Política

TEMER

Bancadas do boi e da bala sustentaram Temer na votação da Câmara

O presidente golpista Michel Temer precisava de 172 votos favoráveis para se livrar da denúncia por corrupção passiva, apenas 33% dos votos dos deputados. Após negociações e promessas de manutenção das trocas de favores, Temer conseguiu uma "fidelidade" bem maior que a necessária nas conhecidas bancadas "do boi" e "da bala", 73,1% e 56,4%, respectivamente.

sexta-feira 4 de agosto| Edição do dia

Na Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), 73,1% dos 212 deputados apoiaram Temer no plenário: foram 146 sim e 9 abstenções e ausências, enquanto apenas 57 disseram não ao relatório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que pedia o fim da tramitação do processo criminal.

É comum a FPA ser recebida pelo presidente golpista. No dia 28 de junho, logo após a denúncia de Temer ao STF por Janot, procurador geral da República, e um dia antes dela chegar à Câmara, o presidente abriu seu gabinete para multinacionais do campo e duas frentes parlamentares ruralistas: FPA e Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, que tem cerca de 200 deputados, sendo que muitos estão em ambos os blocos.

Na véspera da votação que barrou a denúncia na Câmara, nessa última terça-feira, Temer também foi a um almoço na sede da FPA, seguir as negociações de sua defesa.

A Frente Parlamentar da Segurança Pública, conhecida como bancada da "bala", é ainda maior do que a ruralista. Dos 273 deputados, 168 votaram com o presidente: 154 sim e 14 abstenções e ausências, cerca de 56% de apoio. 105 pediram o prosseguimento do processo criminal contra.

Dos 513 deputados, no plenário de quarta-feira, 284 manifestaram-se a favor de Temer: 263 sim, 19 ausências e duas abstenções. Eram necessários 172. Os que pediram que a denúncia voltasse ao STF, para que Temer pudesse virar réu e ser afastado do Planalto, foram 227. Era preciso que a oposição somasse no mínimo 342 votos para a denúncia prosseguir.

Mais uma vez ficou evidente o jogo sujo do Congresso Nacional, onde a sustentação do presidente golpista se dá pelas negociatas e compra de apoios, sendo que seus sustentáculos tiveram maior peso nos setores mais conservadores dos deputados. Os mesmos setores que são inimigos da população trabalhadora do campo e defensores ostensivos da criminalização dos movimentos sociais e dos setores mais pobres da população.




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