Política

MANIFESTAÇÃO DA DIREITA 13/3

Atos em 13/03: ’Que se vayan todos’ ou ’que venha Macri’?

Após as manifestações da direita em 13 de março, um vídeo do UOL traz declarações sobre quem os participantes do ato gostariam de ver no poder. Além dos militares, Bolsonaro, e Aécio, o presidente argentino, Mauricio Macri, que está atacando ferozmente os trabalhadores e a população foi citado.

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

segunda-feira 14 de março de 2016| Edição do dia

As manifestações da direita no dia 13 de março estão sendo comemoradas pelos grandes meios, como a Globo, Folha e Estadão, como as “maiores da história”. Algo bastante discutível, como mostramos aqui. Mas para além disso, instaura-se a discussão sobre o que querem os setores que foram às ruas ontem. Em meio ao mar dos lugares comuns propagados pela grande imprensa, que está alçando Sergio Moro à condição de herói nacional, um juiz que tem ligações com o PSDB e monopólios internacionais, como a Shell, alguns artigos e vídeos mostram o que querem os setores “mais conscientes” das manifestações de 13 de março.

A TV UOL publicou um vídeo de entrevistas com os participantes do ato em Brasília indicando quem querem ver no poder em lugar de Dilma. Alguns poucos não souberam informar, outros defenderam a volta da ditadura militar. Mas a maioria entrevistada no vídeo indicou nomes.

Um dos mais citados é Jair Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro, muso inspirador de grupos fascistas de carecas e skinheads, pró-militares no poder, homofóbico e racista confesso, que disse “não saber se recebeu dinheiro” do doleiro Alberto Youssef, envolvido em vários escândalos de corrupção. Outro nome apontado, mesmo tendo sido hostilizado na manifestação em São Paulo, é o de Aécio Neves.Ex-candidato à presidência pelo PSDB, envolvido em mais de uma dezena de denúncias de corrupção, envolvendo desvios de verbas que iriam para a área da Saúde, e construção de aeroportos para beneficiar sua família, dentre outros.

Mas a novidade veio mesmo de um dos participantes, advogado, que declara que “queria mesmo era Mauricio Macri” para presidente. Para os que não sabem, Maurício Macri é o recém-eleito presidente argentino, e representante de uma direita que ascende na superestrutura política de vários países da América do Sul, como explicamos aqui, após a decadência dos governos pós-neoliberais. Empresário, e declarado defensor dos interesses dos empresários mais ricos de seu país, Macri é parte de uma família cujo patrimônio aumentou explosivamente durante a ditadura militar, passando de 7 para 47 empresas em 1983 quando acaba aquele regime.

A política que Macri está impondo na Argentina é de submissão e entrega completa frente aos interesses do imperialismo, e duríssima contra os trabalhadores no plano nacional. Nomeou ministérios composto por representantes das empresas. Em três meses à frente da presidência Maurício Macri, as demissões aumentaram imensamente. Está legislando “por decreto” a favor das grandes empresas, e dos setores capitalistas mais concentrados, com demissão massiva de funcionários públicos, e aplica um tarifaço contra a população, aumentando serviços como a luz em 900%. Está chantageando os trabalhadores de que há que aceitar o acordo com os “fundos abutres”, isto é, os grandes fundos internacionais que embolsarão mais de 20 bilhões de reais com o pagamento pelo governo argentino da dívida de 14 anos atrás. E atacou o direito de mobilizar-se dos trabalhadores, povo e juventude, com o seu decreto “antipiquete”.

Quem reivindica Macri como saída está buscando entregar o país aos monopólios imperialistas, acelerar os ajustes e o ataque aos direitos dos trabalhadores, e impedir que se mobilizem. Uma política ferozmente ajustadora e muito clara, completamente oposta pelo vértice ao clamor que ecoou nas ruas da Argentina, quando em dezembro de 2001, o palácio do governo em Buenos Aires foi cercado pelas massas que reivindicavam “que se vayan todos”.

Naquela ocasião as manifestações nada tinham a ver com a reivindicação da Lava Jato, de Sergio Moro, do Ministério Público, e tantas outras instâncias do Estado capitalista, e de figuras como até mesmo de Macri, que se expressaram no dia 13 de março. Por isso, os atos que ocorreram ontem em nosso país estão mais para “que venha Macri”, e definitivamente Sergio Moro, e não “que se vayan todos”, como chegou a defender de maneira absurda setores da própria esquerda, como Luciana Genro.

Mas o exemplo da Argentina para refletir a complexa situação nacional não fornece apenas sugestões de saídas nefastas, como é a referência à Macri. Há exemplos que devem ser profundamente apropriados pelos trabalhadores e jovens do Brasil. Trata-se da Frente de Esquerda, integrada pelo PTS, que está na linha de frente da resistência à entrega dos recursos do país aos fundos abutres, e cujos parlamentares, como o deputado Nicolás del Caño, estão lutando no parlamento para acabar com o privilégio dos políticos da burguesia, defendendo que todos ganhem como uma professora. Estão colocando seus mandatos a serviço da luta de classes, organizando junto aos trabalhadores e sindicatos a mobilização contra o ataque ao direito de protestar.

É olhando para esse exemplo que a juventude e os trabalhadores de nosso país devem colocar suas forças, e não em figuras como Sergio Moro, ou instituições como o Ministério Público ou operações interessadas como a Lava Jato. Muito menos em cair na defesa do governo Dilma, que está atacando com os ajustes. Só assim será possível criarmos um movimento nacional contra os ajustes e a impunidade, que avance para impor pela força da mobilização uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que resolva a crise política e econômica de acordo com os interesses dos trabalhadores, do povo e da juventude.

Veja aqui o vídeo do UOL.




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