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GOVERNO BOLSONARO

Bolsonaro posta video de Olavo de carvalho criticando militares e gera atrito

Logo após uma semana de tentativa de “panos quentes” nas disputas internas do governo, e uma busca por avançar com a previdência na CCJ, Bolsonaro volta a gerar “rusgas” e abrir críticas via twitter. A bola da vez é um vídeo de seu guro ideológico, Olavo de Carvalho, recheado de críticas aos militares.

segunda-feira 22 de abril| Edição do dia

A publicação que foi compartilhada por Carlos Bolsonaro, foi apagada ontem, mas deve gerar algum grau de conflito entre alas do governo.

No vídeo de seis minutos, que foi apagado das contas de Bolsonaro, seu guro, Olavo de Carvalho ironiza as disputas dentro do governo enquanto atira com uma espingarda nos EUA.
“(...) Dentro do governo é isso mesmo que eles tão encontrando. É só intriga, é só sacanagem, é só egoísmo, é só vaidade. É só isso que tem”, disse o guro, ironizando as disputas internas que tomaram conta das notícias nas últimas semanas, e que ditam o tempo e a maneira para a aprovação da Reforma da previdência.

Olavo ainda dispara contra os militares brasileiros, dizendo que estes “destruíram a direita” brasileira, e que “entregaram o país aos comunistas”, se referindo ao próprio Golpe de 64, e o surgimento do PT. Ele ainda ironiza os militares, dizendo que o que fizeram de melhor para o país, desde suas escolas militares, foi Euclídes da Cunha.
O vídeo de Olavo, compartilhado pelo presidente e seu filho Carlos, definitivamente deve gerar “rusgas” com os militares no governo, que já tinham se colocado em atrito com os desejos de Olavo e a decisão de Bolsonaro para o MEC, após a saída de Velez Rodriguez. A nomeação de Weintraub para a pasta foi considerada outra decisão alinhada à Olavo, e desagradou alguns.

As disputas entre Maia e Bolsonaro, que marcaram o enfrentamento de dois distintos métodos para a aprovação dos ajustes – o de Maia, do presidencialismo de coalisão, do “toma lá, dá cá” e o de Bolsonaro e Moro, baseado nos métodos de coersão da Lava Jato – contaram com posições de militares ao lado de Maia. Heleno, da GSI se colocou ao lado de Maia, por exemplo, criticando as posições de Bolsonaro sobre a articulação da Reforma, que segundo o presidente, seriam responsabilidade de Maia. Mourão também na semana dos conflitos se colocou a favor do “diálogo”.

Pois bem, o mesmo Mourão do “diálogo”, hoje declarou à imprensa que “Olavo deve se limitar à função que desempenha bem, a de astrólogo”, ironizando a figura da ala mais “ideológica” do governo Bolsonaro. Para Mourão, Olavo “perdeu o timming”, e por estar morando nos Estados Unidos, não sabe o que se passa no Brasil. “Ele não está apoiando o governo, e não está sendo bom para o governo”, completou o vice de Bolsonaro.

Já no caso que tomou conta das mídias na última semana, da censura promovida pelo STF aos portais lavajatistas Crusoé e O Antagonista, Mourão se posicionou dessa vez ao lado da ala defensora dos métodos da Lava Jato, assim como vários militares, repudiando a ação do STF, e dando corpo à mais um momento de disputa mais franca entre alas do próprio Poder Judiciário. O episódio foi parte também da disputa de quem será o grande líder do avanço do autoritarismo e da arbitrariedade do Judiciário, que tem neste caso de um lado a ala de Sergio Moro, e também Deltan Dallagnol, adeptos dos métodos de coersão da Lava Jato, e que buscam mais independência para seus promotores e para as instâncias estaduais do poder judiciário, e do outro lado, figurões do STF, como os ministros Toffoli e Alexandre de Moraes.

Mesmo com disputas abertas entre as diversas alas do governo, e as disputas entre as frações do autoritarismo judiciário, uma coisa confere unidade a esses setores: o plano de ajustes, com a aprovação da reforma da previdência, e a submissão cada vez maior do brasil aos imperialistas. Se muitas coisas os separam em rusgas, este ‘sentido maior’ os une, para descarregar a crise criada pelos capitalistas nas costas do trabalhador.

Por isso hoje é central nos organizarmos para barrar todos os ataques que venham de todos os lados deste governo, começando com a previdência, até o pacote ‘anti-crime’ de Sergio Moro, e também as privatizações, e ataques à educação e aos direitos democráticos, se enfrentando com a censura proferida pelo STF e pelas forças autoritárias do judiciário. Hoje se enfrentar com a reforma, tem de passar por se enfrentar com a fraudulenta dívida pública, que é o que justifica e baseia este ataque – seguir enviando montantes cada vez maiores para os banqueiros imperialistas. É necessário por de pé uma enorme campanha pelo Não Pagamento da Dívida Pública, atacando os capitalistas e seus lucros, junto a isso, levantando um programa para que o estado e os trabalhadores passem a controlar a exportação e importação de bens e capitais no país. Agregando a isso, para romper com o monopólio dos 12 controladores da dívida pública brasileira - com a conivência e incentivo do estado- é fundamental a estatização do sistema bancário sob controle dos trabalhadores.

Além dessa batalha, é fundamental o enfrentamento com o crescente autoritarismo do Poder Judiciário. Para se enfrentar com as medidas ditatoriais dos enriquecidos “políticos de toga”, escolhidos a dedo pelo Executivo, sem ser eleitos por ninguém, é necessário levantar um programa que ataque os privilégios do judiciário, começando por fazer com que todo o juiz receba o mesmo salário de um trabalhador. Indo para além disso, é necessário fazer com que todos juízes sejam eleitos por voto, e ao mesmo tempo revogáveis, e junto a isso impor que todos os casos de corrupção sejam julgados por júri popular, passando para a população o controle contra os esquemas de corrupção inerentes ao estado capitalista.




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