Gênero e sexualidade

Candidato Bolsonarista para cargo de Ministro da Saúde é um inimigo declarado das mulheres

Bolsonaro anunciou que quer um ministro da saúde alinhado e que “aguente o tranco”, mas não tem pressa nenhuma para definir o nome, já que não está nem aí pras mais de 17mil vidas perdidas oficialmente até agora em nosso país.

quarta-feira 20 de maio| Edição do dia

Não é preciso muito gabarito para compor a equipe bolsonarista em meio à pandemia, é preciso estar alinhado ao governo, defender o uso indiscriminado da cloroquina, se colocar contra qualquer tipo de argumento científico e de preferência acreditar na terra plana.

Esses requisitos não são preenchidos facilmente, mas existe candidato. Ítalo Marsili, formado em medicina pela UFRJ exerce a psiquiatria, apesar de não ter registro de qualificação de especialista. É um seguidor assíduo de Olavo de Carvalho e se orgulha de ter até morado com “guru” bolsonarista por dois anos.

Marsili tem um perfil bem característico dos seguidores de Bolsonaro, é metido a playboy espertalhão e machista de marca maior. O “psiquiatra” faz sucesso com um “programa de desenvolvimento pessoal” chamado Guerrilha Way, que segundo ele serve para “combater o vitimismo” e na verdade é um programa de discussões misóginas, com dicas dadas por um especialista que não tem especialidade em coisa nenhuma.

Para irmos a exemplos concretos, nos últimos dias gravou uma entrevista para o canal “Brasil Paralelo”, apresentado por dois seguidores do Bolsonarismo, que defendem o fim do isolamento e a volta ao trabalho para a economia funcionar. Nessa entrevista, Marsili afirmou que “Quando Platão falava sobre democracia... Mulheres que estão aqui com a gente. Ofendam-se, porque é isso que vocês são. Na única democracia no mundo que funcionou, que foi a democracia grega, não estava previsto o voto feminino, ok? O fato observável é que quando o voto passa a ser pleno, ou seja, as mulheres e todo mundo podem votar, a gente vê que tem uma crise na regência do Estado. Porque é óbvio, é muito fácil você convencer uma mulher de votar. É só você seduzi-la".

Marsili não conhece muito de história, então é bom lembrar que as grandes revoluções que mudaram o destino de milhões de pessoas, foram protagonizadas por mulheres, que estiveram na linha de frente contra seus opressores. A revolução Russa é apenas um exemplo entre muitos, de quando as mulheres organizaram as enormes greves para dar um basta na precariedade da vida e se armaram, arrancando direitos elementares, como o direito ao aborto.

Mas as atrocidades de Ítalo Marsili não param por aí, o suposto psiquiatra se orgulha de dizer que “curou” um pedófilo receitando a ele que transasse com prostitutas com “cara de criança”. Um escândalo realmente que só pode ser reivindicado pelos seguidores acéfalos de Bolsonaro, como Sara Winter, que esteve recentemente com Marsili e deu declarações de apoio à proposta de que ele assuma o ministério.

“Meu sonho ver o Dr. Italo Marsili como Ministro da Saúde. Só ele pra ter culhões de exonerar aquela cambada de feminista que o Mandetta manteve lá desde a era PT.” Sara Winter que “se curou” do feminismo tem se juntado à meia dúzia de gatos pingados que se reúnem aos domingos no Palácio da Alvorada para exigir que tenhamos um novo AI-5, obviamente não tem nenhuma preocupação com a saúde dos brasileiros, que seguem sujeitos a perder suas vidas com a epidemia.

São muitas as baboseiras proferidas por Ítalo Marsili e elas são aclamadas pelos ignorantes de extrema direita que ocupam o Palácio do Planalto, como Damares Alves que é abertamente contra os direitos das mulheres, por Regina Duarte, que não tem vergonha na cara de defender a ditadura e também por Eduardo Bolsonaro que já é bem conhecido por suas falas racistas e homofóbicas, além é claro pelo suposto envolvimento de sua família no assassinato de Marielle Franco.

Não podemos listar aqui todas falas de Marsili, mas uma em especial ainda precisa ser colocada, para Marsili “saúde, educação e segurança, não é dever do governo. Não sei se a pessoa já pensou, mas pode não ser dever do governo.” Sempre é bom lembrar que sim, saúde e educação são obrigações do estado, mas nesse momento de pandemia está mais claro do que nunca que o estado, grande balcão de negócios capitalistas, não nos garante o básico.

Frente a isso, também temos um recado para Ítalo Marsili, as mulheres batalharam muito para poder votar, mas nossa luta é muito maior que essa. Nesse momento repudiamos esse governo misógino e todos aqueles que defendem posições como a de Marsili e exigimos a centralização de todo o sistema de saúde, para que todos sejam atendidos. Lutamos pela reconversão da indústria para que a produção seja voltada para o que necessitamos no combate à pandemia e não confiamos em nenhum político da ordem, por isso estamos em luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que nenhum reacionário como Marsili possa arbitrar sobre nossa saúde.

Nossa força, que hoje se mostra em cada trabalhadora da saúde que arrisca sua vida, será colocada em movimento e batalharemos simplesmente por tudo, pelo direito ao pão e as rosas.




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