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XXV Congresso da APEOESP conta com a presença de Lula

quinta-feira 24 de novembro| Edição do dia

Esse é um congresso marcado por uma conjuntura política efervescente, tanto pelo golpe institucional orquestrado pela direita em 2016, quanto pela onda de ocupações contra o governo golpista e seus ajustes como a PEC 55 e a Reforma do Ensino Médio. Mas não menos importante pela paralisia do PT frente ao golpe, que foi um elemento fundamental para a vitória dos reacionários em seus planos de retirada de direitos dos trabalhadores e da juventude, nos fazendo pagar pela crise econômica que assola o país.

A CUT dirigida pelo PT, e que também está a frente da direção da Apeoesp, se fez cargo de transformar esse congresso em mais um ato midiático cujo objetivo é iludir setores sinceros que estão contra o golpe institucional, por fora de construir um congresso que servisse como meio de resistência para organizar a categoria para enfrentar os ataques, utiliza-se do aparato para impulsionar seu partido visando as eleições de 2018, não obstante o ato político de abertura do congresso teve a presença do ex-presidente Lula.

Por fora completamente das lutas em curso, das inúmeras ocupações de universidades, escolas e institutos federais ocupados em todo o país, a mesma burocracia que por anos enterrou os sindicatos e os movimentos sociais, trouxeram Lula que demagogicamente disse que os governos do PT foram os mais respeitados internacionalmente em toda a história do país, e completou dizendo que foi em seu governo que a educação foi a mais valorizada, pelo fato de ter se reunido anualmente com os reitores de todas as universidades.

O que ele não diz, mas que lembramos claramente, é que quem se beneficiou das políticas educacionais implementadas pelo PT, foram os grandes empresários da educação pela via do ProUni, em que se injetava dinheiro público nas instituições de ensino privadas. Lula se também se valeu do SISU, e do FIES e seu discurso que durou mais de 50 minutos, entretanto isso não significou uma ampliação de fato da educação pública gratuita e de qualidade voltada aos filhos dos trabalhadores.

Em relação ao ensino regular público, o que vemos em todo o país é o aumento da precarização, ao contrário do que afirmou Lula e Bebel, apenas no ano passado professores em todo país protagonizaram importantes lutas contra o desmonte da educação pública, com greves, paralisações e atos de rua. No estado de São Paulo particularmente os professores estão com um déficit de 75% em seus salários, na prefeitura de São Paulo, até então dirigida pelo PT, há uma enorme crise tanto do ponto de vista das condições de trabalho, como benefícios e até mesmo o salário base, que também os levou a greve, ou seja, ao contrário do que afirma o alto escalão da burocracia petista, a educação também foi muito atacada nos anos e governos petistas.

O PT que não lutou contra o golpe institucional, e durante todos os seus anos de governo esteve lado a lado com os empresários, os latifundiários, os banqueiros, e toda cúpula da elite brasileira no congresso, para atacar os trabalhadores e a juventude. Hoje oferece ao governo golpista uma verdadeira trégua, pois seu objetivo é apenas eleger, talvez, se assim quiser a burguesia, Lula em 2018.

Nesse marco o XXV Congresso da Apeoesp, que na boca da Bebel e de toda burocracia é o congresso da unidade, e da construção da greve geral, na verdade tem não tem servido para unificar com os setores em luta na defesa da educação, nem mesmo serve para unificar a categoria em uma luta séria contra os ataques, apenas segue como um freio das mobilizações e das lutas que poderiam se organizar.

Seguimos reivindicando que as centrais sindicais rompam imediatamente sua trégua ao governo golpista, e organizem nas bases assembleias que de fato impulsionem a construção da greve geral contra os ajustes e austeridade. Sabemos que só podemos confiar em nossas próprias forças, nos métodos próprios da classe trabalhadora. Fazemos um chamado ao conjunto das oposições que estão presentes neste congresso, mas que estendemos a outras categorias, a organizarmos um grande encontro das oposições que discuta um programa que nos organize para construção de uma luta anti-burocrática, pela base, se aliando com os estudantes das universidades e escolas, para derrotar a paralisia das burocracias sindicais e os ataques da direita reacionária e de seus governos.




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