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Vazou áudio de primeira-dama do Chile: “é como uma invasão estrangeira, alienígena”

O vazamento do áudio da primeira-dama, Cecilia Morel, tocou no ponto central da crise social e política que veio à tona com a revolta popular no Chile.

terça-feira 22 de outubro| Edição do dia

Um áudio começou a circular entre os grupos da imprensa durante a tarde de domingo, enquanto as manifestações contra as medidas arbitrárias de Piñera se estendiam por todo o país. Com um conteúdo inesperado que gerou dúvidas sobre sua veracidade, o áudio que vazou da primeira-dama, Cecilia Morel para uma amiga não identificada tocou no centro do conteúdo da revolta social vivida no Chile. Transcrevemos o áudio abaixo:

“Adiantaram o toque de recolher porque se supôs que a estratégia era derrubar toda a cadeia de abastecimento, de alimentos, inclusive a água em algumas zonas, as farmácias, tentaram queimar um hospital e tentaram tomar o aeroporto, ou seja, fomos totalmente ultrapassados, é como uma invasão estrangeira, alienígena, não sei como se diz, e não temos as ferramentas para combatê-las”, detalhou Cecilia Morel.

“Por favor, mantenhamos a calma, chamemos as pessoas de boa vontade, aproveitem para racio... racionar a comida, e vamos ter que diminuir nossos privilégios e compartilhar com os outros”, sentenciou.

A porta-voz do governo, Cecilia Pèrez, confirmou a veracidade do áudio em uma coletiva de imprensa e disse que este foi enviado em um grupo de amigas da primeira-dama.

O desprezo dos ricos do Chile contra os trabalhadores e o povo

As declarações de Morel refletem o desprezo absoluto da casta de empresários e políticos milionários contra os setores populares e os trabalhadores. A defesa absoluta de parte desta casta, da herança do pinochetismo, tem como objetivo resguardar seus interesses e fortunas, enquanto milhões de pessoas se afundam na miséria e cresce o trabalho precário.

Os argumentos dos ministros de Piñera para aumentar o preço do metro, o que fez explodir as mobilizações populares, mostraram o mesmo desprezo. Como o aumento era na hora de pico, o governo chegou a dizer aos milhões de trabalhadores que se estes levantassem mais cedo para trabalhar, iriam se beneficiar com uma tarifa mais baixa.

O ministro da Economia, Juan Andrés Fontaine, disse em uma reportagem “O ‘madrugar’ será estimulado, através de uma tarifa mais baixa”. Quando a jornalista lhe perguntou sobre as pessoas que vivem longe do trabalho e hoje já levantam cedo, se para aproveitar “este benefício” deveriam levantar mais cedo ainda, o ministro respondeu “lamentavelmente é necessário este esforço”.

É em resposta a estas brutalidades que as manifestações nas ruas vão mais além da ruptura com a herança do pinochetismo e dizem: “Não são 30 pesos, são 30 anos”. Esta demanda deixa em evidência a herança que deixou a ditadura nos serviços públicos e nos direitos trabalhistas. Já não é só a tarifa do transporte público, é o custo de vida, o bem-estar e direitos sociais como o salário mínimo, redução da jornada de trabalho, saúde, aposentadoria, educação, entre outros.

Na segunda-feira, milhares de portuários demonstraram com uma paralisação que afetou 90% dos portos do Chile, a forma na qual se pode derrotar o estado de emergência e o próprio Piñera.

Nesta terça, diferentes organismos de trabalhadores como a CUT, No+AFP, e Colégio de Professores convocou uma greve geral contra o estado de emergência e o toque de recolher à partir de quarta-feira, por 48 h e com mobilização nas distintas cidades. É uma oportunidade para que a classe trabalhadora apareça em cena com os métodos de greve, a paralisação da economia, e tomando em suas mãos a demanda de todo o povo chileno.




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