Economia

CRISE

Bovespa cai -10% e interrompe negócios, Guedes diz ver cenário com "absoluta serenidade"

segunda-feira 9 de março| Edição do dia

Com a crise aberta pela Arábia Saudita que colapsou os preços do petróleo, vendendo o barril pela metade do preço para atacar a concorrência da Rússia, as bolsas de todo o mundo tiveram situações caóticas. No Brasil, a Bovespa interrompeu os negócios às 10:32h desta manhã ao atingir uma queda de 10,02%.

Esta desvalorização ativou o mecanismo chamado "circuit breaker", que em um momento de queda de 10%, interrompe automaticamente as negociações durante 30 minutos. Caso na retomada do funcionamento da bolsa, siga o ritmo de queda alcançando 15%, as operações serão paralisadas novamente pelo período de 1h. A última vez que o mecanismo foi acionado foi em 2017, quando houve a delação de Joesley Batista contra o presidente golpista Michel Temer.

As ações da Petrobras desvalorizaram-se em 24% e a mega rede de supermercados Via Varejo caiu 22%. O dólar chegou perto de R$ 4,80, pela primeira vez no governo Bolsonaro.

Enquanto Bolsonaro está assinando acordos de submissão do Brasil aos Estados Unidos de Trump, Paulo Guedes foi quem finalmente soltou alguma declaração sobre o caos econômico do capitalismo.

Em matéria do Valor Investe, o ministro da economia Paulo Guedes, que é seguidor dos ensinamentos bizarros e anti-científicos da escola de Chicago, afirmou ver o cenário internacional com "absoluta serenidade":

“Absoluta serenidade. A crise lá fora está se aprofundando, o mundo já estava em desaceleração sincronizada. Aí vem o coronavírus, que acelerou a queda. O mundo está realmente em um momento crítico, o coronavírus está sendo só a gota-d’água”, disse.

Sobre o preço do Petroleo, disse ainda: “greve dos caminhoneiros, terrível, inflação vai voltar”. “Aí o preço do petróleo cai e todo mundo vai falar o quê agora?”. A economia para ele é objeto de piada, pois sua missão no governo Bolsonaro não é organizar a economia de um país, mas sim fazer a limpa nos trabalhadores para custear a vida dos ricos.

Segundo ele, ainda, o "Brasil está em plena recuperação". O diagnóstico surreal do ministro tem a ver com o que ele defendeu em seguida: mais reformas para atacar o povo. Com isto, sua ciência econômica na realidade pouco tem a dizer sobre a situação de caos imediato gerado pela especulação com o Petróleo. Por que sua resposta sempre será: atacar os trabalhadores para se continuar tendo lucro em um sistema econômico que não se sustenta, mas que pelo contrário, é parasita dos trabalhadores e do povo pobre.

Em meio a esta crise na economia Bolsonaro está convocando um ato reacionário dia 15. Dia 18 estão agendadas mobilizações contra o autoritarismo de Bolsonaro. É fundamental inspirar-se na imparável força que mostra o movimento de mulheres internacional, com as milhões de mulheres tomando as ruas de Santiago do Chile, Cidade do México, Paris para paralisar escolas, universidades e locais de trabalho e expressar com toda a força nas ruas uma oposição a Bolsonaro e seu autoritarismo mas também a todas reformas, conduzidas não somente pelos ultrarreacionários Bolsonaro e Guedes, mas também por Rodrigo Maia e outros golpistas que se diferenciam do presidente em diversos temas mas nunca no foco em atacar fortemente os trabalhadores e promover maior entrega do país ao imperialismo.

Continue lendo: Preço do petróleo em colapso, bolsas em queda

Com informações do Valor Econômico.




Tópicos relacionados

Paulo Guedes   /    Economia

Comentários

Comentar