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EDUCAÇÃO - GOVERNO BOLSONARO

Conheça novo candidato de Bolsonaro ao MEC: árduo defensor da perseguição de professores

Após pressão da bancada da Bíblia, Bolsonaro recuou com Mozart Neves e agora cogita um novo nome, que agrade: Guilherme Schelb. Conhecido por incentivar perseguição aos alunos, o novo candidato faz coro com o reacionarismo e conservadorismo de Bolsonaro e seus aliados.

quinta-feira 22 de novembro| Edição do dia

Guilherme Schelb, procurador regional da República do Distrito Federal, é o mais novo cortejado por Bolsonaro, com a benção da bancada da Bíblia, para assumir o Ministério da Educação. Ele ficou conhecido por ser um dos maiores defensores do projeto de lei Escola sem Partido, que visa perseguir e censurar a educação, tirando das escolas debates importantes sobre o cotidiano e a vida dos estudantes.

Em vídeos e publicações em suas páginas e redes sociais o procurador incentiva e ensina pais e alunos a perseguirem e ameaçarem professores e escolas, com modelos de “notificação extrajudicial”, para que as escolas não tratem de assuntos relacionados a gênero e sexualidade. Sobre essa divulgação de Guilherme Schelb, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal, instaurou procedimento administrativo onde analisou o caso e considerou inconstitucional.

O presidente eleito Jair Bolsonaro, que sempre deixou claro ver nos professores um dos seus principais alvos de ataques, afirmou que a decisão do nome para o Ministério da Educação é importantíssima.

Outros a se manifestar sobre a possibilidade do MEC ser assumido por Guilherme Schelb, evangélico e frequentador da igreja Comunidade das Nações em Brasília, foram Marco Feliciano e Silas Malafaia, que comentou “Se o presidente nomeado ele vai ser um grande nome. Eu acho que o Guilherme Schelb afinado ideologicamente com o que penso Bolsonaro. É um cara preparar de cima e muito inteligente. Ele vem travando batalhas contra ideologia de gênero nas escolas, tem livros escritos sobre isso instruindo os professores e os pais”.


Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, um ferrenho defensor do presidente eleito e de suas medidas conservadoras e reacionárias

Guilherme Schelb também já foi punido por pedir patrocínio para empresas no setor que atuava para um livro que iria publicar. Ele confirmou ter pedido R$70 mil para Souza Cruz, Fiat, Coca Cola e Volkswagem, casos que ele investigava por corrupção. Participou de investigações de desdobramentos da Lava-Jato, como falsificação de cigarros e adulteração de combustíveis. Novamente, o discurso "contra corrupção" de Bolsonaro dá claros sinais de uma tremenda hipocrisia, já que não seria Guilherme o primeiro integrante de seu governo com processos e investigações na trajetória política.

A confirmação desta escolha será mais uma prova do peso que a bancada evangélica terá no governo Bolsonaro, que no menor risco de prejudicar essa aliança recuou com o nome de Mozart Neves, diretor do instituto Ayrton Senna, considerado moderado pelos parlamentares e partidos da bancada da Bíblia.

Além disso, é uma forte sinalização de que Bolsonaro seguirá perseguindo e censurando professores estudantes dentro das escolas para poder passar seus ataques e ajustes sem a resistência da educação, setor que vem sendo fator importante na luta contra o golpe institucional, as reformas e o endurecimento do governo e do judiciário contra os trabalhadores.

Para Bolsonaro o comando do Ministério da Educação é encargo estratégico e por isso deve escolher a dedo quem será o ministro que atacará a educação, os professores e os estudantes de forma mais agressiva.




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