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BANDEJÃO USP

Vitória no bandejão da USP: não haverá corte de salários

Reitoria decretou corte de salário de dois dias por terem feito greve, trabalhadores responderam com atrasos diários no almoço e jantar de uma hora cada até a Reitoria pagar o salário. Impuseram, com seu método de luta, união e ajuda dos estudantes, o recuo da Reitoria, não haverá corte de salários.

quinta-feira 12 de novembro de 2015| Edição do dia

Os trabalhadores dos restaurantes universitários da USP trabalham no limite de suas forças. Servem diariamente mais de 10 mil refeições , repetindo o mesmo movimento milhares de vezes. Com o desmonte da USP, protagonizado pela Reitoria, que quer fechar postos de trabalho, avançar na terceirização, precarizando ainda mais as condições de vida e de trabalho, e atacando também a permanência estudantil, a situação nos bandejões chegou perto do limite.

Doentes, exaustos, os trabalhadores viram na luta a única forma de serem ouvidos. Dia 18 de setembro, protagonizaram uma paralisação para forçar a Reitoria e a SAS (Superintendência de Assistência Social) a contratar mais funcionários para que nenhum trabalhador mais adoecesse trabalhando. Fechados à negociação Reitoria e SAS descontaram o dia paralisado, deixando os trabalhadores e suas famílias com os salários prejudicados, num claro ataque ao direito de organização e greve dos trabalhadores.

Mesmo sendo reprimidos, os trabalhadores provaram à Reitoria que não iam se dar por vencidos. No dia 15 de outubro, quando os trabalhadores da USP decidiram por nova paralisação geral, para denunciar o desmonte da universidade, os funcionários do bandejão engrossaram as fileiras da luta. Novamente tiveram, os únicos em toda a USP, seu dia descontado. Porém, como na luta não se tem arrego, os trabalhadores do bandejão central decidiram atrasar o serviço do almoço e jantar até que fossem revertidos os cortes de salário.

Em solidariedade, estudantes da Juventude Às Ruas tomaram a linha de frente do apoio aos trabalhadores e chamaram todos os estudantes a realizar o chamado “pula-catraca” que ocorreu nos dias 09 e 11 de novembro onde serviram a comida, colocando suas forças a serviço dos trabalhadores. Essa aliança incendiária fortaleceu ainda mais os trabalhadores que decidiram se manter na luta, atrasando as refeições até a reversão do corte de salário.

Ontem à tarde, depois de negociação, finalmente venceram! Aos gritos de “novembro negro” e “não tem arrego”, os trabalhadores e trabalhadoras do bandejão da USP comemoraram a vitória de sua luta. Marcello Pablito, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP e trabalhador do bandejão da Física declarou que “Esta foi uma vitória arrancada com muito suor. O recado que queremos dar é claro: não vai ter corte de salários aqui, temos direito de lutar. Isso tudo só foi possível pela força dos trabalhadores, que se mantiveram firmes, unidos e com confiança em suas próprias forças. Agradecemos imensamente aos estudantes da Juventude Às Ruas que estiveram a cada minuto do nosso lado, foram decisivos pra esta vitória. Continuamos com muito mais força na luta contra as péssimas condições de trabalho e por mais contratações de funcionários”.

Jéssica Antunes, estudante da Letras também falou com o Esquerda Diário sobre o resultado da luta do bandejão. “Eu fiquei emocionada com essa luta. Estive todos os dias lá apoiando eles, porque é esse o movimento estudantil que queremos construir, aliado com os trabalhadores e nas lutas. Nós do MRT e da Juventude às Ruas nos orgulhamos de ter colocado toda a nossa força nesta luta, junto ao Sindicato dos Trabalhadores da USP, e seguiremos nesta batalha contra o desmonte da universidade e de toda a educação pública. Ainda vamos fortalecer essa luta, sem contratação a vida dos trabalhadores e a permanência estudantil seguem em risco.Viva a luta dos trabalhadores do bandejão da USP, viva a aliança operário e estudantil!”, declarou Jéssica.




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