Sociedade

PRIVATIZAÇÃO MATA

Vale em Brumadinho e SuperVia no RJ: privatização mata mais um trabalhador

quarta-feira 27 de fevereiro| Edição do dia

Após mais de 7h preso às ferragens o maquinista do trem, Rodrigo Assunção, que colidiu com outro na estação São Cristovão, na Supervia do Rio de Janeiro, morreu na tarde desta quarta-feira. O acidente aconteceu por volta de 6h50 e o Corpo de Bombeiros só conseguiu retirá-lo às 14h30, quando já estava desacordado. Outras 8 pessoas sofreram ferimentos. Toda solidariedade com a família e amigos de Rodrigo Assunção e com todos os envolvidos nesse gravíssimo acidente. Supervia e governador Wilson Witzel são responsáveis!

O sistema metroviário e ferroviário do Rio de Janeiro, privatizado desde 1998, já foi alvo de diversas denúncias de sucateamento do sistema, de superexploração e baixos salários de seus trabalhadores, além de corrupção em suas obras em que o contrato da Supervia foi estendido pelo governo que cobrava propina por contratos com caixa 2, e caríssimas passagens que a população é obrigada a pagar.

Desde o Esquerda Diário viemos apontando e denunciando que a privatização dos serviços públicos só visa a geração de mais lucros aos empresários, pouco importando as condições de trabalho dos seus trabalhadores e daqueles que utilizam o sistema de transportes cotidianamente. Uma tragédia que tem nome: capitalismo!

Segundo denúncias dos trabalhadores metroviários do Rio de Janeiro a SuperVia e o Governo do Estado do Rio de Janeiro construiu linhas de Metrô custando mais de R$10 bilhões mas foram incapazes de investir R$0,5 bilhões em sinalização na Supervia, nem garantir sistemas de gerenciamento de tráfego e infraestrutura das vias, deixando um sistema que carrega 800 mil pessoas por dia com equipamentos de segurança da década de 1940, o que agora reverte nesta tragédia já anunciada fruto do descaso do governo.

Uma verdadeira farra com o dinheiro público. Além de administrarem as finanças públicas, de forma irresponsável, dedicando grande parte do orçamento, para pagar juros a bancos e especuladores, nossos governantes ainda usam de forma descarada os poucos recursos que sobram para educação, saúde e transporte, com as privatizações e as licitações fraudulentas.

O resultado dessa arena de horrores é um transporte precário, inseguro, caro e superlotado. A segurança e a eficiência do transporte não são as prioridades dos governos, mas sim as negociatas com as grandes empresas que querem lucrar com nossa livre circulação rifando nossas vidas. A privatização mata, e se não matar tem a reforma da previdência de Bolsonaro que quer fazer com que os trabalhadores trabalharem até morrer.

Para Felipe Guarnieri, operador de trem do Metrô de SP e diretor da Fenametro "Depois da Vale em Brumadinho, a privatização agora matou mais um trabalhador, mais um companheiro da nossa classe. Desejo toda a solidariedade aos familiares e amigos de Rodrigo Assunção nesse momento difícil. O transporte nas mãos dos empresários e da corrupção do governo, continuará retirando a vida de trabalhadores e usuários. O governo do RJ e Supervia são os responsáveis! Nossas vidas valem mais do que o lucro deles, pela estatização de todo o transporte sob controle dos trabalhadores e usuários."

A morte do maquinista Rodrigo é mais um capítulo triste, do descaso com que o trabalhador brasileiro é tratado pelo governo, que serve somente aos empresários, e não ao povo. É necessário tomar o transporte em nossas mãos. Só um transporte público, gerido pelos trabalhadores e usuários, podemos garantir a eficiência, segurança e qualidade, sem depender da taxa de lucro que as empresas privadas querem ganhar sobre a passagem e as isenções do Estado.

foto: Erbs Jr./FramePhoto/Folhapress




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