Juventude

CORONAVÍRUS E LUTA DE CLASSES

Argentina: É a única opção - cinco razões pelas quais trabalhadores precarizados fazem manifestações hoje

Respeitando o distanciamento social, a Red de Precarizadas/os, informais e desempregadas/os, realizarão uma jornada a nível nacional para lutar pelas suas reinvindicações. O encontro começou 10hs da manhã em frente ao Obelisco e as 11hs se mobilizou a Assembléia Nacional de Trabalhadores por Entrega. Aqui damos cinco razões porque nós estudantes, docentes e trabalhadores, temos que aderir ao chamado destes jovens que vão lutar por suas exigências nas ruas.

sexta-feira 29 de maio| Edição do dia

1) Não lhes resta opção. Seguir trabalhando desta maneira esta custando suas vidas.

A precarização do trabalho mata. Franco Almada, Miguel Ángel Machuca, Emma Joncka. Não esquecemos estes nomes! São jovens como você, como nós. Lhes atropelaram durante a quarentena enquanto trabalhavam para Pedidos ya, Rappi, Glovo. Se trata de grandes empresas estrangeiras que chegaram para ficar em nosso país, e já atrasam décadas de direitos trabalhistas que a classe trabalhadora e os setores populares conquistaram a partir de sua luta.
Se aproveitaram de migrantes que não conseguem outro trabalho para manter suas familias, da juventude que não tem outra experiência laboral porque ainda estão saindo do colégio, e das demissões durante a quarentena, e que encontram nestes aplicativos a única forma de sobreviver. Macri deixou que estas empresas se instalassem. Agora Alberto não lhes põe nenhum limite. Por isso vamos freiar estes empresários nas ruas.

2) O DNU ( Decreto de Necessidade e Urgência) não se cumpre, seguem nos despedindo da mesma maneira. E la IFE ( Auxílio Emergencial do governo argentino), aonde foi parar?

Desde que foi decretado a quarentena já houvem 3.700.000 trabalhadores prejudicados entre redução de salário, suspensões e demissões em todo o país, segundo o Observatório contra as demissões do La izquierda Diário. E parece que estes números não vão deixar de crescer. Já são 70% da juventude que se encontra precarizada, e ainda vêem suas condições de trabalho piorando com a pandemia. Disseram que a Argentina dos vivos estava terminada, porém os miseráveis sabem que aqueles ainda atuam sem piedade. E o governo, ao invés de punir-los, entrega ajuda a Techint, a Blaquier, Clarín e a Sociedade Rural para pagar os salários, enquanto tantos trabalhadoras/es, e também os desempregados e os estrangeiros vêem lhes ser negados a IFE e assim não tem como dar de comer a suas familias. Os empresários sempre ganharam. Mas agora é a vez das e dos trabalhadores.

3) As mortes nos bairros são evitáveis. Temos que agir agora!

Eles mataram Ramona, Victor e Agústin. Estes disseram que não possuíam serviços essenciais para enfrentar a pandemia. E não lhes escutaram. Continua sem haver água, luz, gás para uma calefação que permita sobreviver ao frio do inverno. Chegaram sanitariamente tarde, porém repressivamente cedo. Agora Sergio Berni, na Provincia de Kicillof, militariza as villas Itatí e Azul. Não deixam que ninguém se mova desses bairros, mas não lhes vemos atuando da mesma maneira em tantos outros lugares aonde há focos registrados. Não vamos permitir mais nenhuma morte. Isto é um crime social.

4) Aonde estão, que não lhe vemos?

Os sindicatos estão do lado dos empresários, não com os trabalhadores. Não nos representam. Pactuaram com as suspensões e as reduções salariais, como bem vimos a união da CGT ( Central Geral dos Trabalhadores) com a União Industrial Argentina. Viram as costas para a crua realidade que se vive nos bairros, não exigem sequer a ampliação do IFE. E os centros de estudantes? Não organizam os jovens precarizados que estudam na universidade? Nas 13 Faculdades da UBA peronistas e kirchneristas tornam invisíveis o protesto de todas as companheiras e companheiros. Ajudam a mostrar que aqui tudo segue com "normalidade" quando a deserção, nessa crise, é enorme. E se ao invés de fomentar a "unidade nacional" entre Alberto Fernandez e Larreta abrissem espaços de participação estudantil para nos organizarmos junto aos trabalhadores, aos vizinhos das villas, e as mulheres que siguem protestando? E se a UBA ao invés de se pronunciar pelo pagamento da dívida, reclamasse o desconhecimento soberano por conta de sua ilegalidade, e colocasse como prioridade a urbanização das villas, a instalação de água e gás para os bairros mais vulneráveis?

5) As ações do governo a favor dos empresários, encorajam a direita.

Os proprietários de Nordelta, no dia 25 de Maio, se mobilizaram exigindo o fim da quarentena. O governo não arcou com os salários que eles não querem pagar. O Congresso não pautou o imposto a suas grandes fortunas, mas eles tampouco se sentiram conformados. As ações do governo a favor dos empresários os faz sentir mais fortes. Agora querem mais, que seus empregados voltem para as fábricas, mesmo que isso implique contágios em massa. Em momentos de crise sanitária e social como o atual é necessário mais que nunca fortalecer uma organização própria da maioria dos trabalhadores sem representação, para que as exigências da grande maioria sejam escutadas. Nestas últimas semanas começou a ser estruturado em diversas províncias argentinas "La Red", uma expressão da vida e do trabalho das precarizadas e precarizados que eram silenciados pelos dirigentes dos sindicatos e dos centros de estudantes. Muitas são do call center, outras do comércio, de comidas rápidas, trabalhadoras domésticas e cuidadoras, trabalhadoras da limpeza, alguns também recentemente desocupados. Esta rede chegou para ficar e organizar todos os trabalhadores e aqueles que estão sem trabalho. Nesta sexta feira, 29 de Maio, também saíram as ruas a juventude que abriu os olhos e enxergou até aonde o vírus do capitalismo pode chegar se não o destruimos. Saímos as ruas porque é a única alternativa que existe para nós que lutamos por uma saída dos trabalhadores diante da crise, que trouxe mais fome e miséria, mais precarização e morte para a juventude.

Vamos sair as ruas. Se nos querem precarizados, nos encontrarão rebeldes!

Publicado originalmente no La Izquierda Diario Argentina




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