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Jueves 24 de Junio de 2021
06:06 hs.

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POLÍTICA NACIONAL
O regime político do golpe e todos os seus atores são responsáveis pelas 300 mil mortes
Pedro Costa

O absurdo negacionismo de Bolsonaro, filho indesejado do golpe institucional, e de seus ministros e aliados mais duros, provocou a morte de muitos milhares, porém, não só o bolsonarismo é responsável pelo número de 300 mil mortes, todo o regime do golpe institucional é.

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Foto: Marcos Brandão/Senado Federal

Desde o começo da pandemia algo que salta aos olhos, não só nacional mas também internacionalmente, é a condução abjeta da pandemia promovida por Bolsonaro. Que se referiu à Covid-19 como apenas uma “gripezinha”, fazendo demonstrações grotescas de negacionismo diversas vezes, como quando zombou diretamente da morte de milhares, com o inesquecível “e daí?".

Para além de toda essa retórica de extrema direita, Bolsonaro não garantiu nenhuma medida que pudesse evitar um número maior de mortes, algumas elementares, tais quais testes massivos e EPIs. Também foi contrário em um primeiro momento a qualquer tipo de quarentena, querendo que os trabalhadores se contaminassem e fossem sacrificados em nome de uma suposta “imunização de rebanho” que ocorreria.

A questão é que Bolsonaro não governa sozinho e nem dita todas as cartas no regime político, todos os atores são responsáveis. Por mais que com uma retórica diferente, que muitas vezes buscava se contrapor ao presidente, nenhum ator tomou qualquer medida que freiasse o avanço das mortes, não garantindo testes massivos, EPIs, aumento do número de leitos de UTI, assim como a contratação emergencial de todos os profissionais da saúde aptos a trabalharem e a garantia da possibilidade de quarentena para todos os trabalhadores não essenciais.

Muito pelo contrário, no ano passado, para que fossem aprovadas medidas como a MP 936, ou MP da morte, e a MP 944, que com o discurso demagógico de garantir empregos possibilitou a redução da jornada e suspensão do contrato de trabalho, com redução salarial, sem estabelecer nenhuma regra cuja implementação depende de acordo coletivo, governadores, STF, judiciário, congresso, senado (e até centrais sindicais como a CTB) estavam todos juntos, garantindo os interesses dos patrões.

Já neste ano, com a continuidade da pandemia e o fim do pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, todas as cabeças destes mesmos atores se voltaram para pensar como implementar um novo auxílio, que é em si uma forma de conter a extrema pobreza e tentar se prevenir contra futuras explosões na luta de classes. Alguns quiseram cortar da saúde e educação, desatrelando o piso de gasto mínimo exigido pela União, estados e municípios, mas a medida que garantiu a renovação do auxílio, com um valor pífio que varia de R$ 150 a R$ 375, no caso de mães solo, foi congelar o salário de servidores públicos até 2036.

Desde a aprovação de vacinas e início de vacinação no final do ano passado em diversos países, os governadores, principalmente Doria, aumentaram os decibéis da demagogia em relação a vacina, ao mesmo tempo que no caso do governador de SP queria impor uma reabertura das escolas e forças diversas categorias não essenciais a continuarem trabalhando. A questão é que nem Bolsonaro, que durante um período foi abertamente antivacina, mas recentemente com a alta de mortes e queda de sua popularidade foi obrigado a se relocalizar, nem Doria, nem qualquer ator do regime se preocupou em fazer um plano científico de vacinação massiva.

Existe consenso também quanto à agenda reformas que a serem implementadas. Todos querem passar uma reforma administrativa e administrativa, e seguir até o fim com a privatização da Eletrobrás, assim como da Petrobrás e diversas outras estatais. Por mais que existam divergências específicas entre Bolsonaro, seus ministros, congresso, senado, governadores e STF, quando se trata de aprovar ataques que descarreguem a crise nas costas dos trabalhadores, precarizando suas condições de vida e trabalho, todos estão unidos.

Contra esse regime, unido para atacar a nossa classe, é necessário que os trabalhadores confiem apenas em suas próprias forças, batalhando por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, e pela implementação de medidas de combate a pandemia, tais como um plano de vacinação e testagem massivas, organizado pelos trabalhadores da saúde, um auxílio de um salário mínimo, confisco dos grandes hotéis e reconversão industrial sob controle dos trabalhadores para garantir o aumento de leitos de UTI e respiradores.

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