Educação

ESCOLA SEM PARTIDO

Debate contra Escola sem Partido reuniu 80 pessoas na Fundação Santo André

quarta-feira 21 de setembro| Edição do dia

Com o auditório composto por alunos, ex-alunos, funcionários, e professores da rede pública o debate sobre as consequências do PL Escola sem Partido se instalou. Numa perspectiva classista e de combate os debatedores apresentaram o projeto ligado à conjuntura nacional e internacional de ataques à classe trabalhadora, e a juventude.

A mesa foi composta pelo professor Ivan Cotrim, que mediou o debate, Bruna Sartori ex-aluna, professora da rede pública e militante do MAIS, Sandro Assencio ex-aluno da FSA, e atualmente professor no curso de geografia da instituição; e Professora Maíra Machado ex-aluna, militante do MRT e candidata à vereadora em Santo André pelo PSOL.

Professor Ivan abriu a atividade colocando historicamente como a educação vem sendo alvo de ataques pela burguesia no que se refere ao direito de estudo e livre manifestação das ideias no interior das instituições públicas, trançando um paralelo com a atual situação política e econômica que passa o país, ligada à crise econômica e os planos da burguesia na contenção dos focos de resistência. Apresentou os integrantes da mesa que foram seus ex-alunos, aproveitando o ensejo para declarar apoio à candidatura da Professora Maíra Machado reivindicando seu histórico de luta na instituição e nos movimentos sociais.

Bruna Sartori centrou sua intervenção na apresentação do projeto, seus efeitos nefastos na formação crítica dos alunos, e que a partir da conjuntura repressiva de ataques aos direitos da classe trabalhadora visa criminalizar professores, não apenas os de humanas, já que o projeto, segundo ela trata-se de um retrocesso que remonta o obscurantismo medieval no tocante à tecnologia, e informação, logo afetará não apenas os docentes de humanas, mas também de disciplinas como biologia. Colocou também que a tática do Estado é dividir para governar, ou seja, colocar alunos contra professore e vice versa, não à toa Alckmin recentemente liberou o uso de celulares em sala, para que estudantes possam enviar vídeos de denúncia de seus professores, caso sintam-se “doutrinados” ideologicamente.

A professora Maíra Machado interveio acerca da conjuntura repressiva na qual insere-se o projeto, que antes de mais nada é uma tentativa de calar as vozes dissonante da juventude que vai às ruas em busca de seus direitos desde 2013, e que ano passado protagonizou uma importante luta, ocupando as escolas contra seu fechamento, garantindo uma importante vitória que se espalhou pelo conjunto dos país. Advertiu que o golpe não foi apenas contra o PT que desde sua formação se apresenta como conciliador de classes, e nesse momento agudo da conjuntura, apresenta uma saída eleitoreira para desviar as mobilizações legítimas contra Temer. Ressaltou que as arbitrariedades do judiciário que com “convicção” transformam Lula em réu, é antes de tudo, para que o golpe institucional cujo objetivo é o ataque mais rápido aos direitos dos trabalhadores de da juventude, passe sem resistência. Lembrando que há um pacto forte entre os setores golpistas, incluindo judiciário, mídia e congresso, na censura à esquerda com a reforma política, e que nesse marco o PT é parte do mesmo, tendo em vista que em coletiva de impressa acenou aos empresários, defendendo políticos inclusive os corruptos, ao passo que chamou de acomodados os funcionários públicos, os mesmos que nesse momento estão sendo atacados pela via da PEC 241.

O Professor Sandro Assencio trouxe importantes contribuições no marco internacional no qual o projeto se espelha, pois trata-se de uma ofensiva ideológica de direita, cujo objeto é atacar o marxismo como alternativa à imensa crise politica e econômica que passam os países. Comentando pontos fundamentais da estrutura do projeto que chega ao ridículo de se dirigir às contribuições de Reich e a escola de Frankfurt.

Todos os presentes na mesa apresentaram como saída à uma organização independente do PT e dos partidos burgueses, uma vez que se de fato as escolas estivessem a serviço e sob controle operário e estudantil, não padeceriam de problemas estruturais, tampouco a já presente perseguição ideológica por parte das direções e coordenações. Todos alertaram que por trás do projeto há também a perpetuação de um modelo de escola que arbitra apenas um partido único, o da burguesia, esse mesmo que sabendo o quão libertador pode ser o conhecimento, amordaça professores e estudantes, para seguir sua linha “Não pense em Crise, trabalhe”.




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