Política

GOVERNO TEMER

Governo balança nas declarações porque teme mobilização contra os ataques

No fim desse mês de setembro, as reformas trabalhistas serão enviadas para a avaliação do Senado e o governo golpista se vê espremido entre a forte expressão das manifestações pelo “Fora Temer” e a exigência da burguesia que tem pressa na aplicação dos ataques.

Cássia Silva

Coordenadora do CACH - Unicamp

sexta-feira 9 de setembro| Edição do dia

Temer e membros do governo tem demonstrado certa fragilidade nas declarações sobre as manifestações. Por um lado elas podem massificar frente à aplicação das reformas trabalhista e da previdência e por outro não cumprir as promessas de ataques feitas a burguesia também não é uma boa opção. Sabem que quando a reforma trabalhista e da previdência forem aceitas as manifestações vão se tornar mais massivas. E temem que as reformas sejam a principal pauta das ruas extrapolando em muito grupos da oposição e alcançado massas da população.

Sobre as manifestações Fora Temer do 7 de setembro, o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha menosprezou e expressou que “um grupo pequeno” teria se exaltado no meio da multidão de 18 mil pessoas que assistiram o desfile da cidade de Brasília. Essa atitude de posicionamento público do ministro acabou por dar embate com a orientação dos golpistas, que era a de não expressar essa posição para não estimular o crescimento das manifestações.

Padilha também disse que vai ocorrer uma “separação”, entre a “luta política dos protestos das manifestações que têm uma pauta de reivindicações”, como reforma agrária. Ou seja, quando a oposição ao governo aumentar, com os grupos que se posicionam contra o golpe crescendo e essa luta ganhar reforços, Eliseu afirma que o governo vai ter que lidar com isso. Ferramentas para isso o próprio governo Dilma disponibilizou com a Lei Antiterrorismo, uma assinatura da então presidenta de passe livre ao imperialismo contra os movimentos sociais no Brasil. Quem define o que é permitido no movimento ou não é o próprio Estado burguês, o golpismo, a burguesia, o aparato está com eles.

De fato, o reconhecimento de que as consequências do processo do impeachment estão sendo descarregadas nas costas da classe trabalhadora e da juventude é generalizado entre os setores mais progressistas, e isso pode ser exemplificado com a manifestação do governo golpista sobre a relação entre o patrão e o trabalhador, em que defende a “livre negociação” das duas partes, rasgando os direitos conquistados pelos trabalhadores brasileiros na CLT.

Mas quando a matéria da Folha diz que o PT tem denunciado que as reformas vão tirar direitos dos trabalhadores, “que pode acabar por convencer parte da população”, na verdade, ignora o fato de que os ataques são diretos e sensíveis para a classe, que foi quem sofreu o golpe. Porém, ao recordar as lutas enquanto o processo do impeachment ainda estava acontecendo, é difícil de notar alguma política do PT que combatesse de fato o golpe em curso, mesmo sendo a direção da maior central sindical da América Latina, com 7.847.077 de trabalhadores e trabalhadoras organizados no país.

Num cenário em que as condições de vida da classe trabalhadora e da juventude está sendo fortemente ameaçada com as reformas do golpista e agora com a seletividade de repressão declarada do ministro Eliseu Padilha, não se pode cair em estratégias de conciliação de classes, como o PT já se provou ser nos apoios dos cortes de Dilma e na luta contra o golpe, ao querer transformar a pauta de diretas já como o carro chefe das manifestações Fora Temer. De que adianta apenas trocar os jogadores (como levam as políticas de diretas já e eleições gerais) de um regime que está se mostrando débil e podre?

É necessário que se construa uma luta combativa, com paralisações e greves em cada local de trabalho e estudo, que a gigante classe trabalhadora se inspire em sua luta para derrubar com um plano de lutas consequente o governo que quer vê-la destruída. Chega de repressão e cortes de direitos dos trabalhadores e da juventude! Por uma Assembleia Constituinte construída com a força da mobilização das massas para reverter às regras do jogo e não apenas trocar os jogadores!




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