Mundo Operário

CAMPEÃO NACIONAL DE EXPLORAÇÃO

34 mil processos trabalhistas mostram que JBS enriquece matando funcionários de trabalhar

Dados dos acidentes de trabalho e processos trabalhistas contra a JBS mostram como se faz a fortuna dos capitalistas: com muito sangue dos trabalhadores que deixam suas vidas nas linhas de produção.

segunda-feira 5 de junho| Edição do dia

Em 2015 eram 31,1 mil processos trabalhistas abertos contra a JBS; em 2016 o número passou para 34 mil. Esses dados são apenas a ponta do iceberg, mostrando aqueles trabalhadores que chegaram a entrar na justiça para tentar mostrar o que essa empresa faz dentro das suas fábricas. Sabemos que a justiça para um trabalhador é cara, tarda e falha, e que são poucos os que chegam ao ponto de conseguir sequer abrir um processo contra uma multimilionária empresa.

Outros números também expressam a verdadeira carnificina que a sede de lucros dos irmãos Wesley e Joesley fazia com os que produziam seus lucros: o aumento dos processos trabalhistas de 2015 para 2016 veio acompanhado de um aumento de 11% nos acidentes de trabalho, que a empresa tenta disfarçar afirmando que foi proporcional ao número de funcionários que aumentaram. Mas a afirmação não se sustenta (e mesmo que se sustentasse, representaria a cínica naturalização dos acidentes nas fábricas, deixando claro que para os patrões nossas vidas não valem nada): o aumento de trabalhadores na JBS no mesmo período foi de apenas 1%.

Foram 2.680 acidentes registrados nesse período recente, com 791 afastamentos por acidentes graves e 6 mortes de trabalhadores. Esses números escandalosos não são uma exceção da bilionária JBS: estão de acordo com a média da indústria da carne. Os milhares de acidentados, centenas de feridos e as mortes são uma regra que o capitalismo sustenta para que patrões como Joesley possam ter apartamentos de R$ 30 milhões em Nova Iorque, além de muitos outros luxos.

As histórias são escandalosas sobre o que ocorre com trabalhadores nessas fábricas. Um pouco dessa absurda exploração com direito a doenças e acidentes de todo tipo pode ser visto no documentário Carne Osso. As condições de trabalho já são insalubres por si só: ambientes resfriados e muitos movimentos repetitivos. As horas extras ilegais já significaram condenações da JBS na justiça do trabalho. Na unidade de Alta Floresta, no Mato Grosso, a empresa foi condenada por vazamento de amônia, responsável pela internação em um hospital de 17 funcionários.

E não é apenas no Brasil: como parte das "campeãs nacionais" que por política dos governos de Lula e Dilma receberam bilhões de investimento público pelo BNDES, a JBS expandiu seus negócios ao exterior, e lá também castiga os trabalhadores com sua sede inesgotável de lucro. Acidentes com afastamento na JBS EUA subiram de 158 para 286 entre 2015 e 2016. Na americana Pilgrim’s, que faz parte do grupo, passou de 90 para 146. É nesse país que a JBS quer instalar sua matriz, tornando-se uma empresa americana.

Se os trabalhadores se organizam para lutar contra essa exploração absurda, a JBS contra-ataca: foi por isso que demitiu a trabalhadora Andreia Pires, em 2015, que como membro da CIPA (comissão interna de prevenção de acidentes) estava combatendo as condições precárias de trabalho. Mesmo tendo estabilidade garantida pela lei, foi demitida ilegalmente e a justiça do trabalho ainda não tomou nenhuma previdência em dois anos.

O que essa situação na JBS ilustra é a regra no capitalismo: nossas vidas não valem nada para esses empresários, que nos descartam como peças de máquina estragadas quando nos acidentamos para encher seus bolsos. E o Estado é conivente, pois afinal eles compram todos os políticos e por essa via mandam no país.

A única perspectiva que nós, trabalhadores, podemos ter para acabar com isso é nos organizando de forma independente, com comitês nas fábricas e em cada local de trabalho, e lutando contra as reformas de Temer que estão a serviço de aumentar ainda mais essa exploração. Derrubar esse governo golpista que tem seus mil negócios espúrios com esses empresários, e dizer que não aceitaremos só mais uma eleição em que outra marionete dos capitalistas seja colocada na cadeira presidencial para continuar nos atacando. Para isso, temos que eleger nossos representantes para uma Assembleia Constituinte em que decidamos todas as leis, começando por revogar essas reformas e expropriar todas as empresas como a JBS, que lucrou bilhões com nosso sangue, e colocar elas sob controle dos trabalhadores.




Tópicos relacionados

JBS   /    Direitos Trabalhistas   /    Acidentes de Trabalho   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar