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Vahan, novo reitor da USP, escancara o velho racismo e elitismo da USP

Em entrevista publicada hoje (01/02) no jornal Folha de São Paulo, o novo reitor da USP Vahan Agopyan declarou sobre ajuda à alunos cotistas: USP não é entidade assistencialista. Vahan, que tomou posse no dia 29/01 pertencia à antiga gestão (era vice-reitor) que ameaça desvincular o hospital universitário, fechar as creches da USP, terceirizar os bandejões e privatizar a USP.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

Marcello Pablito

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo do Sintusp

quinta-feira 1º de fevereiro| Edição do dia

O novo reitor da USP já começou o ano mostrando a que veio. Nomeou o novo prefeito do campus, Hermes Fajersztajn, que é empresário dono de construtora, diretor de fundação (aposentou-se da USP em 2012) e filiado ao partido burguês PMDB (atual MDB), o mesmo do presidente golpista Michel Temer. Além de ameaçar desvincular o Hospital Universitário, que desde 2014 estava sob a mira da antiga gestão (do qual Vahan era vice reitor).

Como parte fundamental da antiga gestão, afinal era vice-reitor e braço direito de Marco Antônio Zago, Vahan, também ajudou a idealizar o projeto USP do Futuro, que na prática quer avançar para privatizar a universidade e cobrar mensalidades. Tal projeto é cheio de informações suspeitas e a Adusp (associação de Docentes da USP) recentemente conseguiu na justiça o acesso às informações do projeto e sua relação com a empresa de consultoria norte-americana McKinsey. A reitoria negou o plano de cobrança de mensalidade, por ser inconstitucional. Mas nós não esquecemos que, assim que Temer assumiu, o Ministro da Educação de seu governo golpista deu uma declaração apoiando a cobrança de mensalidades nas universidades públicas, e citando a USP como exemplo.

Na entrevista dada ao Jornal Folha de São Paulo, Vahan escancara também sua visão privatizadora aliada ao projeto do governo Alckmin (PSDB). Em 2017 a USP aprovou cotas raciais, depois de uma intensa batalha do movimento estudantil, do movimento negro e dos trabalhadores. Embora Vahan se vanglorie da aprovação, vale lembrar que a reitoria não queria aprovar cotas. Na época, Bruno Gilga Rocha, representante dos funcionários no Conselho Universitário (órgão máximo de deliberação da USP) declarou: “lutamos muito para que a implementação de vagas étnico-raciais aconteça imediatamente e que a reserva de vagas seja sobre o total de vagas da universidade, assim como também seja incluído critério de renda nas vagas de escola pública.” Esse destaque não foi aprovado, entretanto, somente por 9 votos. Sobre esta situação no CO, Gilga Rocha afirmou “isso expressa a enorme força da pressão social sobre esse Conselho extremamente racista, para que ele esteja neste momento em uma importante crise aberta sendo obrigado, claramente contra sua vontade, a rever a proposta que apresentou inicialmente e reconhecer o racismo do país e da própria universidade e incluir reserva de vagas étnico-raciais.”

Vahan na entrevista da Folha afirma: Outro problema importante é que certamente vai aumentar o número de alunos que necessitam de apoio para continuar estudando. É uma coisa que me preocupa porque a universidade está saindo da sua função de ensino e pesquisa e se tornando um órgão assistencialista. (...)Precisamos discutir com os poderes públicos que não é a tarefa da universidade ser a entidade assistencialista.

O reitor em seu programa dava ênfase na questão do teto salarial.Ele próprio ganha mais de 30 mil reais de acordo com o portal transparência. Porém, nenhuma linha do seu programa é dedicado a questão de brigar por verbas. Pelo menos não para garantir a permanência estudantil. Ou seja, o problema para ele é aumentar os salários dos burocratas acadêmicos. E se precisar fecha-se creches, bandejões, desvincula o HU e corta-se a permanência estudantil. Ou seja, assistencialismo só para os ricos.

Sobre o Hospital Universitário, Vahan também continua sua lógica. Para ele a “ USP, de novo, saindo das suas funções de ensino e pesquisa está tentando minimizar o sofrimento da população da região oeste da Grande São Paulo”, e continua “nós estamos fazendo uma coisa que não é nossa função”. Vale lembrar ao novo reitor que o HU é um hospital escola, ou seja, ensino e pesquisa andam junto com o funcionamento e atendimento (extensão) do Hospital.

É preciso lutar por mais verbas para as universidades. Mais ainda, é preciso que o destino dessa verba seja decidido democraticamente pelos estudantes, funcionários e professores através de uma estatuinte livre e soberana e não por um uma camarilha de parasitas do Conselho Universitário que decidem burocraticamente o destino do dinheiro do povo. A USP precisa sim de mais financiamento, mas que deve ser público, assim como para toda a educação, através da taxação das grandes fortunas, e do não pagamento dos milhões que escoam pros grandes investidores através da dívida pública.

Precisamos nos mobilizar e fortalecer a luta de estudantes, trabalhadores e professores na USP aliado ao movimento negro por mais verbas para permanência estudantil para assegurar a conquista das cotas raciais e avançar para uma democratização profunda do acesso à universidade através do fim do vestibular. E lutar também contra os ataques dos governos e patrões que estão alinhados a burocratas como Vahan para privatizar o ensino e a saúde.




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