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ELEIÇÕES 2018

Doria não! França também não é a solução. Confiar na nossas próprias forças pra derrotar o bolsonarismo

quarta-feira 17 de outubro| Edição do dia

Provavelmente será acirrada a disputa para o governo de SP. As primeiras pesquisas mostram poucos pontos percentuais separando o candidato tucano João Doria do pessebista Márcio França.

PSDB dividido

A crise do PSDB que deixou o partido em ruínas após os poucos mais de 4% de votos de Alckmin na eleição nacional retrata com perfeição o cenário paulista no segundo turno.

Doria, o empresário que herdou seu patrimônio da ditadura militar, que fez aquela difícil promessa que qualquer tucano é capaz de cumprir em SP de "completar o mandato de prefeito", transformando a prefeitura de São Paulo em uma gestão de marketing e a cidade em um leilão de vendas para a iniciativa privada, agora quer estender essa política para o estado prometendo "privatizar tudo".

Doria foi trazido para o PSDB por Alckmin, que tinha naquele momento como vice-governador Marcio França. O voo de Doria era mais alto, quis passar por cima do próprio padrinho tucano, não conseguiu ocupar a vaga a candidato de presidente, mas frustrou os planos alckimistas de apoio à França em SP. Mesmo assim, os apoiadores de Alckmin não entraram na campanha de Doria para governador em SP, e Alberto Goldman e Saulo de Castro foram expulsos pelo diretório estadual logo após o primeiro turno, decisão não reconhecida pela executiva nacional, com direito a gritos de "traidor" de Alckmin para Doria, escancarando fissuras no tucanato.

Ou seja, o 2° turno paulista estará marcado por dois candidatos de continuidade de duas alas do tucanato. Doria que busca hegemonizar o partido após a eleição, e França que apesar de ser do PSB, tem posição diferenciada dentro do partido, esteve nos últimos anos lado a lado de Alckmin e, muito provavelmente se eleito, manterá maioria da equipe do governo anterior na sua gestão.

Quem fica com Bolsonaro?

Outra disputa travada pelos dois candidatos é em torno de quem surfa na onda do bolsonarismo. Bolsonaro, que nacionalmente foi quem tirou a base eleitoral tucana, ficou em primeiro lugar com mais de 53% dos votos no primeiro turno em SP, eleitorado esse que Doria e França querem conquistar. Doria, viajou ate o Rio de Janeiro para encontrar com Bolsonaro, e o mesmo disse "não saber quem combinou", deixando o prefeito com a cara na porta. O que Doria acabou ganhando foi um "Boa sorte" do candidato do PSL, que completou acusando França de ser o "candidato do PT". França não ficou para trás, com a carta branca do partido para assumir a posição de "neutralidade", e com sua vice declaradamente apoiadora de Bolsonaro na eleição nacional, mirou seu alvo contra o PT e ganhou o apoio do senador eleito Major Olimpio, do mesmo PSL em evento de comemoração do aniversário da ROTA, no último dia 15/10.

Privatização do METRÔ-SP: Existe diferença de projetos e programa?

Frente ao cenário político nacional e das próprias campanhas já podemos ver que os candidatos não se diferem tanto assim. Mas e em relação à política de privatizações e terceirizações, que ataca os trabalhadores, enriquece os empresários e afeta a qualidade dos serviços públicos para a população?

Com Doria sabemos muito bem que é assim. Já fez inúmeras declarações que um dos eixos da sua gestão será "PRIVATIZAR!", e fará isso dando continuidade ao modelo de concessões das PPPs, o mesmo utilizado nas linhas de expansão do Metrô, na venda da Linha 5 Lilás e que baseada também a concessão da Linha 15 Monotrilho.

Agora, França faz muita demagogia sobre o tema. Recentemente gravou um vídeo se dirigindo aos metroviários de SP onde denunciava que os seus concorrentes Doria e Skaff eram privatizantes, e que ele "valorizava a profissão dos metroviários". Primeiramente, é importante destacar que um dos privatizantes acusado por França, Skaff, representante das indústrias da golpista FIESP, agora caminha ao lado do atual governador.

Depois, é importante remarcar que em nenhum momento França assumiu uma posição contrária a privatização. Pelo contrário, França integrando o governo Alckmin foi tão responsável quanto ele em torno da implementação do programa de desestatização levado a frente pelo tucanato paulista nas últimas 2 décadas. E justamente por isso, no seu programa registrado no TRE diz:

"Ampliar o montante de recursos aplicados na infraestrutura de transporte e logística com parcerias público-privadas (PPPs)".

Programa este de França exatamente idêntico ao do seu concorrente Doria. Pode-se sim especular se os tempos da privatização serão mais ou menos acelerados com Doria ou França. Entretanto, não somente não existe nenhuma garantia disso, como a pressão da extrema direita do Bolsonarismo e de Paulo Guedes, a nível nacional será um dos fatores determinantes que irá motorizar a política de privatização, já potencializada desde o golpe institucional.

Por isso, o MRT votará nulo para as eleições ao governo estadual. Principalmente, porque a eleição estadual está marcada profundamente pelo bolsonarismo e pela expressão de tendência a bonapartização do regime, com avanço do autoritarismo carregada por mais ataques aos trabalhadores. Nenhum dos dois candidatos não somente não são contrários à esse projeto como está demonstrado que se apoiam nele para poder governar.

Confiar nas nossas próprias forças para derrotar a privatização construindo um comitê de base para organizar os trabalhadores

A melhor medida para derrotar a privatização (e todos ataques decorrentes dela) seria confiarmos nas nossas próprias forças e construir, por exemplo, a greve da categoria já indicada na última assembleia do dia 24 no Metrô de SP. Entretanto, somos conscientes que as condições para isso hoje estão muito complicadas, e isso se deve a um fato: que desde junho a maioria da diretoria do Sindicato dos Metroviários, dirigida pela CTB e CUT, seguindo a política do PCdoB/PT, vem fomentando ilusões que "França é uma alternativa a Doria no governo do estado", que ele estaria disposto "até dialogar sobre os rumos da privatização". São parte da demagogia que França está fazendo com os metroviários, sendo que o programa que ele defende de PPPs é o mesmo de Doria. Fazem a mesma coisa que o grupo "União Metroviária" na categoria, que chega ao ponto de fazer palanque para França gravando vídeos junto com o governador para os metroviários. O próprio França, como Doria, também tenta surfar na onda do bolsonarismo para se eleger em SP. Essa é a situação que chegam os metroviários para assembleia marcada para o dia 18/10, amanhã.

Somos parte do sentimento de ódio ao PSDB na categoria depois de tantos ataques acumulados de desmonte do Metrô público, e pela demissão dos metroviários de 2014. Mas não podemos esquecer que se Doria é representante disso, França também fez parte, e uma parte dos tucanos não sairá do governo do estado se França for eleito. Por isso defendemos uma política independente para combater a privatização e os ataques, que hoje centralmente passa pela tarefa de aprovar, por exemplo, em assembleia dos metroviários um comitê de base contra Bolsonaro, o golpismo e as reformas, como estratégia para organizar os trabalhadores e que possamos confiar nas nossas próprias forças, como a única capaz de combater a política de privatização no Metrô de SP e em todo estado de SP.




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