Política

ELEIÇÕES 2018

Doria, Skaf e França querem atacar trabalhadores e não são alternativa em SP

sábado 6 de outubro| Edição do dia

Nesse domingo teremos o primeiro turno das eleições. Tanto em nível nacional quanto estadual temos visto um fortalecimento da extrema direita e suas candidaturas reacionárias em meio à eleições manipuladas marcadas pelo autoritarismo do poder judiciário apoiado pelos militares. Neste cenário, não podemos ter nenhuma ilusão nas candidaturas burguesas ou conciliadoras que veem a tentar se apresentar como “mal menor”. Todas elas - mas cada uma a sua maneira - significarão o fortalecimento da extrema direita que queremos combater.

No caso das eleições estaduais paulista, três candidatos tem tomado a dianteira na disputa. João Doria (PSDB), Paulo Skaf (MDB) e Márcio França (PSB) tem despontado na pesquisa como as candidaturas que disputarão um eventual segundo turno com, respectivamente, 26%, 22% e 16% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Frente à enorme rejeição dos candidatos que lideram as pesquisas, 30% do eleitorado paulista não tem candidato ao governo do estado, sendo 22% votos brancos, nulo ou que não irão optar por nenhuma das três opções que lideram as pesquisas e 8% disseram que não sabem em quem votarão.

João Doria está aliado com o DEM, o PRB, o PSD e o PTC. Doria, como sabemos é a ala mais a direita do tucanato paulista. Em seu governo esteve de mãos dadas com os reacionários do MBL e tentou atacar os trabalhadores do município com uma reforma da previdência, quando foi derrotado por uma forte greve que teve as professoras municipais à frente. Mesmo tendo abandonado a prefeitura antes do fim do seu mandato, o que diria que não faria, o milionário João Doria se notabilizou por racionar a merenda nas escolas municipais e por propor distribuir uma ração humana para a população pobre do município. Doria significa, para o estado de São Paulo, a sequência do golpismo de Temer, sendo uma de suas faces mais à direita, e vários analistas apontam que em SP vem se expressando o voto “BolsoDória”, ou seja que a maior parte do eleitorado de Dóriaem SP, ao invés da esperada dobradinha com correligionário tucano para a presidência, prefere Bolsonaro como candidato.

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Apesar de seu péssimo governo frente à prefeitura, Doria segue líder nas pesquisas, sendo seguido de perto pelo presidente licenciado da Fiesp, Paulo Skaf. Como presidente da maior patronal do país e candidato pelo mesmo partido de Michel Temer, Paulo Skaf foi uma das figuras centrais no golpe institucional de 2016. O pato da Fiesp se tornou um símbolo do golpismo dos patrões. Além de ter sido um ator direto no golpe institucional e ter apoiado todos os ataques contra a classe trabalhadora promovidos por Michel Temer, Paulo Skaf, que tem como vice uma tenente coronel da PM paulista, já declarou voto no ultradireitista Jair Bolsonaro. Paulo Skaf não representa nenhuma alternativa contra a hegemonia do PSDB em São Paulo, já que faz parte do mesmo bando golpista e representa os mesmo interesses que João Doria.

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Assim, temos visto, nos últimos dias, surgir a candidatura de Márcio França (PSB) como uma alternativa à essas outras duas frente a estagnação do PT no estado, que está longe de representar alguma alternativa para combater as candidaturas privatistas de Dória/Skaf, tampouco pode representar uma mudança das gestões tucanas das últimas décadas. Devemos partir de lembrar que França foi vice-governador de Geraldo Alckmin (PSDB) desde 2011 e que, surfando na conjuntura reacionária, escolheu para ser sua vice uma coronel da polícia militar de São Paulo, uma das polícias mais assassinas do mundo. Sua vice, Eliane Nikoluk, inclusive já declarou apoio para o candidato da extrema direita Bolsonaro no pleito presidencial. Aproveitando-se de sua baixa rejeição por ser uma "figura nova", França faz demagogia com o funcionalismo público, dando a entender que não seguirá o mesmo caminho de Doria e Skaf mas escondendo seu legado político como vice-governador de obras paradas e corrupção a frente do Metrô de SP, o desmonte na educação pública com o congelamento de verbas e investimentos na Universidade de São Paulo, o fechamento de salas de aula, o escândalo da merenda nas escolas estaduais, a dura repressão aos jovens estudantes secundaristas, a demissão em 2014 de 40 metroviários, ou seja, um legado de chicote e ataques a classe trabalhadora e a juventude, em base a um programa de desestatização e entrega completa dos serviço públicos à iniciativa privada, marcada pela sua vida política que hoje expressa em seu programa de governo quando afirma que irá "ampliar o montante de recursos aplicados na infraestrutura de transporte e logística com parcerias público-privadas (PPPs)" (trecho do programa de Marcio França registrado no TRE).

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Luiz Marinho (PT) vem logo em seguida na corrida pelo palácio dos Bandeirantes, com 6% das intenções de voto. A candidatura dele tampouco representa uma saída para os trabalhadores de São Paulo. Luiz Marinho representa a candidatura local da conciliação que o PT vem expressando com acenos aos golpistas em nível nacional, embora essa esteja cada vez mais longe de obter sucesso. Ela é a avenida aberta para a direita paulista disputar o pleito apenas entre si. A candidatura de Marinho aparece como a aceitação do petismo que o estado de São Paulo seguirá governado pelos golpistas e pela direita.

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De conjunto, podemos ver que as propostas desses candidatos tem na segurança e no aumento da repressão sua marca, assim como o projeto privatista dos serviços públicos colocado em seus discursos. Não há como deixar nas mãos de Marcio França a esperança de derrotar a privatização, pois ele não fará isso, menos ainda o PT se aliando com golpistas. Nenhuma dessas candidaturas pode apresentar uma saída para os trabalhadores e à esquerda no estado. Marcio França não significa um “mal menor” para os trabalhadores frente às candidaturas de Doria e Skaf pois esteve lado a lado em todos os ataques deferidos contra os trabalhadores quando vice de Alckmin, sendo responsável pelas privatizações no Estado, e agora se apoia na defesa de Bolsonaro com declarações de sua vice, elevando o rol de militares na política estadual e estarão alinhadas com um eventual governo Bolsonaro que aprofundará ainda mais os ataques contra os trabalhadores.

Em quinto lugar na corrida eleitoral, ainda segundo o Datafolha, aparece a candidata Lisete Arelaro (PSOL), com 3% das intenções de voto, que, apesar de vários limites que já expressamos nesse diário, se coloca como a candidatura mais à esquerda dentre os cinco melhor posicionados na disputa, que expressam os votos de trabalhadores e jovens que veem o PSOL como única alternativa política atual à esquerda do PT.

Não podemos guardar todas as nossas expectativas apenas no resultado do pleito eleitoral. Frente ao avanço da extrema direita, é necessário que a classe trabalhadora se organize de forma independente dos patrões e superem as burocracias sindicais petistas que tem sido um verdadeiro freio às lutas. Não é votando em candidatos da direita que barraremos o crescimento da extrema direita. Doria, Skaf e França não são alternativos um ao outro e, muito menos, uma alternativa para os trabalhadores. Tampouco Luiz Marinho se propõe a ser um adversário duro contra esses setores, sendo antes uma candidatura frágil e que expressa, no plano estadual, os compromissos que o PT aponta no plano nacional.

Os planos desenhados pelos candidatos ao governo de SP de privatização e venda dos direitos dos trabalhadores serão possíveis de derrotar somente através da luta, e frente a ascensão de Bolsonaro na situação política a única saída que resta aos trabalhadores é construir uma mobilização que possa gerar condições para convocar uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para que o povo possa decidir. Por isso, o MRT com suas candidaturas anticapitalistas (veja abaixo) vem lutando nacionalmente para que emerja uma alternativa independente do PT e sua política de conciliação com os golpistas, e de Ciro com sua vice moto serra de ouro Kátia Abreu, como estratégia para enfrentar os ataques e ajustes que qualquer governo que for eleito vai despejar contra os trabalhadores após as eleições, fortalecendo uma voz anticapitalista que defenda um programa para que os capitalistas paguem pela crise, e a defesa de.um governo operário e popular.

Conheça nossas candidaturas anticapitalistas em SP:
Diana Assunção para deputada federal, Maíra Machado para deputada estadual, e Marcelo Pablito para deputado estadual

foto Eduardo Anizelli - 19.set.2018/Folhapress




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