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Emprego, renda e testes massivos já: por um verdadeiro plano de guerra na crise e contra Bolsonaro

A estatística oficial já contabiliza mais de 2200 casos de COVID-19 no Brasil, o número de mortos pelo mundo aumenta a cada dia. Para Bolsonaro isso pouco importa, trata-se de resfriadinho. Os números reais são desconhecidos pois não há testes massivos. A crise do Coronavírus acelera e aumenta uma crise econômica imensa que já se desenhava. Bolsonaro e cada governante atuam nela trucidando direitos e querendo até mesmo cortar salários. É preciso um plano de guerra para salvar vidas e empregos.

Leandro Lanfredi, petroleiro

São Paulo | @leandrolanfrdi

quarta-feira 25 de março| Edição do dia

Todos já ouviram na mídia, já ouviram governos estrangeiros falando que se trata de uma guerra. todos já viram a crise na China, na Itália, em Nova Iorque. Mas para Bolsonaro é um resfriadinho, tenta como um lambe-botas copiar o discurso de Trump que tenta opor a situação da economia ao combate ao vírus, com a diferença que seu amo é o chefe do maior imperialismo do mundo e tenta oferecer algumas mínimas medidas aos trabalhadores enquanto ele propõe que os trabalhadores fiquem sem salário. Bolsonaro, e também os governadores que ele tem entrado em conflito pouco se importam com as vidas e com os salários dos trabalhadores. Bolsonaro faz uma aposta arriscada politicamente para ele, mas que quem pagará a conta são os trabalhadores, como buchas de canhão da doença e da fome.

Políticos burgueses, inclusive reacionários como Witzel e Doria falam em “guerra”. Mas não tomam medidas de guerra para salvar vidas. A mídia e governadores repetem a cada dia essa ideia, especialistas nos mostram a gravidade da crise com o Coronavírus, mas não unificam o sistema de saúde, todos os leitos, laboratórios e clínicas disponíveis. Colocam trabalhadores para circular pelas cidades sem oferecer testes massivos, permitindo que se infectem e levem o vírus para suas famílias, repetem uma técnica de quarentena que não é do século XXI com suas tecnologias mas da Idade Média. Já Bolsonaro quer nenhuma proteção, os trabalhadores que se danem, se os patrões quiserem que fiquem sem salário, se ficarem doentes aguardem Trump dizer se a cloroquina funciona, e se ficarem doentes não contem com leitos pois não está abrindo praticamente nenhum, não está centralizando os leitos privados. Vidas poderiam ser salvas mas preferem que trabalhadores se exponham sem garantir o que a tecnologia e os custos permitem: testes massivos. Colocam trabalhadores em fábricas e telemarketings sem garantir condições sanitárias e higiénicas para garantir lucros e não produtos e serviços essenciais.

Seguindo a fala da maioria dos governantes estamos em guerra, só Bolsonaro que destoa falando que é fantasia e uma gripezinha. Mas junto dele, o tucano João Doria Jr, muitos empresários, como os donos da HAVAN, do Santander, do Madero aplaudiram sua MP da Morte que deixava trabalhadores sem salário por 4meses, trancafiados em casa em uma quarentena sem segurança e sem ciência, posto que sem testes, e para morrer de fome.

Graças ao imenso repúdio a essa medida Bolsonaro teve que recuar, mas esse recuo está longe de garantia de emprego e renda para os brasileiros, está longe de efetivamente um “plano de guerra” que dê conta de combater o vírus e usar toda a tecnologia existente para salvar vidas humanas. Esse combate cabe aos trabalhadores e ao povo.

Guerra sanitária e guerra econômica e nós trabalhadores como bucha de canhão

O noticiário mundial é tristemente repetitivo: vidas humanas poderiam estar sendo salvas, mas não estão sendo por falta de leitos, de respiradores, por falta de pessoal na saúde, área que sofreu repetidos cortes orçamentários neoliberais, sofreu privatizações. No Brasil isso é agravado pela lei do Teto de Gastos aprovada no governo golpista de Temer. O negacionismo de Bolsonaro coloca ainda mais as vidas em jogo. Mas o descaso criminoso é de todos governos.

Falam que estamos numa guerra mas tudo que Doria, Witzel, Ibaneis e outros tem a oferecer é só quarentena. Uma quarentena feita aos mesmos modos da Itália, da Espanha e seu crescente número de falecidos, uma quarentena com a tecnologia da idade média e não do século XXI, uma quarentena onde não faltam reforços às forças policiais, estrategicamente posicionadas para uma explosão social que todos analistas preveem, e falta qualquer plano minimamente sério para garantir coisas elementares numa guerra: agentes comunitários que ofereçam informação e não cassetete, segurança alimentar para a população, moradia digna para que os casos no Brasil não sejam muito mais dramáticos do que nos ricos países europeus. A fragilidade de corpos, fustigados por jornadas extenuantes de trabalho, por casas sem água e moradia, oferecem um terreno propicio para o vírus espalhar e colher tragédia nos hospitais que sofrem privatização, cortes de recursos. Mas esse desfecho não é o que estamos fadados a seguir. Nem estamos fadados ao desfecho da fome, do desemprego, retirada de direitos sociais e trabalhistas. É possível encarar a crise sanitária e econômica de outro modo.

Não faltam recursos nem tecnologias para dar outro combate ao Coronavírus e a crise econômica

Diversas empresas pelo mundo já desenvolveram testes rápidos para Coronavírus. A cada dia o governo brasileiro oferece um número mais inflado de quantos testes ele realizará, mas se acreditarmos nas informações empresarias a Vale tratará 5 milhões de testes e a Petrobras 600mil, um número completamente insuficiente mas que já ilustra que é possível desenvolver forças materiais e técnicas para testar todos que estão no lastro do vírus.

A Vale informa que seu teste custa R$75, se testássemos, hipoteticamente, todos brasileiros, começando por aqueles nos locais onde há mais casos, isso custaria R$15,7 bilhões, isso é muito menos que o lucro que a Vale teve em 2018: R$25,6 bilhões. Ou seja só com o lucro dessa empresa privatizada que destruiu o Rio Doce e Brumadinho, e mal pagou por isso, seria possível pagar testes em uma escala colossal que nos colocaria no século XXI e não no Pentateuco em como combater o vírus, identificando populações em maior risco, etc. Se somarmos à Vale os lucros da Petrobras (2019:R$40bi), do Santander Brasil (2019: R$14,5bi), do Itaú (2019: R$29,4bi), e do Bradesco (2019: R$25,9bi) fica muito evidente como recursos não faltam para salvar vidas, para garantir empregos.

Para salvar empresários e banqueiros não faltam recursos. O Banco Central doou aos banqueiros mais de R$1trilhão em uma injeção de liquidez imensa, nem uma migalha disso é usada para sustentar os trabalhadores informais sem recursos agora, nem um triz disso é usado em pesquisa científica, tão vilipendiada por Bolsonaro. Em meio à crise o mesmo Banco Central resolveu comprar a dívida externa brasileira com as reservas cambiais, só para torrar dinheiro brasileiro e enriquecer seus amos em Wall Street. Querem com isso melhorar a nota de crédito brasileiro e emitir mais obrigações da criminosa dívida pública para sugar mais e mais recursos nacionais para bilionários aqui dentro e lá fora. Bilionários que sorriem em seus bunkers de luxo, com leitos, remédios e tudo o que a tecnologia pode oferecer para lhes garantir que trafeguem pela pandemia com menos medo, e assim, olhando para a tendência de radicais cortes aos direitos dos trabalhadores, olhando para a tendência de militarização dos governos, podem hoje repetir frases como a do bilionário americano Warren Buffet: “se há um guerra de classes, minha classe está vencendo”.

O Brasil, nesta terça-feira 24, já conta com 2200 contaminados e 46 mortos nos números oficiais, mas sem testes não temos como saber efetivamente o número de contaminados nem confirmar mortes suspeitas. Às cegas ficamos, e pagamos com nossas vidas. E as medidas adotadas por todos governantes, não somente Bolsonaro e seu obscurantismo negacionista de é “tudo fantasia”, é so resfriadinho, mas também os governadores, o Ministério da Saúde mostram uma tragédia em construção. Mas ainda é possível detê-la. A rápida e enérgica resposta ouvida nas redes sociais e em cada local de trabalho que não foi tocado pela quarentena forçou Bolsonaro a desagradar Doria e todos seus empresários amigos, e revogar a MP da morte. O mesmo é necessário fazer diante do seu descaso perante os riscos diante do Coronavírus, impondo medidas urgentes começando por ter massivos testes.

Numa situação como essa é ilusório contentar-se com a retirada de Bolsonaro ou com seu mero “calar” que tem sido promovida por setores do establishment político nacional, deslocando parcialmente o centro do poder econômico para o BC e diminuindo o poder de Guedes, deslocando o poder do Executivo para os governadores, para os militares e para o ministério da Saúde. Uma das táticas institucionais de remover Bolsonaro, com seguimento de parte da esquerda nacional, em especial por parlamentares da corrente MES do PSOL é o impeachment. Táticas de remoção do presidente por dentro desse regime, tal como um impeachment, só fortaleceriam gente como Mourão ou Doria, que aplaudiu a MP da Morte de Bolsonaro, vale insistir, ou Rodrigo Maia que foi peça crucial na Reforma da Previdência. Também não é possível ou desejável frear o questionamento a Bolsonaro porque estamos numa crise histórica e se contentar com #FicaemCasa e alguma propaganda crítica como faz a outra ala do PSOL seguindo o que propõe o PT.

Essas duas respostas nos colocam refém de um plano de guerra que a classe trabalhadora não emerge para salvar vidas e empregos.

A cada pequena medida de maior controle da economia para produzir álcool gel, máscaras, respiradores, testes massivos, a classe trabalhadora precisa responder buscando tomar em suas mãos o controle de tais iniciativas, ampliando-as, certificando-se que aconteçam, que sejam empregadas para os fins de salvar vidas. Não faltam tecnologias e instalações para que seja possível passar pela pandemia salvando muito mais vidas, garantindo empregos.

Por isso nós do Esquerda Diário e do MRT estaremos lado a lado na luta contra as consequências que o capitalismo deixa se desenvolverem frente ao Coronavírus, propondo todas as medidas concretas para responder à crise sanitária, impulsionando a auto-organização dos trabalhadores e denunciando o descaso das autoridades e empresários com a população, estando lado a lado de cada trabalhador que está lutando para garantir as condições sanitárias dos serviços que não podem ser interrompidos, lutando por licenças remuneradas para todos trabalhadores registrados, efetivos e terceirizados, e para que o governo pague uma bolsa de no mínimo um salário mínimo a todos informais a partir de deixar de pagar a dívida pública. Lutamos para que tenhamos testes massivos, para que as quarentenas sejam seguras para quem precisa se locomover e mais efetiva para toda a população, por leitos e respiradores para quem desenvolver sintomas, e pela unificação de todo sistema de saúde em um sistema 100% estatal controlado pelos trabalhadores. Somos parte da Rede Internacional de Diários, que em 12 países coloca essa perspectiva através dos portais e também construindo grupos e partidos militantes nos locais de trabalho e estudo. O capitalismo só tem a nos oferecer barbáries chamamos a juventude e os trabalhadores a assumirem conosco a luta para superar esses limites e abrir caminho a uma outra sociedade, que estabeleça outro metabolismo com a natureza, salve vidas, e as torne dignas de ser vividas sem exploração e sem toda forma de opressão.

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