Política

DECLARAÇÃO DO MRT

Às ruas por Marielle, por uma investigação independente e por fora intervenção federal

terça-feira 20 de março| Edição do dia

Foto: Mídia Ninja

Marielle, presente!

É o grito que ecoou nas ruas e nas redes em todo o país e internacionalmente. Os golpistas Temer, Pezão, Crivella, e todos seus agentes como a Globo e o judiciário autoritário, criaram um país onde pudessem descarregar a crise nas costas dos trabalhadores, com diversos ataques, e onde direitistas como Bolsonaro e os reacionários que assassinaram a Marielle pensavam que poderiam levar até o limite o reacionarismo sem uma forte resposta. Mas não!

Do lado dos lutadores a tristeza foi se transformando em luta e revolta. Ocupamos as ruas massivamente em todo o país. As redes sociais expressaram um auge de ideias de esquerda com a defesa da Marielle. Queriam calar quem denuncia os golpistas e seus crimes, mas o resultado foi o oposto. Bolsonaro ficou calado. Agora, são os poderosos que estão com medo do que vai ocorrer no país com tamanha comoção social que o assassinato de Marielle gerou. Voltaram a falar de junho de 2013, com medo da explosão social.

Com medo, a Globo tenta, como fez em junho, se ligar à comoção social por Marielle para tentar canalizar em chave reacionária, fortalecendo a intervenção federal, numa aliança reacionária com Temer. Outro setor, ainda mais reacionário, lança todo tipo de mentiras sobre Marielle para tentar dividir o consenso social que repudia o assassinato, mas a resposta nas redes está obrigando-os a recuarem. Todo esse grito é também por Anderson.

Não podemos sair das ruas! A CUT, a CTB e as organizações do movimento estudantil devem colocar seu peso a serviço da mobilização! Avancemos na organização por local de trabalho e estudo.

Precisamos ser dezenas e dezenas de milhares nas ruas para fazer a terra tremer por justiça por Marielle, sem cessar até avançar nos nossos objetivos. Além de ocupar as ruas, precisamos nos organizar nos locais de estudo e de trabalho, para fortalecer nossa mobilização e organização pela base, com assembleias e comitês que discutam democraticamente um plano de luta e coordenem os setores mobilizados, estendendo essa organização também pelos bairros.

Não podemos aceitar que os sindicatos fiquem passivos em uma situação grave como essa. A Força Sindical chamou uma mobilização de metalúrgicos na Zona Leste de São Paulo que marcharam pelas ruas. É só uma demonstração da disposição de luta na base dos trabalhadores, mesmo na base de uma central sindical das mais mafiosas. Mas os sindicatos dirigidos pelo PT e PCdoB, seguem sem convocar nada. É urgente que a CUT e a CTB coloquem seu peso a serviço da mobilização, organizando assembleias nos locais de trabalho que votem um plano de luta, unificando todos que saíram nas ruas nessa ultima semana para derrotar as medidas golpistas, como os professores de São Paulo.

Nos organizemos nos locais de trabalho para exigir que os sindicatos convoquem imediatamente assembleias para votar esse plano de luta para impor justiça por Marielle e nossas demandas. Os sindicatos da esquerda, como os ligados à Conlutas e as Intersindicais, precisam ser a linha de frente dessas iniciativas, assim como o PSOL que tem muito peso no Rio. O MTST poderia também organizar grandes ações de rua, fortalecidos pela vitória de conquista de moradias no ABC paulista e com a projeção da figura de Boulos. Ações como essas, combinadas com uma forte exigência, poderiam obrigar a que as direções do movimento de massas saiam da passividade.

O movimento estudantil também pode entrar com força. Houve professores e setores das burocracias acadêmicas que pararam as aulas na última quinta feira por Marielle. Isso é um passo importante, que precisa ocorrer todo dia de mobilização. Mas precisamos organizar os estudantes, professores e funcionários para que em cada universidade e escola se debata como seguir a luta, organizar atos, paralisações, onde for possível, ocupações que possam servir como forma de massificar a luta. É preciso construir nossos organismos independentes da burocracia acadêmica. Todas as organizações do movimento estudantil que se colocam em defesa de Marielle precisam colocar sua força a serviço dessa luta.

A verdade e justiça por Marielle só poderá vir de uma investigação independente e impondo o fim da intervenção federal e o das UPP com a força da mobilização

Na nossa luta por justiça, não podemos confiar na polícia e suas investigações, pois sabemos os mil laços que tem com o crime organizado e seus interesses políticos. Nós sabemos que o Estado é responsável pelo assassinato de Marielle.

Somente uma investigação independente pode garantir uma apuração da verdade e encontrar os culpados, não somente os executores, mas os mandantes desse crime político. É necessário conformar uma Comissão de Investigação Independente com parlamentares do PSOL, representantes de organismos de direitos humanos, de sindicatos, de movimentos de favela que sabem bem como opera a polícia e o crime organizado, intelectuais especialistas da crise social no Rio e outros setores com legitimidade popular para investigar. Lutaríamos nas ruas para que essa comissão tenha acesso a todos os arquivos da investigação e recursos para trabalhar. Uma comissão como essa, apoiada na força das ruas, poderia se instituir como um organismo que tivesse legitimidade para apurar os freqüentes assassinatos do Estado, que recentemente tirou a vida de mais 3 pessoas, sendo uma delas uma criança de um ano, no Alemão.

O PSOL tem força no Rio para lutar por uma investigação independente e não depositar a justiça por Marielle e Anderson nas mãos da polícia. Esse trágico acontecimento com Marielle deveria levar a uma ruptura com a política de gerar ilusões na humanização da polícia, como o PSOL levanta.

Nossa mobilização pode e deve impor o fim da intervenção federal no Rio e das UPP com a força das ruas. Basta de militarização no Rio, que só traz mais mortes, que faz escorrer o sangue negro e não representa nenhum combate ao reacionário crime organizado.

Temer e Pezão são canalhas que resolveram aplicar uma intervenção federal para desviar as atenções da sua derrota na reforma da previdência e fingir que dão uma resposta para o problema da violência social que aflige a população carioca. O STF pode pautar nos próximos dias a intervenção federal, mas só a força das ruas pode impor o fim da militarização, e não estes golpistas de toga, que são os mesmos que querem prender Lula, mais uma medida reacionária que querem levar adiante.

Nessa luta pelo fim da militarização não podemos ter ilusão no PT, que abriu espaço para a naturalização da militarização com as UPP, que Lula chegou a dizer que “O governo fez da favela do Rio um lugar de paz. Antes, o povo tinha medo da polícia, que só subia para bater. Agora a polícia bate em quem tem que bater, protege o cidadão, leva cultura, educação e decência”. Isso que em seu governo fizeram, por exemplo, a megaoperação no Complexo do Alemão em 2007 que deixou 19 mortos e Dilma em 2014 também deslocou tropas do exército para o Rio. O senador Jorge Viana do PT teve o descaramento de dizer, depois do assassinato de Marielle, que “não podemos estar nos dividindo se a intervenção é boa ou não na área de segurança no Rio de Janeiro. Eu queria uma intervenção no Brasil inteiro”.

Qualquer política séria de combate ao crime organizado tem que passar pela legalização das drogas. A polícia e o Estado têm mil vínculos com o crime organizado que não vão ser resolvidos com a política proibicionista e da mal chamada “guerra às drogas”, que só gera mais mortes. Além da necessária liberdade individual para decidir sobre o uso das drogas, a população deve ter acesso à informação sobre suas conseqüências e um acompanhamento do Estado para dependentes e com uma ampla rede de controle e atendimento da rede pública de saúde.

Para enfrentar a crise do Rio, há que fazer com que os empresários e políticos corruptos paguem por ela

Não podemos aceitar que o Rio siga nessa profunda crise social, econômica e política e que os empresários e políticos corruptos sigam descarregando a crise nas nossas costas, acabando com os empregos formais, atrasando salários, atacando com a reforma trabalhista, privatizando a CEDAE, precarizando a UERJ e a educação e outros ataques. Eles estão levando o estado do RJ à miséria e decomposição social que já gera fenômenos aberrantes como o assassinato da Marielle.

Só atacando o lucro dos capitalistas e não aceitando os desmandos dessa casta de políticos parasitas corruptos vamos tirar o Rio desse caminho que os golpistas estão levando, com a liderança do PMDB do Rio que era base central de sustentação dos governos Dilma e Lula.

Só a força da classe trabalhadora pode dar uma saída para essa crise. Os garis demonstraram na histórica greve de 2014, o poder da unidade do Rio de Janeiro profundo, do Rio negro, das favelas e dos trabalhadores precarizados, com as centenas de milhares de estudantes, funcionários públicos e setores progressistas do Rio. O Rio só vive a atual crise social porque a burguesia até agora conseguiu barrar essa unidade e impedir que surja um sujeito social independente, deixando a população carioca refém do Estado, de um lado, e do crime organizado reacionário, de outro. Com organização pela base, superando as burocracias, como fizeram os garis, podemos vencer e fazer com que sejam os empresários e políticos corruptos que paguem pela crise.

Com uma aliança como essa, podemos ir aos problemas de fundo que levam o Rio à barbáries como o que aconteceu com Marielle. Podemos barrar os ataques em curso, reverter os que os golpistas nos fizeram e avançar em nossas demandas, com a expropriação de conhecidos ladrões e exploradores como Jacob Barata, que enriqueceram às nossas custas e colocar as empresas de transporte e as demais envolvidas em corrupção sob controle dos trabalhadores e usuários, ligado a organismos da sociedade. Acabar com as isenções bilionárias aos capitalistas e impor impostos progressivos aos capitalistas e outras demandas que sejam capazes de tirar o Rio da crise.

Para isso, precisamos avançar na nossa organização política, construindo uma alternativa dos trabalhadores, socialista e revolucionária que supere o PT pela esquerda, pois foi o PT que abriu espaço para o golpe com sua política de conciliação com a direita, com seus ajustes e reproduzindo os métodos corruptos dos partidos da direita tradicional. Como explicamos nessa declaração, há questões fundamentais para o desenvolvimento de uma mobilização do movimento de massas num patamar superior que o PSOL poderia fazer a diferença com o peso de seus parlamentares, com os sindicatos e entidades que dirige, que poderiam ser uma grande base de apoio para exigir que o PT e o PCdoB façam o mesmo, mas infelizmente isso não vem se dando, o que é necessário reverter.

O MRT, que constrói, junto a independentes, o Esquerda Diário e a Casa Marx, seguirá colocando todas as suas energias para desenvolver uma mobilização independente do movimento de massas, que para nós é a única forma de verdadeiramente fazer justiça por Marielle. Faça parte dessas batalhas conosco.




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