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Fátima Bezerra (PT) diz que Bolsonaro “tem compromisso com a população”

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, do PT, deu uma declaração que escancara qual é a verdadeira do PT diante de Bolsonaro: pactua com governo federal em troca de concessões econômicas aos estados onde governa, enquanto figuras como Lula ou parlamentares do PT fazem um discurso de oposição, canalizando o sentimento de Fora Bolsonaro para a sua estratégia eleitoral e de administração do regime golpista e dos impactos econômicos e sociais da pandemia e da crise econômica.

domingo 28 de junho| Edição do dia

Em um encontro com o Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, potiguar filiado ao DEM, a governadora pediu encarecidamente ao ministro que mandasse um abraço a Bolsonaro, dizendo ainda que “assim como o governo federal, o governo do estado tem compromisso com a população”.

É escandalosa essa declaração da governadora petista, ainda mais frente ao número de 50 mil mortes que passou o país essa semana, que conta com mais de 1 milhão de infectados, sem contar outros milhares de subnotificados. Além disso, são 19 milhões de trabalhadores que perderam seu emprego no país nos 100 dias de pandemia, sendo 5 milhões destes apenas na região Nordeste. No Rio Grande do Norte contabiliza-se que 10 mil trabalhadores perderam o emprego durante a pandemia.

Em outras ocasiões a governadora chega a criticar a política negacionista de Bolsonaro, mas mostra que não é consequente nessa denúncia. Isso porque tem a mesma política de travar uma guerra para salvar os lucros dos grandes empresários do seu estado, enquanto os hospitais colapsam e a população morre nas filas dos hospitais. Inclusive, dezenas de leitos estão bloqueados no RN porque não há “recursos humanos”, ou seja, trabalhadores da saúde que possam atender a população. Não é nenhuma surpresa frente ao fato da governadora não ter garantido os EPIs necessários para os trabalhadores da saúde.

E nesse momento, está em constante diálogos com os empresários do estado para acelerar o quanto pode o processo de abertura econômica, em um estado que tem menos de 40% de isolamento, com diversos setores não essenciais, como o telemarketing, e dos comércios ainda funcionando. Sua administração “responsável” da pandemia, como quer nos fazer crer, não se opõe de fato à política do governo federal, pois não tomou nenhuma medida mínima como testagem massiva da população, e deixou as trabalhadoras da saúde tombarem para o vírus sem EPIs e, mesmo ampliando o número de leitos, se mostraram insuficientes frente ao colapso da saúde.

Além disso, não tomou as medidas que de fato pudessem garantir o isolamento dos trabalhadores, como a proibição das demissões, liberação remunerada dos setores não essenciais e a garantia de que a população não dependesse dos insuficientes R$ 600,00 do Auxílio Emergencial e pudesse ficar em quarentena.

O aceno de Fátima ao governo Bolsonaro mostra que está preocupada apenas com maiores recursos e investimento em obras do Estado, como a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco ao RN. Enquanto isso, segue a essa política desastrosa de administração da pandemia e da crise econômica a favor dos empresários do estado, mirando nas próximas eleições buscando apoio desses setores e evitando maiores explosões sociais que possam questionar não só a política de Bolsonaro, mas também a de seu governo.

Dissemos isso porque não é a primeira vez que a governadora Fátima Bezerra demonstra essa pactuação com o governo Bolsonaro. Quando Bolsonaro nomeou o deputado federal do Rio Grande do Norte, Fábio Farias, membro de uma das principais oligarquias regionais e genro de Silvio Santos, ao seu novo Ministério das Comunicações, a governadora parabenizou o novo ministro.

Fátima Bezerra (PT) apoia novo ministro de Bolsonaro, oligarca do RN e genro de Silvio Santos

Nesse contexto, foi uma clara aprovação de Fátima à iniciativa de Bolsonaro, comandada pelos ministros militares de seu governo, de estabelecer alianças políticas com o Centrão e os governos estaduais como forma de conter a crise política do seu governo. Os militares tomaram essa iniciativa preocupados justamente que maiores explosões sociais pudessem se colocar contra Bolsonaro e seu governo de militares.

Não atoa essa movimentação se aprofundou após a revolta anti-racista que tomou as ruas dos EUA e do mundo, questionando a polícia e os aparatos de repressão do Estado capitalista, que contaminou o sentimento Fora Bolsonaro aqui no Brasil, que começaram a se expressar nos atos anti-fascistas que expuseram a debilidade das manifestações de apoio ao governo.

Quando Fátima decide mandar um abraço pro Bolsonaro é porque busca também apaziguar essas crises e se dispor a trabalhar juntos, como já declarou em outras ocasiões, com o governo federal, para evitar que a pandemia e a crise econômica resultem em explosões da luta de classes aqui no país. É esse o papel histórico do PT no regime, conter o ânimo de massas e canalizá-las para as eleições.

Enquanto isso, os governadores do PT compuseram o ato do Direitos Já, junto com figuras da direita como Luciano Huck, Alckmin e empresários como Neca Setubal, gente que apoia a reforma da previdência e uma série de ataque aos direitos dos trabalhadores, que busca recompor o centro político para canalizar o Fora Bolsonaro para via das eleições.

’Direitos Já’, a frente ampla dos inimigos do povo com a adesão de parte da esquerda

Inclusive parlamentares proeminentes do PSOL fizeram parte desse ato, um completo desserviço à necessidade da esquerda socialista apostar não nessas velhas alianças com a direita, em nome de reunir “amplos” setores democráticos”, que exclui a ampla massa de milhões de trabalhadores, negros, LGBTs, etc, tratados como mera massa de manobra para esses setores.

Se Lula se recusou a compor uma frente desse tipo, e vem elevando o tom contra Bolsonaro, defendendo o impeachment, não quer dizer que agora aposta na luta de classes para derrotar o governo, pelo contrário. Busca também se provar como quem é mais a esquerda para colocar seu nome como única figura que pode derrotar Bolsonaro, polarizando a narrativa contra o governo, para depois recompor suas alianças com a direita com o qual sempre governou.

Nessa dupla cara do PT, que apesar de existirem diferenças, ambas confluem no mesmo objetivo estratégico eleitoral, e contam com figuras parlamentares e dos coletivos de juventude petistas para encobrir essa estratégia com discurso combativo.

Ambas as alas do PT, e Fátima aqui no RN também, dependem da ação de paralisia das centrais sindicais que dirige, como CUT e a CTB, do seu velho aliado PCdoB, que negociam a MP da Morte nos sindicatos e seguem tranquilos na quarentena, assistindo de fora essas disputas, não organizando os inúmeros sindicatos que ainda existem sob seu controle para se enfrentar contra esses ataques, o desemprego e a precarização da vida, aprofundados pelos efeitos da pandemia. Trabalham para essa mesma Frente Ampla e a estratégia eleitoral do PT, que tem como pilar a contenção da luta de classes para sustentar o regime herdeiro do golpe institucional.

Nesse sentido que pelo Esquerda Diário viemos colocando todas as nossa forças para impulsionar a paralisação de entregadores marcadas para o dia 1/07 aqui no Brasil, contribuindo para que fosse realizada uma articulação internacional desses entregadores para dar um só combate contra essas empresas de aplicativo que escravizam esses trabalhadores. No Metrô de São Paulo fomos linha de frente na proposta de unificar a greve de metroviários com essa paralisação de entregadores.

Por que para nós, a esquerda socialista deveria estar apostando todas as suas fichas na Frente Única dos Trabalhadores, ou seja, em unificar a luta dos trabalhadores contra o ataque aos direitos, a precarização, o desemprego e para que assumam o comando do combate a essa pandemia no Brasil, acumulando as forças necessárias para derrubar esse regime escravista e golpista que o PT quer salvar.

Seria fundamental que as parlamentares do PSOL que compuseram o ato do Direitos Já, ao invés disso, estivessem convocando a construção da paralisação dos entregadores e denunciando a paralisia das centrais sindicais. Pois só com a força dos milhões de trabalhadores do país podemos batalhar por um Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, que não caia no jogo institucional do impeachment, cassação da chapa ou eleições gerais, mas para que possam se colocar como sujeito de quem deve decidir os rumos do país.

Por isso que colocamos a necessidade da esquerda socialista defender, como fazem alguns setores do Bloco de Esquerda do PSOL, que arranquemos uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que permita uma experiência de massas com esse regime, batalhando por medidas de combate a pandemia, como a centralização do sistema de saúde, o não pagamento da dívida pública para que todos os recursos estejam voltados para responder a pandemia, mas também o fim das reformas trabalhistas e da MP da Morte, proibindo as demissões, para que não seja mais a classe trabalhadora que pague pela crise.




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