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Brasil desce para 75º no IDH, com mulheres ganhando 24% menos que homens

Depois de escalar três posições entre 2009 e 2014, o Brasil desceu um degrau no ranking do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) deste ano, e no país de Dilma as mulheres seguem sendo as mais afetadas pelas perdas salariais. A crise que já assola o país prevê cenário pior para próximos anos.

Fernanda Peluci

Metroviária de São Paulo e demitida política

terça-feira 15 de dezembro de 2015| Edição do dia

Depois de escalar três posições entre 2009 e 2014, o Brasil desceu um degrau no ranking do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) deste ano, divulgado nesta segunda-feira, 14, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Ultrapassado pelo Sri Lanka (ilha ao sul da Índia com cerca de 21 milhões de habitantes, que teve crescimento mais acelerado), o país ficou em 75º lugar, entre 188 nações e territórios reconhecidos pela ONU.

O Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado anualmente analisa três pilares de desenvolvimento dos países: saúde, educação e renda. Levando em conta indicadores como expectativa de vida, tempo de escolaridade e renda, o IDH brasileiro ficou em 0,755 (o índice é avaliado de 0 a 1 ponto), obtendo um leve aumento em relação a 2013 (quando registrou 0,752), mas insuficiente para evitar a queda na lista geral. O Brasil, porém, segue enquadrado entre os países da categoria de "Alto Desenvolvimento Humano", junto com México, Uruguai, Venezuela e Cuba, que estão mais bem colocados.

Neste ano, dos 188 países avaliados, 45 conseguiram aumentar o índice em comparação com o último relatório, no ano passado. Sete deles estão na América Latina. Entre os que caíram, como o Brasil, outros dez são do mesmo continente. Noruega, a primeira colocada, tem índice de 0,944. O pior indicador foi novamente do Níger, na África: 0,348.

Hoje muito se questiona os critérios usados para as bases dos cálculos do IDH, pois no quesito "renda" a ONU divulga uma média da renda da população mundial, o que acaba por camuflar a desigualdade social nos países, visto que fazer uma média salarial não expõe a realidade como ela é, onde poucos ganham muito e muitos ganham pouco no mundo inteiro (o cálculo se dá em base a toda a renda do país dividida pelo número total da população, ou seja, somam-se ricos e pobres tudo junto).

Segundo os dados divulgados agora, a expectativa de vida do brasileiro é de 74,5 anos e a média de anos de estudo é de 7,7 - ambos indicadores aumentaram em relação ao ano passado, quando eram, respectivamente, 74,2 e 7,4. Porém, a renda per capita (renda mensal dos trabalhadores) caiu de US$ 15.288 para US$ 15.175 (algo em torno de um salário avaliado a R$3.921,00 como média se convertido para o Real, o que claramente prova que a desigualdade no país permanece muito grande, visto que dados do IBGE revelam que a renda dos empregados com carteira assinada no país beira os R$2.000,00).

O tema central do relatório neste ano é "O Trabalho como Motor do Desenvolvimento Humano", e divulga dados alarmantes da realidade mundial, onde no mundo inteiro há 168 milhões de crianças em situação de trabalho infantil, 21 milhões de pessoas submetidas ao trabalho escravo e 30 milhões de empregados em setores que oferecem riscos, como os trabalhos em minas. Além disso, 830 milhões são trabalhadores pobres, ou seja, trabalham, mas vivem com menos de US$ 2 por dia. Do levantamento com índices oficiais dos 188 países, concluiu-se que mais de 204 milhões estão desempregados. Os jovens respondem por 36% do total.

Ainda considerando que o índice deixa a desejar na análise da desigualdade social dos países, as discrepâncias na expectativa de vida em base aos cálculos levantados pelo IDH, na educação e na renda da população brasileira fazem com que o IDH do país sofra uma perda de 26,3% quando ajustado à desigualdade. "Um país pode ter um Índice de Desenvolvimento Humano altíssimo, mas se é muito desigual, isso vale menos", explica a coordenadora nacional do relatório, Andréa Bolzon, que prevê a possibilidade de que o relatório do ano que vem já reflita os impactos da crise pela qual o país atravessa atualmente.

Mulheres ganham 24% menos do que homens no trabalho, segundo IDH

Enquanto as mulheres contribuem com 52% do trabalho global e os homens participam com 48%, mulheres ainda continuam a receber menos remuneração salarial que os homens. A população masculina predomina no ofício remunerado, restando às mulheres uma fatia expressiva do trabalho precário e serviços não pagos, principalmente os serviços domésticos, onde as mulheres são 83%.

Já as que possuem remuneração, as mulheres ganham 24% menos que os homens, em nível mundial. Na América Latina, mais da metade das empresas não tem nenhuma mulher em postos de gerência. O relatório aponta a necessidade de políticas que busquem a igualdade salarial, "licenças parentais que se dividam entre as mães e os pais" e transformação de normas sociais que excluem as mulheres do mercado de trabalho.

O Índice de Desigualdade de Gênero brasileiro é de 0,457, pouco maior que a média mundial, de 0,449. Esse índice leva em conta taxas como a de mortalidade materna, que no Brasil é de 69 por 100 mil nascidos vivos (no Uruguai, por exemplo, é 14, um possível efeito da política de legalização do aborto, implementada no fim de 2012), e a contribuição ao mercado de trabalho (as mulheres brasileiras têm 59,4% de participação, enquanto entre os homens esse índice é de 80,8%). Outro número considerado pelo IDH é o de assentos ocupados por mulheres no parlamento: 9,6%. Na Argentina, por exemplo, são 36,8%.

Como já viemos denunciando no Esquerda Diário, a realidade do Brasil que tem em sua presidência Dilma Rousseff mostra que não é por ter uma mulher na presidência do país que a população obteve melhoras qualitativas na qualidade de vida, principalmente das mulheres. Pelo contrário. O aumento da quantidade de empregos no país do PT significou na verdade o aumento do número de empregos precários, dos quais as mulheres são as que ocupam a maioria destes postos de trabalho. O alto índice de mortalidade materna divulgados por este relatório denuncia os números escandalosos de mortes por abortos clandestinos, no país onde uma mulher morre a cada dois dias por conta de aborto clandestino. A dupla-jornada de trabalho das mulheres sequer é citada pela ONU, o que implicaria em assumir que a grande maioria das mulheres são as responsáveis pelos serviços domésticos dentro de seu ambiente familiar, e não ganham absolutamente nada por este serviço.

As mulheres que saíram nas ruas nos últimos meses contra o PL 5069 mostraram para o Brasil e pro mundo que conhecem muito bem o seu lugar na sociedade: na luta pelos seus direitos! A recessão no Brasil abre uma perspectiva cada vez pior do cenário econômico, e o governo tende a buscar tirar cada vez mais do bolso dos trabalhadores para pagar as contas de uma crise construída por eles mesmos. O Estado e os patrões, que lucram milhões nas costas das mulheres e dos trabalhadores, buscam no próximo período "apertar nossos cintos". Resta às mulheres, aos setores mais oprimidos da sociedade e os trabalhadores levantarem uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que seja discutido pela população os rumos do país, contra a casta podre e corrupta de políticos que estão hoje envolvidos até o pescoço com corrupção e uso indevido do dinheiro dos trabalhadores.




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