Sociedade

PROIBICIONISMO

Antes de criticar canabidiol, ministro recebeu laboratório de medicamento concorrente

Esse reacionarismo, em brutal descaso com as necessidades médicas, une os objetivos de aumentar a repressão aos pobres com favorecer uma empresa farmacêutica com a qual ele tem se reunido.

quinta-feira 25 de julho| Edição do dia

Imagem: Mateus Bruxel/Agência RBS

Não é novidade que ministros de Bolsonaro destilem ignorância e desprezo pela ciência, a exemplo dos já bem conhecidos pelo público Damares Alves, chefe do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do Brasil. Dessa vez, junta-se ao time de “estrelas de asneiras”, o Ministro Osmar Terra da Cidadania e sinaliza que quer abolir o uso de canabidiol inclusive em medicamentos, o que o torna num inimigo da liberação do uso medicinal da cannabis. A Folha de São Paulo noticiou nesta quinta, dia 25 de julho, reunião do ministro Osmar Terra com empresa do Paraná que fabricaria um concorrente sintético do canabidiol.

O ministro é conhecido por ser representante de um projeto de lei que visa endurecimento de leis punitivistas em relação ao consumo de drogas e que propõe a internação compulsória de “dependentes químicos”. Meses atrás o ministrou negou estudos da Fundação Fiocruz alegando que “não tem validade científica” e que “tem um viés ideológico de liberação das drogas”.

O canabidiol é uma substância comprovadamente eficaz no tratamento de diversas doenças crônicas como artroses, epilepsia, entre outras. Essa substância é obtida através do processamento de maconha. Osmar Terra quer que a farmacêutica concorrente produza um medicamento muito mais caro e que não se sabe de sua eficácia.

Dessa vez, o ministro que já afirmou que “se abrir as portas para o plantio, vai abrir as portas para o consumo generalizado. A proibição mantém de alguma maneira controlado esse processo.”, avança em seu plano proibicionista que almeja proibir o canabidiol inclusive em na indústria farmacêutica, como sinaliza ao reunir-se com representantes de laboratório paranaense que deseja fabricar um ativo artificial para competir com o canabidiol.

Na reunião, o laboratório alegou que a utilização por crianças de medicamentos produzidos a partir do composto gera intoxicação e na terça o ministrou ameaçou “fechar a Anvisa” caso ela aprove a fabricação do canabidiol. Ou seja, as declarações e movimentações do ministro mostram a que interesses respondem o governo do Bolsonaro; aos interesses dos grandes capitalistas que querem lucrar com a produção de medicamentos, não dando a mínima para as necessidades dos trabalhadores e do povo pobre que precisa que os medicamentos sejam de boa qualidade e gratuitos, e às necessidades do estado capitalista que precisa manter vivo o discurso de “guerra às drogas” para de alguma forma torpe justificar as mazelas e assassinatos aos quais milhares de jovens negros são submetidos nas favelas do pais, como Marielle, Anderson e Evaldo.

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