Política

Capitalistas criminosos tem ‘leniência’, e a ‘fantástica fábrica de cadáveres’ da polícia segue executando negros e pobres

Raphael Mouro

@mouro_77

segunda-feira 7 de novembro| Edição do dia

Nessa semana chamou atenção nos noticiários à ação de bastidores no congresso por parte de vários lobistas dos grandes monopólios e das maiores multinacionais brasileiras pressionando parlamentares no sentido de impor freios à operação Lava Jato com receios de até onde as prisões e delações podem chegar, atingindo empresas e o mercado brasileiro.

Mas esses são gestos de uma real preocupação dos proclamados “cabeças do PIB” com o futuro da economia brasileira que a crise política compromete, ou é o temor do famoso“rabo preso” com oque as investigações ainda podem revelar no farto mercado que se tornou a propina e o caixa dois no país?E como pode ser que criminosos confessos e cheio de privilégios conquistem ainda mais mordomias enquanto “suspeitos” advindos da população pobre são sumariamente executados ou apodrecem na cadeia sem julgamento?

Mesmo que o leque de empresas atingidas pela Lava Jato seja amplo – estendendo-se a quase todas as empreiteiras e alcançando inclusive petrolíferas – o que se sabe é que dezenas das grandes empresas brasileiras tiveram ou ainda têm milhares de laços de ligação com a corrupção instituída através de pagamento de propinas para favorecimento de contratos ou em caixa dois para financiamento de campanhas, vislumbrando os bilionários contratos de licitações.

São bancos, empresas de telefonia, aviação, mineradoras, administradoras de portos, e mais empreiteiras – talvez as últimas que ainda não se havia revelado. Para serem tratadas como autoridades, se gabam e se autoproclamam “cabeças do PIB”(produto interno bruto), ou os grandes eixos da economia brasileira. Ou seja, grandes grupos ou monopólios capitalistas passaram a usar suas localizações na produção brasileira para alarmar e justificar futuras penas brandas (ou o que seria melhor ainda para eles: nenhuma punição), com a justificativa de que a consequente quebra delas,fruto da criminalização,traria à cena um agravo da crise econômica, queda em investimentos e o aumento do desemprego, tentando ganhar a opinião pública no geral para ‘naturalizar’ uma provável aceitação das ações corruptas desses mega-capitalistas nos últimos governos de FHC, Lula e Dilma.

Há um senso comum que vai para além dos próprios capitalistas que temem a prisão, mas que envolve – além dos seus lobistas e parlamentares capachos ligados a partidos patronais – a grande mídia burguesa e até analistas que afirmam que o momento é de ‘baixar a poeira ’ e estabilizar a economia.Entre estes há uma linha quase de consenso de pressionar o congresso para fazer vistas grossas com as relações escusas nos governos passados. Ou que ao menos seja a partir da chamada ‘lei para acordos de leniência’ – projeto que praticamente legaliza acordos de delação e dá segurança jurídica a empresas que cometem crimes envolvendo órgãos públicos, ou seja, que pagam propina por favores, e que, na nova lei, se descobertas, deveriam atuar pela “ajuda” nas investigações, na transparência e indicação dos infratores, em troca da permanência no mercado com os mesmos status e privilégios.Ou seja, nas entrelinhas do capitalismo brasileiro há todo um tramite de réus confessos em conluio com os partidos políticos.

Delação premiada de pobre é tortura’, já denunciava MC Carol.

E como já apontamos aqui, enquanto o conhecido “partido do judiciário” atua descaradamente em favor dos grandes capitalistas e golpistas referendando esses acordos espúrios, fortalecem um sistema carcerário no país que historicamente tem como filtro fatores socioeconômicos e raciais, que quer dizer: cadeia para os suspeitos que não forem executados pelas polícias brasileiras, já que estes estão às margens das benesses do sistema capitalista, como a maioria negra e pobre da população, a exemplo de Amarildo no Rio ou o absurdo caso recente dos ‘5 Amarildos da ZL de SP’ (Jones, César Augusto, Jonathan, Caique e Robson), com fortes indícios de terem sidos executados pela polícia paulista – já que cartuchos encontrados são de uso exclusivo da PM, além das últimas de mensagens de áudios da vítimas afirmarem que estavam sendo ‘esculachados’ em uma blitz policial.

Por outro lado, termos famosos dos noticiários como‘leniência’, ’liberdade provisória’, ‘prisão domiciliar’, ‘afrouxamento de pena’ após a‘delação premiada’ é uma garantia que os capitalistas e políticos corruptos gozarão descaradamente de privilégios, mesmo quando seus crimes resultam em centenas de mortes, como no caso do “desastre” consciente dos responsáveis da Samarco em MG, ou em obras como do metrô de SP, que soterrou seus trabalhadores.

Enquanto vemos crimes como esses “fazendo aniversário” ano após ano sem nenhuma punição aos capitalistas criminosos e seus agentes políticos facilitadores dos esquemas de superfaturamento e recebimento de propinas, para o povo pobre restam as balas, execuções policiais, apodrecer na cadeia sem sequer um julgamento inicial, quando não os necrotérios.




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