Gênero e sexualidade

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Projeto que barrava discussão sobre identidade de gênero é arquivado em Caxias do Sul

Surfando na onda do “Kit Gay”, o vereador caxiense Chico Guerra (PRB) levou a votação na câmara na ultima quinta-feira (8) um projeto que buscava barrar as discussões sobre identidade de gênero nas escolas municipais de Caxias do Sul.

sexta-feira 9 de novembro| Edição do dia

Propondo que todos os materiais didáticos fossem analisados antes de serem distribuídos, para garantir que não houvesse qualquer menção que pudesse vir a influenciar os alunos. No caso de materiais doados que tivessem destaque ao tema, defendeu que estes deveriam “ser substituídos por materiais sem referencia a mesma (identidade de gênero).

Por sorte o projeto não foi aprovado pelo conjunto da câmara dos vereadores. Com três abstenções, de Gustavo Toigo (PDT), Rodrigo Beltrão (PT) e Alberto Meneguzzi (PSB, presidente); oito votos a favor da tramitação, sendo eles de Adiló Didomenico (PTB), Arlindo Bandeira (PP), Kiko Girardi (PSD), Edson da Rosa (MDB), Chico Guerra (PRB), Neri, o Carteiro (Solidariedade), Renato Nunes (PR) e Ricardo Daneluz (PDT); e doze votos pelo arquivamento do projeto conservador, por parte dos vereadores Alceu Thomé (PTB), Denise Pessôa (PT), Edi Carlos (PSB), Felipe Gremelmaier (MDB), Flávio Cassina (PTB), Gládis Frizzo (MDB), Paula Ioris (PSDB), Paulo Périco (MDB), Rafael Bueno (PDT), Renato Oliveira (PCdoB), Velocino Uez (PDT) e Wagner Petrini (PSB).

Por ser uma “questão social”, esses temas já deveriam ser debatidos nas escolas, é claro que adequando o conteúdo e a forma para cada etapa da escolarização. Entretanto, a importância desse debate nas escolas não é apenas algo externo à ela. Não se devem debater as questões de gênero apenas por ser uma “questão social”, mas, sobretudo, por ser uma realidade nas próprias escolas. As crianças e adolescentes trazem questões que se impõem no cotidiano escolar, e dentre elas, as relativas à sua vivência e sua identidade.

Projetos como o do vereador caxiense podem até retirar qualquer referência sobre gênero do currículo oficial, ou mesmo constranger alguns professores a evitarem a questão, mas pouco poder terão sobre o currículo real que acontece no dia a dia das relações escolares, e acima de tudo, não servirão para silenciar as demandas trazidas pelos próprios alunos no processo de sua formação.

Não é o debate sobre gênero na escola que vai orientar a sexualidade de uma criança, embora possa ter efeito positivo sobre a compreensão da sua e da dos outros. Não é apenas no espaço formal da escola que se constituem as identidades dos indivíduos. Essas se constituem num mar de relações formais e informais que o indivíduo vivencia em sua trajetória. Desde muito cedo as crianças vivenciam experiências que não podem ser controladas pelos adultos, sejam os pais, os professores ou os pastores de plantão.

Assim, a despeito de toda “educação” que os pais despendem em suas famílias heteronormativas, muitas crianças já chegam à escola com os germes, e tensões, de suas identidades em desenvolvimento. Elas já não se reconhecem na norma da educação familiar. Elas não se reconhecem na norma de um conceito de família que, na verdade, muitos nem chegaram a conhecer.

O debate de gênero nas escolas não é uma demanda apenas dos movimentos LGBTs e de mulheres. É uma demanda dos próprios alunos, que trazem suas experiências para a escola e impõem a ela suas temáticas. Assim, a proibição do debate de gênero nas escolas é uma medida que afetaria mais os alunos que os professores. São eles que projetos como esse tentam silenciar. Não conseguirão.

fontes:
http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2018/11/mirante-projeto-sobre-identidade-de-genero-e-arquivado-em-caxias-10639140.html
http://www.esquerdadiario.com.br/spip.php?page=gacetilla-articulo&id_article=1361




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