Política

Dupla de reacionários Jair Bolsonaro e Flávio Rocha numa dobradinha eleitoral?

sexta-feira 2 de fevereiro| Edição do dia

Em entrevista à revista Exame, Jair Bolsonaro preencheu de elogios seu "afeto" Flávio Rocha, dono da Riachuelo, uma das empresas mais denunciadas por superexploração do trabalho e utilização de trabalho em regime escravo no país. Rocha encabeça ainda um movimento de participação de empresários na política chamado Brasil 200. Em 2017, tentou construir a naufragada pré-candidatura presidencial de seu amigo João Dória (PSDB) no Nordeste, recebendo o título de "cidadão natalense" junto ao prefeito de SP - ligado aos escândalos de racionamento de merenda para as crianças da rede municipal de ensino.

Ver aqui: Condenação do grupo Riachuelo revela o adoecimento das trabalhadoras da moda

Perguntado se toparia uma dobradinha eleitoral com Rocha, Bolsonaro foi taxativo: "Sou o candidato mais pobre dessa turma, nem partido tenho ainda. Eu estou sozinho nessa briga, estou com o povo, coisa que os outros não têm. Mas pode ter certeza que, nas próximas semanas, ganhando corpo essa possibilidade, a gente vai começar a trazer pessoas e, se o Flávio Rocha quiser se agregar à equipe, será muito bem-vindo."

Apoiando de fato os ataques da patronal às condições de vida da classe trabalhadora, Bolsonaro disse, "Sei que parte da empresa dele está indo para o Paraguai, sei que o Flávio não quer isso, mas precisa diminuir o custo Brasil. Não é só o problema dos impostos. A questão é que o Brasil tem muita norma, muita burocracia para ser empreendedor, para fazer negócio."

Isso significa apoiar todo o modus operandi desse magnata da Riachuelo, que representa o setor mais odiado da patronal pelos trabalhadores. Como mostramos no Esquerda Diário, Flávio Rocha foi processado pelo Ministério Público do Trabalho no valor de R$37,7 milhões, após fiscalizar 50 confecções que fabricam para a marca Riachuelo no Rio Grande do Norte, em 12 municípios do interior do estado. Após a vistoria, o MPT alegou que os terceirizados recebem salários inferiores e não têm os mesmos direitos que os trabalhadores contratados diretamente pela própria marca.

Ver também: MPF do RN denuncia Flávio Rocha por coação, calúnia e injúria, no G1

Mostramos também como o Grupo Guararapes, dono da Riachuelo, vai à região do semi-árido do Rio Grande do Norte, o Seridó, utilizar as pequenas oficinas de costura terceirizadas. O objetivo é cometer as mais graves violações trabalhistas como jornadas excessivas, trabalho sem carteira assinada e pagamentos abaixo do salário mínimo.

Trata-se de uma combinação política nada "inusitada", caso se realize: dois elementos do que há de mais direitista no país, com a mira apontada declaradamente contra a classe trabalhadora.




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