Sociedade

GLO NA AMAZÔNIA

GLO comandada por Mourão no Norte prepara repressão, e não combate ao desmatamento

Diante da crise social e sanitária em que estamos vivendo, tendo a capital Manaus como um dos principais focos do colapso do sistema de saúde, sabendo da ligação do Mourão com o agronegócios e com os latifundiários e o histórico do governo em relação ao meio ambiente, podemos questionar: a GLO tem mesmo o objetivo de conter o desmatamento da Floresta Amazônica?

terça-feira 12 de maio| Edição do dia

A partir desta segunda-feira (11), o vice-presidente, Hamilton Mourão, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, voltam a usar a Garantia de Lei e da Ordem (GLO) em toda a região amazônica com o discurso de combate ao desmatamento. Dessa vez, essa medida emprega aos militares todo o poder repressivo da região, além do controle a órgãos civis responsáveis pelo combate ao desmatamento, como o Ibama e o ICMBio. Essa operação tem prazo até o dia 10 de julho e pode ser renovada se assim quiser o governo.

Diante da crise social e sanitária em que estamos vivendo, tendo a capital Manaus como um dos principais focos do colapso do sistema de saúde, sabendo da ligação do Mourão com o agronegócios e com os latifundiários e o histórico do governo em relação ao meio ambiente, podemos questionar: a GLO tem mesmo o objetivo de conter o desmatamento da Floresta Amazônica?

A pandemia do coronavírus vem se agravando em todo país, deixando uma situação extrema de calamidade em diversos lugares, um deles é o Estado do Amazonas. A capital, Manaus, foi a primeira cidade brasileira a entrar em colapso por causa da COVID-19. A superlotação de hospitais e cemitérios e a falta de UTIs e equipamentos, causadas pelo descaso do governo, gerou uma situação absurda, em que cerca de 30% dos óbitos por coronavírus aconteceram na casa dos pacientes. Além disso, temos presenciado cenas de barbárie como a construção de valas comuns para enterrar os mortos e o desespero da população abrindo caixões para conferir os corpos que estão sendo enterrados.

Periodicamente, o governo e os militares afirmam a possibilidade de “uma nova onda”. Isso pode significar uma nova onda de contágios, que não sabemos quando será o pico, mas que vem se agravando a cada dia, precarizando ainda mais as condições de vida com demissões e retirada de direitos dos trabalhadores para recompor os lucros dos capitalistas. Assim como uma onda de explosão social causada pelo nível de barbárie sanitária a que a população está submetida frente à pandemia, podendo gerar levantamentos em resposta.

Nesse sentido, podemos ver essa GLO como um experimento. Não é à toa que esteja sendo aplicada no primeiro Estado que entrou em colapso com a pandemia. Trata-se de um ensaio dos militares para entender até onde podem ir com medidas repressivas e autoritárias para solucionar os problemas que estão por vir em todo o país frente à que a crise se agrava.

Um outro elemento que reafirma essa possibilidade é o fato de que Mourão comanda essa operação. É praticamente uma piada que o Mourão esteja comandando uma medida contra o desmatamento. Desde as eleições presidenciais, ficou clara a relação de Mourão e Bolsonaro com os latifundiários e com o agronegócio, ficando bem pouco factível que o objetivo com essa GLO é a proteção da Floresta Amazônica. Assim como sua postura negacionista em quando houve as enormes queimadas no ano passado:

Além disso, o fato de os militares terem uma aliança com o Bolsonaro não significa que estão abrindo mão de controlar e tutelar uma série de iniciativas em relação ao controle da pandemia. Todos os dias, saem notícias do aumento de militares no Ministério da Saúde, e já estão à frente do combate à pandemia por parte do Braga Neto. Nesse sentido, os militares se preparam para cumprir um papel superior, assumindo o poder por meio de uma intervenção de tutela militar sem que Mourão tenha que assumir a presidência substituindo Bolsonaro. Nesse sentido, a GLO debilita a intervenção de Bolsonaro na região.

A cada dia que passa, fica ainda mais claro quais são os reais interesses dos militares e dos governos diante da narrativa do combate ao coronavírus. Não será pelo aumento de medidas autoritárias e repressivas sob comando dos militares que salvaremos milhares de trabalhadores do coronavírus. O objetivo dos militares com essa GLO e a entrada de setores não civis no governo é concentrar ainda mais poder para arbitrar na política nacional do país. Não podemos aceitar! A GLO já foi aplicada em outros momentos no país, e nenhum deles foi para beneficiar a população, muito pelo contrário. Essa medida serviu para aprofundar ainda mais o controle militar nas favelas do Rio de Janeiro, aumentando a violência e morte da população negra.

Por isso, devemos levantar muito forte: fora Bolsonaro, Mourão e Militares! Somente os trabalhadores, o movimento indígena e de trabalhadores do campo é quem pode dar uma resposta para essa crise sanitária e contra o desmatamento na região norte do país, que não faça a população pagar com suas vidas.

É preciso levantar um programa emergencial que passa por exigir testes e equipamentos de proteção massivamente, proibir as demissões e garantir, no mínimo R$ 2.000 para todos os desempregados, assim como defender a reconversão da indústria para produzir insumos necessários ao combate à pandemia. Além disso, todo o sistema de saúde, público e privado, deve ser centralizado pelo Estado sob controle dos trabalhadores. Devemos batalhar pela organização dos trabalhadores para impor essas Medidas de Emergência e lutar para que o povo decida os rumos do país através de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana.




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