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NÃO VAMOS MORRER DE TRABALHAR

Com Reforma Trabalhista, livraria divulga vaga intermitente para explorar mais os trabalhadores

Recente propaganda de vaga de emprego intermitente na Livraria e papelaria Ascensão em São Paulo, propõe pagar 7 reais a hora para o funcionário. Com a reforma trabalhista em vigor, cada dia surgem mais vagas absurdas de emprego intermitente. O novo nome dado a semi escravidão, onde a pessoa só ganha por hora e não tem nenhum direito.

domingo 26 de novembro| Edição do dia

Sem especificar a quantidade de horas ou dias na semana, a Livraria anuncia apenas o “salário”, entre aspas pois sete reais por hora não pode ser digno de se chamar salário. Como se fosse possível qualquer pessoa viver com um rendimento mínimo como esses e sem qualquer direito como férias, décimo terceiro salário, ou mesmo ter um salário fixo todo mês. As vagas intermitentes não chegam nem perto de proporcionar um salário mínimo ao trabalhador.

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Como vemos em outros casos, como a Rede de supermercado no Ceará que propõe um salário de 115 reais por mês (!). Ou a Magazine Luiza, que lucra milhões em todo o país e vem disponibilizando vagas intermitentes com salários de R$4,50, sem direito a Transporte, Almoço, Férias, 13º.

Cinicamente essas empresas e o governo falam que essa nova modalidade de trabalho vai aumentar a oferta de emprego, e diminuir os custos trabalhistas para as empresas. Já que o trabalhador intermitente não tem qualquer vinculo empregatício, se ficar doente ou tem qualquer problema, pode ser rapidamente substituído.

Ou mesmo se sofrer um acidente de trabalho, a nova reforma trabalhista garantiu as empresário que eles não precisam mais se preocupar com ações trabalhistas, já que agora os trabalhadores são obrigados a pagar honorários dos advogados caso percam, o que é impossível para quem ganha um salário mínimo ou menos. Além de que pelas novas regras é muito improvável um trabalhador ganhar uma ação.

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Dessa forma as novas leis votadas pelo congresso, com Temer a frente, garantem que os capitalistas tirem mais lucros enquanto aumentam a miséria para os trabalhadores. Essa realidade é a contracara do discurso que “todos se beneficiam” que a mídia e o governo querem passar com a nova reforma.

Mas não só a direita e a mídia golpista falam isso. O projeto petista chamado de “conciliação de classes” é justamente a ideia de que trabalhadores e chefia podem se beneficiar igualmente no capitalismo, Lula por muito tempo se orgulhava em dizer que no seu mandato "nunca os banqueiros lucraram tanto". Problema é que enquanto uma classe goza de todos os luxos, medicina de alta qualidade, educação, viagem e tudo mais, os trabalhadores precisam dar o suor e o sangue para conseguir salários baixos e agora com ainda menos direitos.

Essa base de exploração capitalista não pode ser mudada de forma gradual, por pequenas reformas ou concessões, pois um sistema que se baseia em cima da exploração e da propriedade privada, terá sempre que relegar uma parcela da população a miséria, desemprego e todo tipo de adversidades. Para mudar isso é preciso lutar por outra sociedade que se basei em novas bases, sem exploração e opressão.

Cada luta hoje, deve ter essa perspectiva estratégica. O petismo por muito tempo atuou entre os trabalhadores falando que as lutas deveriam ser só parciais, especificas, e que a grande política é feita pelos políticos em Brasilia. De todas as formas usou e usa dos sindicatos para desmobilizar e impedir que surja uma força militante de trabalhadores, que atuem como sujeitos políticos na sociedade.

A reforma trabalhista passou justamente com a cumplicidade das centrais sindicais patronais e petistas. A concretização da ideia de que todos podem avançar gradualmente dentro do capitalismo é o discurso de Lula de perdão aos golpista, o silencio completo sobre a reforma trabalhista que na pratica é a ideia de que todos devem esperar as novas eleições para votar no PT, o “menos pior”, mas que vai manter esse mesmo congresso e gerir esse mesmo sistema para beneficiar os banqueiros e empresários.

O combate a reforma trabalhista, e propostas que nós do Esquerda Diário e MRT fazemos de trabalho de 6 horas por dia 5 dias por semana, é justamente um programa para se chocar com os lucros dos capitalistas, atacar na base de sustentação do capitalismo que é a exploração do trabalho. E com isso ajudar a formar uma força atuante, militante que construa uma verdadeira alternativa de esquerda: um partido dos trabalhadores, revolucionário e anti capitalista.

Nesse momento, onde as centrais chamaram uma nova greve no dia 05 de dezembro. É fundamental tomar a luta em nossas mãos, para impedir uma nova traição. Como diz Diana Assunção, dirigente do MRT e do Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp), declarou ao Esquerda Diário:

"As centrais sindicais convocaram greve geral para o dia 5. Tem 11 dias pra organizar milhares de assembléias e reuniões na base pra organizar uma greve efetiva e não inofensiva como foi o último dia 10. Mas vamos precisar tomar essa greve geral nas nossas mãos! Contra a reforma da previdência e também pela anulação da reforma trabalhista!"

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