedes, o plano do Governo é “suavizar a queda”. Mas mesmo dentro da Fazenda existem visões distintas entre os técnicos, que temem um alto endividamento do país após a pandemia, e uma “perda de credibilidade” do Brasil frente a instituições financeiras.

Paulo Guedes não disse no entanto, quanto tempo duraria a prorrogação do auxílio nem a forma que faria a suavização do fim do mesmo. Apenas disse que ele diminuiria gradativamente, ainda por conta de indefinições fruto de diferenças dentro da pasta.

Por trás do plano de extensão do tempo do auxílio, o bolso do ultraneoliberal Paulo Guedes segue planejando novos ataques. Técnicos da pasta falam sobre a possibilidade de revisar alguns auxílios e benefícios que para sua lupa neoliberal são “ineficientes”, como o abono salarial. Ou seja, até por trás de uma simples medida como esta, a Fazenda esconde e prepara novos ataques. Além disso, algumas das privatizações planejadas pela pasta, que ficaram num primeiro momento em suspenso, seguirão indo à leilão, como alguns portos, aeroportos e rodovias.

No fundo da possibilidade anunciada por Guedes mora um medo consciente de setores do governo, compartilhado com parte da burguesia e dos empresários brasileiros, de que a situação de crise sanitária e econômica no país, leve à movimentos de revolta social contra a degradação das condições de vida.

O próprio auxílio em si, vindo das mãos deste governo, representa uma infima parcela dos gastos que o governo destinou aos bancos por exemplo, com uma injeção de R$ 1,2 trilhões nas primeiras semanas da pandemia no Brasil. Mas ao mesmo tempo representa algo que possa acalmar os animos dos setores mais afetados por essa crise, que ou perderam seus empregos ou então perderam as condições de trabalho, como grande parte dos informais durante o período de isolamento.

Afinal, vivemos uma crise sanitária que a cada dia avança na ocupação quase total dos leitos do SUS com o combate ao coronavírus, expondo as rachaduras desse sistema falido e mostrando quem são os que pagam quando a crise bate. E com as duras consequencias na economia não é diferente, afinal já são milhões de brasileiros que foram afetados pela MP de Bolsonaro, que autoriza o corte de salários e a suspensão de contratos, para além dos que foram vitimas das absurdas demissões dos empresários que buscam garantir seus lucros. Neste pano de fundo, Guedes teme que uma retirada abrupta do auxílio possa gerar problemas futuros para o governo, e por isso planeja uma forma gradual de fazê-lo para tentar conter qualquer tipo de impeto de revolta que possa surgir.

O medo dos governos da possibilidade de levantes e de revoltas não é infundado. Afinal a crise gerada pela pandemia, tanto sanitária quanto economia revela de forma desnuda a face mais cruel do regime brasileiro, e do capitalismo. Mostra que os mesmos que pagam sempre com suas vidas pela desigualdade imensa desse país são os mesmos que pagam agora com a crise do coronavírus. Mas a crise também mostra o tamanho da importância dos trabalhadores, dos seus setores estratégicos, e seu potencial de forças. Isso se vê tanto pelas consequências na economia com o nível de isolamento social que já temos, mas se mostra também pela sede de industriais e grandes empresários em manter seus negócios funcionando.

Não podemos nem tratar dessa prorrogação do auxílio e nem esperar de Paulo Guedes qualquer tipo de “compaixão” com a vida dos trabalhadores. O Chicago boy, de inspirações no regime e nas medidas neoliberais chilenas de Pinochet aguarda o momento em que possa se livrar das amarras de programas sociais e voltar a atacar mais duramente a classe trabalhadora sem o medo de gerar revoltas.

Por isso devemos exigir deste governo, que nem um auxílio de R$ 600 consegue garantir direito, que efetivamente garanta a vida das pessoas que sofreram uma corrosão de suas rendas durante a pandemia, com um salário básico de R$ 2.000, baseado na média salarial brasileira. Junto com isso é preciso colocar que não podemos aceitar nenhuma demissão em meio a esta crise. Não podemos permitir que a sede de lucro dos empresários signifique colocar milhares de famílias nas ruas, como fazem Luciano Hang, da Havan, ou o dono da Madero, e diversos outros empresários que se apoiam no discurso reacionário de Bolsonaro e Paulo Guedes! As nossas vidas valem mais do que o lucro deles!




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