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CONSELHEIRO TUTELAR RACISTA EM MG

Conselheiro tutelar racista, machista e LGBTfóbico quer censurar vídeo de dia das crianças

Fernando Pardal

@fepardal

quarta-feira 18 de outubro| Edição do dia

Foto: Rede Globo.

O Conselheiro Tutelar Abrãao Fernandes acumula dezenas de queixas contra sua atuação, e o absurdo caso de racismo contra a estudante da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) Mariana Fernandes trouxe isso à tona.

No Facebook, ele afirmou para a estudantes que os negros "preferem o crime" do que ir para a faculdade. Depois, afirmou que "racismo é mimimi". Ele também disse que é "opressor" e defende que "todos os esquerdistas, comunistas morram no pau de arara", além de ter afirmado que "O erro da ditadura foi não ter matado mais".

Veja:

Outras colocações racistas foram feitas por Abraão em mensagens privadas à estudante:

A estudante afirmou que ele mandou mensagens dizendo que “ela tinha cor de bosta e que ela deveria se cuidar melhor pois devia esconder um monte de coisas na cabeça de menos pente e xampu”

Segundo "A Tribuna de Minas, "O Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) revelou à Tribuna que tanto a Prefeitura, quanto o Ministério Público já haviam recebido documentos referentes à conduta racista e homofóbica de Abraão. Através de ofício datado de 3 de agosto de 2017, a presidência do CMDCA encaminhou ao promotor da Infância e Juventude, Carlos Ari Brasil, material remetido anteriormente à Secretaria de Administração e Recursos Humanos (SARH) para instauração de processo administrativo disciplinar em desfavor do representante do Conselho Tutelar da Região Centro-Norte."

Ainda assim, não apenas o Conselheiro não foi afastado de suas funções, como continuou cometendo seus crimes e abusos, inclusive contra uma outra conselheira do CMDCA que representa a sociedade civil na entidade. Em áudios enviados por Abrãao, ele se refere à conselheira dizendo que "para essa aí, eu nada mais posso me fazer valer senão as falas do Bolsonaro para a Maria do Rosário no Salão Verde", ou seja, tomando as palavras de incitação ao estupro pelas quais Bolsonaro foi inclusive condenado pelo STF para ameaçar a sua colega.

As afirmações machistas contra a conselheira não param por aí: "essa situação dessa menina aí é complicado (sic) demais. Tô pra te falar uma coisa: é mal comida e tá sozinha porque é chata (…) além disso, acho que ela devia ir para São Paulo comer aquela ração do Dória para ela dar uma encorpada, porque mulher tem que ser bonita e tem que ter um corpinho também para ter onde a gente pegar.” E também incluem ofensas racistas, quando ele diz que nem se passar “guaritina no cabelo” e “ficar de molho um ano na água sanitária”, não sairá o “encardido” na pele dela.

A conselheira, que preferiu não ter seu nome divulgado, comentou as declarações de Abraão: "Reconheço a voz do Abraão nesses áudios e confesso que fiquei bem assustada com o que ouvi. Em um primeiro momento, me senti violentada. Depois entendi que ele representa a cultura de uma sociedade machista e, que, quando ele diz essas coisas, está violentando não só a mim, mas todas as mulheres".

O presidente do CMDCA, Carlos Henrique Rodrigues, afirmou, sobre as ações criminosas do conselheiro Abraão Fernandes: "Desde o início do mandato de Abraão, recebemos muitas denúncias contra ele em diversos casos. Tem racismo, acusação de homofobia, prints de postagens dele que incitam o ódio (ver fac-símiles). Solicitamos, desde o começo do ano, instauração de procedimento administrativo contra ele junto a SARH. Estamos tomando todas as medidas ao nosso alcance contra qualquer conduta irregular que tenha sido cometida pelo conselheiro. Encaminhamos todas as queixas e prints, toda a documentação para a Prefeitura e para o Ministério Público. Estamos cuidando de dar ciência de cada passo, cada nova denúncia. Cada material que chega é encaminhado para os órgãos devidos para que as providências sejam tomadas. Agora a celeridade ou a morosidade com que isso caminha, infelizmente, não está sob nosso domínio".

Enquanto isso, Abraão segue em seu cargo, no qual é responsável pelos cuidados com crianças em situação de fragilidade, abuso e desamparo, e cujos destinos ficam sujeitos a decisões tomadas por Abraão. Uma das medidas tomadas por ele em seu cargo foi protocolar uma ação no Ministério Público questionando um vídeo realizado pela UFJF em homenagem ao dia das crianças. De acordo com Abraão, a presença de uma drag queen no vídeo desrespeita o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ele se baseia também em lei aprovada na Câmara Municipal que, segundo ele "restringe o termo de diversidade apenas como comprometimento físico ou mental, portanto, não se pode falar em gênero nas escolas da nossa cidade".

Em sua tentativa de censura, Abraão foi acompanhado pela Câmara de Vereadores de Juiz de Fora.

Assim, fica demonstrado que, com seus valores reacionários, Abraão utiliza seu cargo para uma perseguição ideológica que procure instituir na educação seus valores LGBTfóbicos, machistas e racistas. É um autêntico representante dos que hoje defendem a censura da arte e os valores mais reacionários sob o manto do "escola sem partido" e outros absurdos do gênero.




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