Gênero e sexualidade

TRANSFEMINICIDIO

Vítima de transfeminicidio sob pauladas, Larissa morre aos 21 anos

Neste última sábado (4), Larissa Rodrigues, de 21 anos, foi morta a pauladas na Alameda dos Tacaúnas, no bairro da Saúde, na zona sul de São Paulo. O assassinato que ocorreu por motivo de ódio a comunidade trans - que bate recordes no Brasil do governo Bolsonaro.

terça-feira 7 de maio| Edição do dia

Neste última sábado (4), Larissa Rodrigues, de 21 anos, foi morta a pauladas na Alameda dos Tacaúnas, no bairro da Saúde, na zona sul de São Paulo. O assassino ainda não foi encontrado pela polícia e as causas da agressão ainda estão sendo apuradas. É mais um caso de transfeminicidio - o assassinato que ocorreu por motivo de ódio a comunidade trans - que bate recordes no Brasil do governo Bolsonaro.

Segundo informações do Portal G1, uma testemunha estava com a transexual no momento do crime e disse que o homem quase atropelou a dupla antes de retornar com um pedaço de madeira para golpear a vítima por várias vezes. A vítima estava na Alameda dos Tacaúnas, rua residencial da Saúde. Por volta das 22h10, um homem que dirigia um Volkswagen Voyage tentou a atropelar as duas, segundo boletim de ocorrência informado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Policiais militares foram acionados para atender a ocorrência de agressão e encontraram Larissa caída. Ela foi socorrida por uma ambulância ao Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro Saboya, também na zona sul, mas não resistiu aos ferimentos.

Fúria travesti: basta de assassinatos e violência!

Larissa não é a primeira vítima do transfeminicidio de 2019, e dificilmente será a última num país governado por um inimigo da comunidade LGBT, que em cada oportunidade que encontra, destila todo seu ódio a diversidade sexual. Todavia, a extrema direita representada por Bolsonaro chegou a presidência com o Brasil já sendo liderança mundial dos casos de assassinatos de pessoas transgêneras e com uma profunda marca de violência contra pessoas não-heterossexuais.

Se por um lado, esta é a cara mais sombria da sociedade capitalista, que busca normatizar nossas identidades e nossa sexualidade à serviço de um controle desumano através da reprodução dos valores burgueses baseados na exploração do trabalho, a limitação das identidades baseada nas genitálias e no suposto "sexo biológico" são formas de remover do corpo sua função de prazer e identificação e transformá-lo em instrumento de produção alienado. Como diria Nestor Petherlonger: "Para aprisionar o ser humano ao trabalho alienado é necessário mutilá-lo reduzindo sua sexualidade aos genitais".

Em toda América Latina, a perspectiva de vida de uma pessoa trans é de apenas 35 anos. Sendo que a média dos assassinatos atinge pessoas de 26 anos. É um dado alarmante para qualquer pessoa que reivindique os direitos humanos. Todavia, é uma situação da qual os capitalistas querem ainda mais agravar, como forma de garantir com que a poderosa força que vem surgindo da resistência e da insubordinação aos valores patriarcais não se transforme numa organização pontente que confie na classe trabalhadora a capacidade de erguer um programa que possa unificar os trabalhadores heterossexuais e cisgêneros com a comunidade LGBT, assim como os brancos e negros, e as mulheres e os homens, num sentido da luta pela emancipação da humanidade da exploração capitalista e da opressão, que utiliza-se da diferença para submeter um grupo social à outro, no marco de manter os oprimidos e exploradores divididos.

Nós do grupo de mulheres Pão e Rosas que lutamos por um feminismo socialista, nos solidarizamos com os familiares e amigos de Letícia e nos sensibilizamos com mais esta vítima desta sociedade patriarcal, capitalista e transfóbica. Nos organizamos para poder colocar um fim neste sistema de opressão e exploração, e poder dar as futuras gerações uma perspectiva de emancipação, de liberdade efetiva da livre construção da identidade de gênero e para exercer a sexualidade. Para isso, acreditamos que é preciso lutar pela construção de um partido revolucionário internacional da revolução social, capaz de lutar pela criação das condições para realizar estas necessidades imperiosas. A luta contra a transfôbia, para nós, é parte da luta de classes, em garantir contra os interesses da burguesia, uma vida que verdadeiramente valha ser vivida. Onde a diferença não seja utilizada para subjulgar. Enquanto seguimos nesta luta, retomamos as palavras de Marsha P. Jhoson, liderança da batalha de StoneWall que 28 de Junho comemorará 50 anos: "Nenhum orgulho para nós, sem a libertação de todas nós".




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