Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Um a cada 5 assassinatos são por cometidos pela polícia após a Intervenção Federal no Rio

Até julho de 2018, polícia já foi responsável pelo número absurdo de 895 assassinatos violentos, 21,7% do total de 4.133 contabilizados no estado pelo Instituto de Segurança Pública. São os números mais altos desde o início do registro dos dados pelo ISP, em 1998.

segunda-feira 10 de setembro| Edição do dia

A desastrosa intervenção federal no estado do Rio de Janeiro vem apresentando sua face genocida desde a aplicação. Em 10 dias de declaração do decreto já se contabilizavam 47 mortes violentas promovidas por policias, frutos de tiroteios e operações realizadas a qualquer hora do dia, um banho de sangue e repressão à população pobre e os trabalhadores. Em 2018, não só a proporção, mas também o número absoluto de homicídios por intervenção policial também é o mais alto desde o início da contagem, 40% maior do que em 2017. Na capital, a favela da Rocinha, que vive uma guerra entre facções, já foi palco de mais de 80 mortes violentas, 40% destas cometidas por policiais. A Zona Norte, onde se localizam a maioria das favelas, 1/3 dos assassinatos foram em confrontos, 213 ocorrências só neste ano.

Em entrevista ao jornal Extra, o coronel da reserva Robson Rodrigues admitiu que a intervenção não contém o crescimento do número de mortes, fato que não gerou nenhuma reação dos comandantes das forças policiais. No relato, o PM afirmou que o aumento da brutalidade só se explica pela “autorização expressa ou tácita para que haja mais operações com baixas” ou por que “falta comando para coibir esse tipo de ação”, ou seja, os militares estão autorizados a matar indiscriminadamente no estado, tendo o aparato da intervenção e do governo como justificativa e máscara para seus crimes.

A intervenção federal trata o povo pobre como bandido até que se prove o contrário, ficha e fotografa a população das favelas, mata em tiroteios e em operações genocidas promovidas por vingança, acobertadas por mandatos que autorizam a invasão de bairros inteiros, pelo medo da população e por tribunais militares de exceção, onde julgam a si mesmos. “A entrada da polícia recorrentemente acontece em horários que coincidem com a saída ou entrada de crianças nas escolas. E, sem preparo, os policiais atiram a esmo para onde quiserem sem sequer terem um pouco de cuidado com as pessoas, especialmente quando entram na favela com o ‘caveirão’. Há uma relação de dominação que os policiais, a meu ver, tem com a gente que vive aqui dentro, a ponto de nossas vidas poderem ser tiradas se for da vontade deles. É só dar como auto de resistência [homicídio decorrente de oposição à intervenção policial] e pronto’, finaliza.” – relatou morador de favela da capital, em entrevista ao jornal Destak. É o aberto retorno ao período da ditadura militar, o assassinato da população negra, pobre e trabalhadora por parte do Estado.

Essa é a realidade da intervenção tida com um modelo a ser aplicado em outros estados do país, como declarou o interventor Braga Netto. Enquanto isso, generais pedem que não haja investigação de abusos, uma nova “comissão da verdade” após a intervenção, e a 6ª Turma do STJ autoriza a busca e apreensão sem mandado caso haja suspeita de tráfico de drogas, garantindo a impunidade e o crime com implantação de evidência. Como colocamos neste outro artigo, resolver a questão da violência no Rio deve necessariamente passar pela legalização da drogas, cortando o financiamento do narcotráfico e acabando com as justificativas usadas pelo Estado capitalista para perseguir, prender e matar a juventude das favelas. Os resultados desastrosos da Intervenção e das UPPs mostram ao povo trabalhador que a repressão e o autoritarismo policial tem como resultado o aumento brutal da violência. É preciso defender o fim imediato da Intervenção Federal, a investigação por júri popular dos “autos de resistência” e demais mortes cometidas por policiais nas comunidades, assim como o fim dos tribunais militares e dos privilégios dos juízes, para que os júris populares levem ao fim o histórico de crimes cometidos por policiais e militares, tanto no presente quanto no passado.




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