Política

MANIFESTAÇÃO EM SÃO PAULO

Cem mil contra Temer: para derrotar golpistas, lutar com política independente do PT

Leandro Lanfredi

Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

segunda-feira 5 de setembro| Edição do dia

Foram pelo menos cem mil que foram às ruas em São Paulo. Como de costume a PM de Alckmin reprimiu a manifestação gratuitamente, mostrando que querem mostrar que não haverá atos, de nenhum tipo, sem repressão. Os atos mostraram a vontade de dezenas de milhares de lutar contra Temer, a direita e os golpistas. Isso ficou evidenciado com a massividade dos cantos contra Temer e a direita e de denúncias dos golpistas. A tentativa de conduzir essa raiva para a política de Lula de “diretas já” teve ressonância, porém expressivamente menor que esta raiva da direita e potencial de uma política independente.

No entanto, essa demonstração de força com tantos jovens e trabalhadores na rua está sendo conduzida pelas forças que organizaram o ato, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo para apoiar a proposta de Lula, de Marina Silva e vários setores políticos da “ordem” para realizar “diretas já”.

Nas únicas falas que teve o ato ficou marcada a defesa desta orientação. Guilherme Boulos, do MTST, falando pela Frente Povo sem Medo, denunciou o golpe, o plano de ataques do governo golpista e defendeu que a atual geração não deve se furtar a levantar a mesma palavra de ordem defendida 30 anos atrás “Diretas Já”. Depois do dirigente do MTST, falou o presidente da CUT, Vagner Freitas em nome da Frente Brasil Popular.

A fala deste representante da burocracia sindical que apoiava o governo Dilma foi um atestado da impotência e passividade que imprimem ao movimento operário. Saudou a manifestação por ser de jovens – e não de trabalhadores, pois a CUT não se moveu para organizar a luta contra os ajustes e o golpe – e disse que era necessário difundir a ideia da greve geral. A ideia. Data, construção, da mesma, nem menção.

Além dos carros de som, algumas organizações políticas ligadas ao governo derrubado pelo golpe institucional, como a UJS do PCdoB, e setores do PT tentaram emplacar o canto de “olê olê olê olá, diretas já”.

Apesar de expressiva no ato, esta reivindicação funcional ao PT e a recompor pela direita o regime político do país, não foi o tom majoritário da manifestação, em que pese que setores da esquerda anti-governista terem feito, à sua maneira, coro com essa proposta do PT, e inclusive no canto. Diversas organizações políticas presentes, que reivindicam a revolução socialista, como o MAIS, Juntos, Insurgência, NOS, LSR, entre outras defenderam sua proposta de “eleições gerais”, que conflui com a de “diretas” de Lula.

A passividade e ausência, notável, da CUT escancara como para essa central se trata não só de aceitar o golpe como de controlar a luta contra os ajustes, e usar cada movimento de greve e de rua em um espaço a favor da campanha eleitoral antecipada do PT. Buscam mostrar resistência para a base e ao mesmo tempo mostrar nenhuma grande resistência que assuste os capitalistas.

Trata-se da defesa de “Lula já” ou de instaurar uma longa campanha eleitoral para colocar um novo governo ajustador no poder, desta vez ungido pelas urnas. Lula e o PT abriram caminho à direita com seus ajustes, depois por não resistir ao golpe, nunca organizando pela base nenhuma luta séria contra os ajustes e o golpe. Agora oferecem uma saída para recompor esse regime podre, golpista que rouba o voto popular, que restringe os espaços da esquerda nas eleições. Esta oportunidade para recompor o regime seria a realização de novas eleições ou o desvio da raiva ao golpe e ajustes a um desgaste até outubro de 2018 e não uma luta séria agora, começando por derrotar os ajustes ainda mais duros que se anunciam.

Por isso o MRT, organização política que impulsiona o Esquerda Diário foi à manifestação com a clara exigência que a CUT e CTB façam o que nunca fizeram em seus 13 anos de governo e organizem imediatamente uma greve geral.

O MRT também levantou nesta manifestação a reivindicação de uma política independente do PT e do regime político que é a luta para impor uma Nova Constituinte, para questionar os privilégios dos políticos, lutando para que todo político ganhe o mesmo que uma professora. Uma Constituinte permitiria discutir todas as demandas políticas e sociais do país e contribuir a que a classe trabalhadora faça experiência com todo esse regime de corrupção e exploração para lutar por um governo operário de ruptura com o capitalismo e imperialismo.

Diana Assunção, colunista do Esquerda Diário e candidata a vereadora pelo PSOL declarou no final da manifestação que "O ato foi uma importante demonstração de forças, pois foi composto por muitos setores da juventude e de trabalhadores, que estão dispostos a travar um forte combate contra Temer e os golpistas. Essa demonstração de forças mostra que é possível construir uma saída independente do PT, que não se adapte à política de "Diretas Já" e "Volta Lula", realidade que o PT e a organização do ato tentaram impor aqui. Com a perspectiva que defendemos em nossa declaração, nós do MRT somos centenas hoje na manifestação, na batalha pela construção dessa saída independente, cantando músicas que denunciam não apenas o governo golpista, como também que "Diretas Já" não é a solução e queremos ver a construção de uma greve geral, como nunca vimos em 13 anos de PT."

Minutos após essa declaração, como pode-se ver neste vídeo a polícia de Alckmin atacou gratuitamente a manifestação.

Amanhã será maior! Lutemos contra Temer Golpista e a direita de forma independente do PT!




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