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GREVE BANCÁRIOS

Fortalecida com o golpe, Fenaban dá cartada do arrocho. Bancários vão responder com greve

Proposta apresentada hoje, dia 29, oferece 6,5% de reajuste e abono de R$ 3 mil. Sindicatos chamam assembleias para dia 01/09 com indicativo de greve para 06/09.

terça-feira 30 de agosto| Edição do dia

Após as negociações ao longo do mês de agosto, a Fenaban dá a cartada de arrocho salarial sobre os bancários, oferecendo reajuste de metade da inflação e um abono de R$ 3 mil. Lembrando que o abono é um valor pago sobre o qual não incide o INSS, FGTS, entre outros direitos atrelados ao salário. A Fenaban sabe o quanto muitos bancários estão sufocados com suas dívidas e coloca essa proposta como uma pressão pra aprofundar o arrocho.

Aos bancários que pensam: “Ah, mas todo ano eles fazem uma proposta assim. Esse ano vai ser do mesmo jeito”, não, não vai ser do mesmo jeito. Num ano em que o país passou por um golpe institucional da direita, que mirou no PT, mas mostrou que quer acertar mesmo é nos trabalhadores; o rotineirismo é a primeira coisa a ser combatida na consciência dos bancários.

A FENABAN vem mais fortalecida com a consolidação do golpe. Por isso, não podemos ir para essa greve como “mais uma greve onde o mesmo script vai acontecer”, muito pelo contrário, se trata de um momento onde cada passo vai ser decisivo na correlação de forças do conjunto dos trabalhadores do país contra esse conluio golpista que corre para se consolidar no governo para atacar nossos direitos.

A CUT ainda tem mais medo da mobilização dos trabalhadores do que do golpe da direita

O Sindicato dos bancários de São Paulo, Osasco e região, principal sindicato da categoria no país, chamou já a primeira assembleia para esta quinta, dia 01/09, o que surpreendeu a muitos bancários, que estão se perguntando os motivos de tamanha prontidão para chamar a greve, diferente dos anos anteriores. Os trabalhadores cansaram de ouvir que ia ter luta contra o golpe, mas a CUT virou as costas para os métodos que poderiam colocar os trabalhadores no centro da política nacional para derrubar Temer e a sanha de seus aliados para atacar os direitos de quem de fato carrega o país nas costas.

Especulações à parte, num cenário como o que está colocado, é fundamental que os bancários tomem a organização da greve para si, e não como uma greve que o sindicato faz e controla. Isso é o que pode contribuir para construir a verdadeira arma para entrarmos fortalecidos no combate e derrubar os obstáculos que são as direções sindicais burocráticas de CUT e CTB, com seu histórico amplamente conhecido, de traição das greves e seus recorrentes braços dados com a Fenaban.

Para além disso, está nas nossas mãos conseguir efetivamente impor uma outra correlação para barrarmos os ataques aos nossos salários e direitos, às nossas aposentadorias, os ataques à educação e saúde pública; se derrubamos as barreiras entre as categorias que também estão em período de dissídio e atuarmos juntos uns nas greves dos outros.

Trabalhadores dos correios, petroleiros, metalúrgicos, bancários podem botar fogo nas intenções golpistas de Temer e sua corja, se conseguem se fortalecer juntos nas lutas. Fazemos um chamado à unificação. Não se trata só de uma luta por salários e condições de trabalho, mas de começar a erguer um exemplo de luta onde outros trabalhadores e a população como um todo possam ver como alternativa para se enfrentar com a crise e com os ataques que nos fazem pagar por ela.




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