Política

LGBT NÃO SÃO DOENTES

Ex-alunos do juiz da ‘cura gay’ afirmam que ele maltratava LGBT e mulheres na sala de aula

O juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, responsável pela liminar da “cura gay”, foi professor de direito da UNB, na época, já manifestava uma conduta condizente com a decisão que permite tratar LGBT como doentes.

domingo 24 de setembro| Edição do dia

Após a aprovação por parte do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, alguns de seus antigos alunos de direito da Universidade de Brasília se manifestaram dizendo que a decisão do ex-professor os indignava, porém, não os surpreendia.

Segundo o depoimento de alunos que não quiseram se identificar, o professor dava um tratamento diferenciado para mulheres e homossexuais, rebaixando suas notas em avaliações. Além disso, possuía posições extremamente machistas e lgbtfóbicas, que expressava em sala de aula, reduzindo calamidades como a homofobia e o feminicídio.

As entrevistas foram dadas ao jornal Correio Brasiliense ( veja a matéria completa). Citando o jornal, segundo uma ex aluna, o juiz:

“Sempre vinha com comentários que reduziam assuntos relacionados à homofobia e ao feminicídio. Era desagradável ter aulas com ele. No antigo grupo da sala todo mundo comentou sobre a liminar, todos indignados, mas não surpresos”

O depoimento de outro ex aluno demonstra como era o tratamento dado por Waldemar Carvalho para estas questões:

"Em alguns trabalhos que debatíamos temas escolhidos por nós, os relacionados ao combate à homofobia, ao machismo ou a questão de minorias eram barrados por ele por não serem pertinentes para se debater dentro das perspectivas do direito”

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Este ex aluno abandonou a matéria pelas posições do Juiz com relação não só a estes temas, como também sobre a ditadura militar.

Fora as colocações machistas, lgbtfóbicas e pró ditadura militar do professor, este também não permitia que temas de combate às opressões fossem tratados em seus trabalhos e provas, com o argumento de que não seriam temas relevantes ou pertinentes dentro do espectro do direito, mesmo que o Brasil seja o quinto país no mundo com a maior taxa de feminicídios, aonde uma mulher a cada 4 dias morra simplesmente por ser mulher. Mesmo que a expectativa de vida de uma mulher transexual seja de 35 anos e que uma pessoa homossexual seja assassinada a cada 25 horas, e não exista uma medida sequer do estado que seja de fato aplicada na realidade para combater isso e impedir as centenas de mortes por ano desses setores.

Tais alegações de ex-alunos do juiz responsável pela aprovação dessa liminar absurda, só provam seu caráter extremamente lgbtfóbico, que não apenas ignora todo o sofrimento e precarização da vida imposta aos lgbt nessa sociedade capitalista, mas legaliza que estes possam ser tratados como doentes,portadores de problemas psicológicos.

É preciso sair às ruas contra todo tipo de manifestação machista, racista ou lgbtfóbica, que demonstra sua ofensiva na aprovação dessa liminar e que tem sua cara estampada em juízes como Waldemar Claudio Ferreira. Por isso, em todo o Brasil estão convocadas manifestações para o dia de hoje, com o objetivo de tomar as ruas contra a liminar da ’cura gay’.

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