Política

CRISE POLÍTICA

Acostumada a reprimir a esquerda, PF quis postergar operação do STF contra bolsonaristas

Em maio, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, solicitou a operação de busca e apreensão na casa de parlamentares bolsonaristas, alvos do inquérito dos atos da extrema direita. A Polícia Federal se manifestou contra a operação pedindo para ela ser postergada ou cancelada, alegando que causaria risco à "estabilidade das instituições".

sexta-feira 19 de junho| Edição do dia

No mês de abril, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a abertura do inquérito sobre os atos de apoiadores de Bolsonaro pedindo o fechamento do Congresso e do STF e pedindo a intervenção militar. O inquérito foi aberto para investigar se os atos estavam sendo impulsionados por empresários e parlamentares bolsonarista. O ministro da Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, havia solicitado um mandado de busca e apreensão na casa de deputados bolsonarista para investigação. Esse mandado foi contestado pela Polícia Federal que solicitou a Moraes para “postergar” ou cancelar a operação contra os bolsonaristas, argumentando que a realização dessa medida proposta na “etapa inicial” da investigação traria “risco desnecessário” à estabilidade das instituições.

Assinada pela delegada Denisse Dias Ribeiro, a manifestação para adiar ou recolher mandados dessa natureza é considerado incomum e foi um fator que provocou atraso para ser deflagrada a operação. Essa manifestação da PF foi algo de bastante estranheza já que esses tipos de mandados expedidos pelo Judiciário são questionados. Isso ocorreu no marco de uma crise aberta com a saída de Sérgio Moro do governo Bolsonaro fazendo inúmeras acusações ao governo. O motivo que Moro afirmou para ter deixado o governo, foi a insistência de Bolsonaro para trocar a superintendência da Polícia Federal.

No documento, a delegada pediu a Moraes "pela postergação do cumprimento ou pelo recolhimento das ordens já emanadas" e defendeu a necessidade de realização de diligências preliminares para avaliar a necessidade das medidas solicitadas pela PGR. A manifestação da delegada é do dia 4 de junho. "Pela postergação do cumprimento ou pelo recolhimento das ordens já emanadas, a fim de que o direcionamento dos recursos da Polícia Federal seja inicialmente empregado na obtenção de dados de interesse e no preenchimento das diversas lacunas das hipóteses criminais aqui apresentadas", escreveu.

Na conclusão do ofício, a delegada faz três solicitações: prazo de dez dias para diligências preliminares que permitam à PF definir hipóteses para a investigação; prévia autorização para conduzir diligências que não precisem de decisão judicial como tomada de depoimentos; e a “postergação” e recolhimento” dos mandados expedidos. Moraes seguiu com a decisão de realizar a operação que havia sido solicitada no dia 27 de maio, mas a contestação da PF, essa operação só foi realizada nesta última terça feira (16).

No marco do acirramento das disputas políticas entre Bolsonaro e o STF, o posicionamento político que a Polícia Federal teve foi um tanto suspeitos, justamente logo após que Ronaldo Alexandre de Souza assumiu como novo diretor-geral da PF conforme indicação de Bolsonaro. Mesmo que Moraes tenha garantido através de despacho a independência para equipe investigar sem subordinação ao novo diretor, foi de se estranhar, e também uma posição política nos marcos que a crise política entre os poderes vem se agudizando.

Os mecanismos dessas disputas políticas são um desfile de medidas autoritárias entre os bonapartistas, institucional e militar. o que emerge deste embate é uma escalada do poder autoritário do setores que não foram votados para decidir os rumos econômicos e políticos do país e da população. É mais e mais autoritarismo, tome ele as cores da Lava Jato ou de Bolsonaro e militares. Dia a dia exige-se mais independência da classe.

Bolsonaro passa a ser ameaçado pelos golpistas que tanto o ajudaram a emergir como presidente e fecundaram o bolsonarismo, caçando o sufrágio universal em dois momentos: com o impeachment em 2016 e depois a manipulação das eleições em 2018, com importante intervenções do STF, Moro, da PGR e da grande mídia. Não é possível confiar nos golpistas do STF ou em Bolsonaro e militares, ambos agentes do imperialismo, que agora brigam para ver quem terá o poder de aplicar ainda mais ataques à classe trabalhadora.

Chamamos a todos os setores das massas que querem derrubar Bolsonaro a avançar para gritarmos Fora Bolsonaro e Mourão, alinhando todos os setores da esquerda que concordam que Mourão não pode ser nenhuma alternativa, ao contrário, é uma abertura para um governo diretamente de militares, o que poderia ter consequências gravíssimas. O impeachment pode agora ser assumido até mesmo por Moro, a Globo e amplos setores do regime golpista, mas para abrir espaço para Mourão e pressionar os militares a se deslocarem do seu apoio à Bolsonaro e rifarem e assumirem o comando. Nossa batalha seguirá sendo: Fora Bolsonaro, Mourão e militares!

Nenhuma confiança nos governadores e no STF!
O povo deve decidir: por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana!




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