Economia

Banco Mundial prevê queda de 8% do PIB brasileiro e aumento da pobreza extrema

Em 2020, a economia brasileira pode ter sua maior queda em 120 anos, e maior que a de Argentina, México e a média da América Latina. O número de países em recessão ao mesmo tempo será o maior desde 1870.

segunda-feira 8 de junho| Edição do dia

O Banco Mundial divulgou hoje (08) suas projeções para a economia global. Segundo o relatório Grobal Economic Prospetcs, o produto interno bruto (PIB) mundial deve contrair 5,2% em 2020, uma estimativa semelhante à do Fundo Monetário Internacional(FMI), de 5,3%. A queda prevista pelo BM será maior nas economias avançadas (7%) do que nas “emergentes” (2,5%), mas a queda da renda per capita mundial, de 3,6%, “levará milhões de pessoas à situação de pobreza extrema neste ano”.

No mesmo relatório, lê-se a previsão, se confirmada, “representaria a recessão mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial, com a maior proporção de economias desde 1870 a experimentar declínio do produto per capita”. Mais de 90% das 183 economias mundiais diminuirão de tamanho este ano. Na década que se seguiu à crise de 1929, essa proporção era de 85%. A Zona do Euro será a região mais afetada, com queda de 9,1%, superior à de EUA e Japão (6,1%).


Elaboração: G1

O PIB da América Latina deve encolher 7,2%, mais do que em 2008-9 e mais até que nos anos 1980, no período da crise da dívida externa. Para o Brasil, a redução estimada é de 8%, superior à média da região e a de outros países desta, como Argentina (7,3%) e México (7,5%). Essa seria a maior queda em todo o período de 120 anos para o qual o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) possui dados. Também é uma previsão mais pessimista que a mediana das previsões do capital financeiro que contém o último boletim Focus: -6,48%.

Para 2021, o BM prevê recuperações de 2,2% do PIB brasileiro e 4,2% para o mundo, o que não apenas é muito baixo, considerando-se os efeitos de carregamento estatístico (os números tendem a ser maiores depois de quedas abruptas porque a base de comparação é sempre o período anterior), como também presume que os efeitos da pandemia desaparecerão gradualmente à medida que a atividade econômica se “normalizar”, o que é pouco provável devido ao altíssimo grau de endividamento global, resultado de debilidades do capital que precedem o surto da covid-19.

Mesmo os pacotes trilionários de estímulo não puderam mudar o panorama sombrio da economia mundial: aumento do desemprego, miséria e exploração, mais ataques contra os trabalhadores e a população e mais atraso e dependência, como no caso do Brasil, onde a reprimarização da economia se acelera. Só através de um programa anticapitalista, incluindo o não pagamento da dívida pública, a estatização do sistema bancário e de crédito sob controle dos trabalhadores, a proibição das demissões e a repartição das horas de trabalho, entre outras medidas, é possível impedir tamanha degradação das condições de vida do povo.




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