Mundo Operário

SAÚDE

Witzel e OS deixam funcionários de Hospital sem receber e trabalhadores protestam em Saquarema

quarta-feira 22 de julho| Edição do dia

Trabalhadores do Hospital Estadual Lagos acumularam 2 meses de salário atrasado. A Secretaria da Saúde de Witzel e a Organização Social Cruz Vermelha empurram um para o outro a responsabilidade pelo não pagamento. Ambos são responsáveis pela realidade cruel vivenciada por profissionais da saúde em plena pandemia.
Neste sábado (11), os trabalhadores do Hospital Estadual dos Lados – Nossa Senhora de Nazareth, que fica em Saquarema e atende toda região, protestaram exigindo o pagamento imediato dos seus salários. Trabalhadores relatam que nem mesmo o dinheiro da passagem para ir trabalhar eles estão recebendo. Os trabalhadores da saúde estão tirando do próprio bolso para trabalhar sem receber, para atender a população em plena pandemia da COVID-19.

A Unidade é referência em maternidade para gestantes, mas já teve o atendimento comprometido. Apenas gestantes de alto risco estão sendo atendidas. Há relatos de médicos pedindo demissão, falta de insumos, antibióticos e sedativos. O Hospital, além disso, também atende casos da COVID-19 em sua CTI. Nove municípios da Baixada Litorânea – região dos Lados – são atendidos por este Hospital que está sendo abandonado pela gestão de Witzel e pela criminosa política das Organizações Sociais, que só visam o lucro na gestão dos hospitais. Outra unidade que enfrenta os mesmos problemas, na região, é a UPA pediátrica de São Pedro da Aldeia, administrada pela OS Lagos Rio.

A manifestação mais que correta dos trabalhadores da Saúde merecem todo o apoio. Esta categoria é a única que está fazendo alguma coisa para combater a pandemia, ao lado da classe trabalhadora. E estes tem ainda que se enfrentar com a corrupção do governo Estadual, que repassou bilhões através do Secretário da Saúde preso de Witzel, bilhões que não foram utilizados para construir hospitais de campanha, e aquilo que foi construído, o governo Estadual já rapidamente começou a desmontar durante a reabertura.

A OS Cruz Vermelha responsabilizou o Estado por não normalizar o repasse, enquanto que o estado afirmou que a OS não forneceu dados necessários para seguir o repasse. Ou seja, tanto estado quando a OS são responsáveis por esta situação calamitosa com que os funcionários do HE Lagos se enfrentam.

Pagamento já dos salários atrasados, é impossível combater a pandemia sem receber. É preciso restituir os aparelhos dos Hospitais, os insumos e toda a estrutura necessária para trabalhar salvando vidas com o mínimo de risco para os trabalhadores da saúde. Witzel e as OS são responsáveis pelos milhares de trabalhadores sem salário no SUS, e pelos milhares que estão morrendo por falta de uma política de combate à COVID-19, que foi substituída por uma política de enriquecimento ilícito através dos contratos com as OS.

Esta estrutura que coloca trabalhadores reféns das OS ou dos repasses do Estado é herança desde Sérgio Cabral, que avançou com as Organizações Sociais colocando a Saúde do Rio nas mãos de empresas privadas controladas por grupos que vivem de sugar o orçamento da Saúde e pagar salários miseráveis para seus funcionários. Os trabalhadores da Saúde merecem ser todos contratados, sem necessidade de concurso pois já demonstraram em plena pandemia que estão aptos para exercer a função. Todos deveriam ser trabalhadores diretos da administração pública, e o repassa para a saúde deveria ser integralmente feito para pagar seus salários e comprar insumos, garantir EPIs, garantir a estrutura para que o povo pobre e os trabalhadores parem de morrer pela pandemia, garantir pelos direitos aos trabalhadores da saúde que se arriscam para oferecer um atendimento gratuito à população.

Leia mais: Entre a pandemia, o desemprego e os ataques: lutar para que os capitalistas paguem pela crise




Tópicos relacionados

Crise na Saúde   /    Greve na saúde do Rio   /    Wilson Witzel   /    Saúde   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar