Cultura

CULTURA AMEAÇADA

Vaza vídeo de secretário de Cultura dizendo que vai manter Lei Rouanet

Em mais um episódio de trapalhadas do novo governo, a Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania publicou por acidente, nesta quarta-feira, no seu canal no YouTube, um vídeo interno com declarações do secretário Henrique Medeiros Pires.

segunda-feira 14 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Divulgação/ O Sul

Difícil distinguir o que é piada e o que é notícia quando se trata do novo governo. Bolsonaro afirma e anuncia medidas e depois volta atrás, absurdos sobre azul e rosa, escândalos sem resposta e um bate boca virtual pautado nas mais grotescas situações tomam conta da timeline enquanto avançam com uma série de ataques tais quais as privatizações e a reforma da previdência.

Em mais um episódio de trapalhadas, a Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania publicou por acidente, nesta quarta-feira, no seu canal no YouTube, um vídeo interno com o “media training” do secretário Henrique Medeiros Pires.

Pires estava “treinando” como responder questões espinhosas que possivelmente seriam colocadas por jornalistas em breve. Dentre as questões simuladas, estava em pauta a cota de tela , que regula a obrigatoriedade da exibição de filmes brasileiros pelos cinemas do país. O decreto presidencial que estabelece os parâmetros deste ano deveria ter sido assinado por Michel Temer e pelo então ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, no fim de dezembro, o que não aconteceu. O fato deixou o setor audiovisual preocupado.

Não podia faltar no “ensaio” um dos temas mais polêmicos durante a campanha de Jair Bolsonaro e que até hoje, é debatido e apresentado equivocadamente, sendo analisado de maneira completamente rasa e deturpada, o que na verdade já é praxe nos discursos e debates da extrema direita. Questionado sobre a manutenção da Lei Rouanet, Pires confirma que vai preservar o mecanismo de incentivo, mas com ajustes.

O vídeo foi rapidamente tirado do ar mas deixa desde já a certeza do quanto é necessário que os artistas, produtores e trabalhadores da cultura finquem suas raízes desde já na luta de classes. Diante de afirmações do próprio Pires de que não se trata de “rebaixamento” a Cultura ser agora secretaria e não Ministério, há que se compreender a medida como mais um dos ataques que se aprofundam desde o golpe para que se descarregue a crise ainda mais nas costas da classe trabalhadora, silenciando a arte e suas diversas manifestações, fazendo valer os valores e a ideologia burguesa através de diversas medidas dessa grotesca aliança entre extrema direita, grandes capitalistas e bancada evangélica.

Urge que os artistas e trabalhadores da cultura se aliem à classe trabalhadora em suas lutas, contra todos os ataques de Bolsonaro e sua corja. Não há possibilidade de qualquer avanço na luta pela liberdade da arte sem que se destrua o capitalismo! Por isso, que cada artista, coletivo, trabalhadores da cultura em suas salas de ensaio, teatros, escolas, estúdios e universidades ergam frentes anti-imperialistas ombro a ombro com a classe trabalhadora.

Exijamos que o SATED organize assembleias e se incorpore na exigência que os sindicatos e as centrais saiam de sua imobilidade histórica e de fato sejam aparatos a organizar centenas de milhares de trabalhadores para enfrentar de frente o que querem nos impor Bolsonaro, a extrema direita e os capitalistas. Para que sejam eles a pagar pela crise, é necessário que ecoe aos quatro cantos essa voz anti-imperialista da classe trabalhadora.




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