Política

ELEIÇÕES 2016

11 motivos para não votar no empresário da direita João Doria

João Dória, candidato a eleição municipal de São Paulo pelo PSDB, gosta de repetir em todos os debates que é um empresário e sua marca é a privatização. Uma tentativa de renovação para responder à direita a crise de representatividade, apresentando um perfil de “eficiência” e sério para o PSDB, que apesar de ser um partido abertamente pró-elite, sempre lançava políticos tradicionais. As idéias de Dória são “homogêneas”: para tudo, a resposta é “colocar nas mãos da iniciativa privada”. É preciso quase dar corda no cérebro deste amigo de Fernando Collor, ativo apoiador de sua campanha em 1989 e entusiasta financeiro da falida prévia do movimento coxinha o “Cansei”, pra se ouvir uma toada diferente.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

quinta-feira 15 de setembro| Edição do dia

A autora é candidata a vereadora em São Paulo pelo PSOL, com número 50200, acessesua página do Facebook CLICANDO AQUI

Desenvolvemos nesse texto porque não votar nessa “renovação à direita”, milionária, sonegadora de impostos e louca pela retomada das privatizações, que o PSDB esta propondo para São Paulo.

1. O empresário da sonegação
O candidato que vangloria a meritocracia, é envolvido em um grande esquema de corrupção internacional com sonegação de impostos, chamado “Panamá Papers", através de uma empresa offshore, um tipo de empresa formada em paraísos fiscais, como Panamá, feita para sonegar impostos.

Assim Dória comprou um apartamento em Miami de US$ 231 mil, sem que a propriedade aparecesse em seu nome. Embora tenha declarado um patrimônio de R$ 179 milhões, o candidato do PSDB omitiu o apartamento de Miami e sua casa, em São Paulo, também foi declarada por um quarto do valor real, que é de R$ 45,9 milhões. O tucano acumulou sua riqueza, através de corrupção e sonegação de impostos, esse é o grande orgulho do “esforço individual” do candidato empresário.

2. Palácio particular
Na semana em que ocorre um grande incêndio em uma favela em Osasco, é interessante saber que o candidato do PSDB goza para si mesmo de uma casa de 3.304 metros quadrados construídos e 7.883 metros quadrados de terreno, com piscina e quadra de tênis, a área de lazer com campo de futebol gramado e iluminado. Estimada em R$51 milhões (valor de IPTU e não do mercado) em bairro nobre Jardim Europa, bairro este onde nunca ocorre incêndios. O valor real, sem sonegação de impostos deve ser várias vezes maior que o valor que ele declara no IPTU.

Logo no início da campanha denunciamos sua mansão nesse vídeo:

3. Aos sem teto promete repressão
Enquanto esbanja seus luxos, Dória promete à população sem teto e carente que “não terá nenhuma tolerância”: garantiu que movimentos de moradia que “invadem propriedade”, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), não terão tratamento de diálogo em sua gestão. Para o empresário moradia não é problema, mas para mais de 2 milhões de moradores de favelas segundo dados de 2010, os 15.905 moradores de rua em 2015 o tucano reserva-lhes a continuidade de uma vida precária, e com muita repressão a possíveis manifestações (como havia dito o ex-secretário de segurança pública, agora ministro da Justiça tucano, Alexandre de Moraes).

Essa é a igualdade de direitos que o PSBD: todo culto e defesa da grande propriedade particular, as custas da precariedade de vida de milhões de pessoas.

4. Quer que as pessoas trabalhem de graça
Mas não esqueçamos sua “genial” proposta para as periferias: “retomar os mutirões pelas periferias, juntando moradores para pintar paredes de escolas, capinar pracinhas. “O nome do programa vai ser Mutirões Mário Covas” – talvez uma homenagem ao tucano envolvido no esquema de fraude de licitações no metrô de SP. Sem resolver os principais problemas da população, Dória como bom empresário, propõe explorar o trabalho da população sem pagá-los para manter os prédios públicos, trabalho que deveria ser feito por funcionários pagos e com carteira assinada e todos os direitos.

5. Empresário, como de hábito, corrupto
Apesar do PSDB ter escolhido uma figura com pouca trajetória política, Doria já tem casos de corrupção no prontuário: foi acusado de receber um cheque de R$ 20 mil em dezembro de 2013 de uma empresa investigada pela Operação Lava Jato. O nome do tucano aparece uma vez em um extrato bancário da Link Projetos e Participações Ltda., sob suspeita do Ministério Público Federal de ser usada pela empreiteira Engevix para pagar propina ao almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear preso em 2015 pela Força-Tarefa.

6. “Sou um empresário” rico e explorador
João Dória é o candidato mais rico de toda a eleição. Na lista de bens estão cinco casas, nove empresas, dois Porsches, duas Pajeros, além de obras de arte e investimentos no Brasil e nos Estados Unidos, isso no que ele declara, imagina se contar o que está escondido na offshore da Panama Papers. Acionista de uma produtora de televisão, da empresa de comunicação Dória Associados e da Dória Associados Editora, que publica sete revistas de economia, negócios e estilo de vida. Entre suas empresas estão também um shopping center e um centro de convenções na cidade de Campos do Jordão, no interior paulista. Um verdadeiro magnata a la Donald Trump, que sem dúvida representará os ricos e milionários.

Dória ainda preside o LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), que congrega mais de 700 das maiores empresas do Brasil e representam 44% do PIB privado do país. É acionista e presidente do conselho da Casa Cor, maior evento de arquitetura e decoração das Américas e o segundo maior do mundo. Ou seja, é evidente como Dória é o candidato da patronal, sustenta sua fortuna à custa de exploração dos trabalhadores. O candidato não quis se posicionar sobre a questão da reforma trabalhista e da previdência, “Não fujo às perguntas, mas estou aqui como candidato a prefeito. Vou responder os temas que estão vinculados à cidade”, para não se desgastar com os ataques do governo golpista, sendo membro do partido eminentemente golpista como o PSDB, base de Temer e maior entusiasta do fim dos direitos trabalhistas. Seu silêncio é a cara hipócrita daqueles que consentem e se beneficiam.

7.São Paulo globalizada tem que ter promoção, tem que ter “Black Friday”
Apesar de não querer se pronunciar sobre a politica nacional e o golpe institucional, suas propostas práticas mostram o acordo completo. Dória quer privatizar desde o sistema funerário, aos corredores de ônibus, parques e “o que mais estiver à frente”. Estão na sua lista também o complexo poliesportivo do Pacaembu, o parque de convenções do Anhembi e ainda a venda do autódromo de Interlagos. Prometeu até mesmo implantar um pedágio urbano na capital. Ligado a Alckmin, seguirá o projeto de venda de 25 áreas de pesquisa biológica em São Paulo, criticado pelo Programa Vale do Ribeira do Instituto Sócio Ambiental. Assim, a política deste edificante chefe de leilão é entregar a cidade a empresários como ele, que buscam lucrar em cima da exploração do trabalho. A privatização traz consigo a terceirização, os baixos salários e a retirada de direito dos trabalhadores.

8. Estado mínimo para a população, e muito para empresários
O candidato defende o Estado mínimo “a Prefeitura vai vender tudo aquilo que não for essencial para a gestão pública”. Para o mesmo a privatização é uma mostra de que o “Estado não pode e não deve estar onde ele não é necessário. Quem deve administrar estes locais é o setor privado”. Dória indica que vai ser o candidato “sério” para garantir os lucros das empresas. O “estado mínimo” encontra seu limite na repressão, que será “generosamente distribuída a todos” (que protestarem).

A idéia de estado mínimo está colocada na entrega de todos os bens ao setor privado e fortalecimento das forças repressivas, que vão ser utilizadas contra a juventude pobre, negra, moradores de rua, mas também contra as greves e lutas operarias e de juventude, que justamente colocam em questão os lucros para os quais o Dória pretende governar. Falando nisso...

9. Repressão em dobro
Doria propõe integrar as polícias Militar e Civil à GCM (Guarda Civil Metropolitana). Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, a Cetel e o Copom já estão operacionalmente integrados desde 2010. Ou seja, a proposta de Dória vai além da já repressiva GCM. Lembremo-nos desta na gestão Haddad (PT) retirando os cobertores e reprimindo os moradores de rua em pleno inverno. O tucano deixa implícito nessa “integração” a possibilidade da policia civil cumprir o mesmo papel da militar, uma das corporações mais assassinas do mundo.

Em entrevista a CBN o empresário classificou o comportamento da Polícia Militar nos protestos contra o impeachment de Dilma Rousseff como “adequado”, afirmando que o “trabalho da polícia é difícil e é preciso compreender que uma situação onde haja blackblocs a polícia tem que reagir”. Ele afirmou que “pretende usar como modelo o governo Geraldo Alckmin e não o entende como autoritário”. Ou seja, seguirá a mesma política de Alckmin, cuja polícia militar foi responsável por uma em cada quatro pessoas assassinadas na cidade de São Paulo em 2015, a maior taxa já registrada.

10. Mais dinheiro para... os empresários da saúde e do transporte
Assim como tudo para o tucano se responde com PRIVATIZAR, naquilo que já é privado, sempre pode se lucrar mais. A resposta às altas tarifas de ônibus, e para evitar desgastes com a juventude e os trabalhadores que sofrem com o transporte caro e lotado, Dória propõe aumentar o subsídio do estado às empresas do transporte, para “não elevar as tarifas”. Atualmente, a prefeitura paga quase R$ 2,5 bilhões às empresas. Nos últimos sete anos, os repasses subiram em ritmo cinco vezes maior do que a inflação. O objetivo: encher os bolsos das máfias do transporte, contra as quais batalhou a juventude em Junho de 2013.

Para saúde, que já esta semi-privatizada com a expansão das OSs, a proposta é fazer uma parceria com as empresas de saúde privada, para que a população use os hospitais a noite e na madrugada (sic). Assim, Dória encontra a chave para os empresários da saúde terem lucros também no período noturno, quando o fluxo é menor, e a população que encontre um jeito de ir aos hospitais pela madrugada, independente da falta de transporte e de segurança. Sem contar o óbvio, que sua proposta não dialoga com a precariedade do serviço público, com a população que espera meses para exames e cirurgias, mas no programa de Dória não existe uma linha que se proponha a investir nos serviços públicos. Claro, ele como Marta e outros candidatos não usam os serviços públicos, o que importa para eles?

11. “Adoro que me chamem de coxinha. Não tenho problema nenhum”
Assim disse o empresário recentemente, em seu luxuoso escritório no Jardim Europa, bairro nobre de São Paulo. Ele também é apoiador do Juiz Sergio Moro, que goza de salário milionário, foi treinado nos EUA e é parte fundamental do golpe, “No dia 24 de setembro, levou para um almoço-debate do Lide, o grupo empresarial que preside, o juiz Sergio Moro. Foi o recorde de público do evento: 586 empresários”. Sua trajetória política, ainda que breve já mostra para que veio, foi apoiador de Fernando Collor (então no PRN) e fundador do movimento anti-Lula Cansei, em 2007, que criticava o PT, já na época pressionando para uma linha mais neoliberal que o PT já estava tendo. Assim, o tucano, além de apoiador do golpe institucional orquestrado pela direita mais reacionária, homofóbica e machista, que vangloria ditadores, não se importa de ser identificado como “coxinha” expressão usada para classificar pessoas que compactuam com essas idéias.


Diana Assunção é candidata a vereadora do MRT pelo PSOL em São Paulo, número 50.200




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