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GREVE SERVIDORES

Greve dos servidores municipais de Campinas começou nesta segunda

Na segunda, dia 28 de agosto, deu-se início a greve dos servidores municipais de Campinas, desde as seis da manhã já mobilizados em um comando de greve geral, os trabalhadores percorreram diversos locais de trabalhos para conversar com os colegas, e impulsionar os comandos de greve, e também se localizaram desde cedo na frente da Prefeitura. No final do dia realizaram uma assembleia em que votaram a continuidade da greve, e o calendário para essa terça, que vem com o chamado de um grande ato, após assembleia.

terça-feira 29 de agosto| Edição do dia

Foto: G1 Campinas/Murilo Gomes

Mesmo com a liminar que a prefeitura conseguiu na sexta-feira com o intuito de desmobilizar a categoria, que dizia que 70% dos serviços essenciais a população deveriam continuar funcionando e com o prefeito afirmando que os dias serão descontados os trabalhadores estiveram mobilizados nesta segunda. Essa liminar emitida na sexta garante também o acesso dos servidores e usuários a qualquer instituição pública do município como o Hospital Mário Gatti, um ponto importante de piquete dos trabalhadores. Caso seja descumprida alguma das decisões da liminar, haverá multa de 10 mil por cada ato cometido. A decisão foi tomada pelo juiz Wagner Roby Gidaro, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Campinas.

Como já foi noticiado pelo Esquerda Diário, os servidores estão exigindo reajuste de 10,3%, além de 13,6% de perdas entre 2004 e 2016, e vale-alimentação de R$ 1.076,20. Desde de Maio, data da database da categoria, esta segue tentando negociar suas reivindicações, e a prefeitura continua intransigente.

Wanderlei de Almeida, o secretário de relações institucionais da prefeitura, afirmou que não tem como negociar com os servidores pela baixa nas receitas e pelo situação de que a folha de pagamento já está em 51%, o chamado limite prudencial, segundo a lei de responsabilidade fiscal. Segundo o secretário, eles têm sido transparentes com as finanças municipais, como aumentarão os salários, se para alguns estão pagando parcelado? Ele ainda vai mais a fundo, lamenta a decisão do funcionalismo pela entrada em greve, já que nesse momento a necessidade da população pelos serviços públicos está maior. E nesse cenário, uma paralisação é preocupante.

Ele continua afirmando sobre a falta de dinheiro, e assim justificando o adiamento da negociação em maio, quando era a data-base da categoria. Esperávamos o retorno do REFIS, negociamos 40 milhões, mas entraram apenas 14 por enquanto. E nisso, a folha de pagamento está em 108 milhões, logo é o momento que estamos cortando gastos. Nisso, o governo tem a possibilidade de 3 ações, primeiro, garantir o pagamento do salário dos servidores sem atraso, pelo menos da maioria. Em segundo, levantar recurso para o pagamento do 13° salário, e por último, a negociação salarial. E nisso, segundo Almeida, ele espera a compreensão da maioria dos servidores, para que inclusive não se somem a greve para que a população não fique sem os serviços essenciais.

O que Almeida esquece de comentar em seu discurso comovente para colocar a população contrária a greve dos servidores, é que não tem dinheiro para aumentar os salários dos servidores, não tem dinheiro para o pagamento do 13°, segundo dizem, porém na hora de pagar os altos salários dos vereadores, do prefeitos, dos diversos assessores, dos cargos de cabide, históricos na prefeitura de Jonas o dinheiro não falta. No dia a dia da prefeitura, essa falsa preocupação do secretário com o acesso a população aos serviços básicos é inexistente. A prefeitura deixa o Mário Gatti fechar leitos por falta de funcionário, deixa faltar vacinas para os recém nascidos, deixa o hospital ouro verde completamente abandonada, com a população tendo que esperar horas para ser atendidos, deixa faltar medicamento nos postos de saúde do Campo Grande e quer se esconder por trás de um discurso amigo da população. Porém, quem precisa desses serviços diariamente sabe com o que a prefeitura de Jonas Donizette realmente se importa, não cairá nesse falso discurso. Sabe as condições precárias que os servidores trabalham, sem material em muitos casos, com sobrecarga de serviço e que não podemos deixar essa prefeitura nos jogar uns contra os outros.

Nessa segunda também, o Prefeito Jonas Donizette teve o cinismo de vir a público agradecer aos servidores que não entraram em greve, que na avaliação da prefeitura teve uma adesão pequena. Ele disse: “Pelas informações que me chegaram, a ampla maioria compareceu hoje ao serviço e que queria agradecer a todos eles por isso. Cada um cumpriu com seu dever e eu conclamo que todos os servidores façam o mesmo” Ele ainda completou, dizendo que os servidores públicos tem enormes vantagens aos servidores privados e deveriam estar satisfeitos com isso, em um quadro de desemprego que o país vem passando. E nisso, o esforço da prefeitura está em minimamente conseguir pagar o 13° dos funcionários.

Mais um absurdo propagado pela prefeitura que segue querendo deslegitimar a mobilização dos servidores municipais que seguem há mais de 62 sem uma resposta oficial sobre suas reivindicações. O prefeito quer passar a imagem de caridoso querendo pagar os direitos dos servidores, quando sabemos como ele trata os funcionários. O prefeito tenta jogar os servidores privados contra a greve dos municipais, quando coloca que eles deveriam estar felizes com a sua estabilidade nesse momento, porém ele não fala em momento algum das péssimas condições de serviço,do atraso dos salários, e como isso é ainda pior no setor privado, e nisso devemos entender e se unificar as reivindicações e não separá-las como Jonas quer fazer. Ou mesmo diretamente intimidando os servidores quando falou que descontará os dias parados e quando diretamente agradece a não mobilização e deixa o seu recado implícito de que eles devem continuar dessa maneira e não se somar a mobilização que a prefeitura está contrária como sempre e em uma ofensiva de boicotar a paralisação dos servidores.

Nesse sentido, é importante entender a importância da mobilização dos servidores e os ataques que a prefeitura vem impondo e nesse sentido, desde cada local de trabalho e estudo podermos manter o apoio a essa importante mobilização contra essa prefeitura que segue nos atacando profundamente e que não o faz diferente com seus funcionários. Sendo bastante importante inclusive compareceremos ao ato e nos somarmos a luta essencial que os servidores estão tomando em suas mãos contra essa prefeitura que mostra a cada momento como visa atacar os trabalhadores.




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