Mundo Operário

USP

USP: precisamos de uma assembleia de trabalhadores para organizar a luta contra Bolsonaro

Chamado aos trabalhadores da USP por uma assembleia para organizar a luta contra o avanço de Bolsonaro e da extrema-direita.

quarta-feira 10 de outubro| Edição do dia

Estamos diante da possibilidade de vitória presidencial de Jair Bolsonaro, herdeiro pleno das ditaduras militares sanguinárias como a de Pinochet no Chile e Videla na Argentina, o representante mais selvagem de toda a política econômica de reformas e ajustes que a burguesia pretende impor contra os trabalhadores a partir do golpe institucional e de toda a manipulação feita pelo Judiciário nestas eleições para favorecer os interesses capitalistas mais reacionários do país e do capital imperialista. Mesmo no cenário em que ele perca as eleições, as forças reacionárias anti-operárias que as ações autoritárias e arbitrárias do Judiciário e dos militares despertaram se mantém como um enorme perigo para as trabalhadoras e trabalhadores, mulheres, negros, LGBTs, indígenas e todo o povo pobre.

Como viemos alertando, o golpe institucional, a partir da interferência norte-americana na política e economia nacional pela via do conluio entre a Operação Lava-Jato e a Rede Globo, seguido da manipulação dessas eleições pelo Judiciário e das ameaças das Forças Armadas para impedir que a população pudesse votar em quem quisesse, favoreceram candidatos que expressam os interesses mais reacionários do país, que se apoiam na onda anti-petista para dar uma continuidade selvagem aos ataques de Temer contra os trabalhadores, à repressão e assassinatos de indígenas e camponeses pelo agronegócio, ao genocídio do povo negro e pobre pela polícia militar, ao avanço na entrega das riquezas nacionais por via das privatizações, alentando um ambiente social que já deu lugar ao ataque à irmã de Marielle Franco e ao assassinato de Mestre Moa, mestre capoeirista baiano e reconhecida figura do combate ao racismo, esfaqueado por apoiadores de Bolsonaro no dia seguinte ao primeiro turno, aos 63 anos de idade.

Se a dupla militar de Bolsonaro-Mourão puder fazer todos os ataques reacionários almejados pelos grandes empresários e financistas de forma “democrática”, apoiando-se no Congresso majoritariamente reacionário que foi eleito nesse domingo, se assentará um governo autoritário (bonapartista) com aparência “democrática” - na verdade escolhido por uma eleição absolutamente manipulada pelos golpistas, com o atual benefício da extrema direita. Um sistema político baseado no autoritarismo do poder judiciário (utilizando a Polícia Federal como sua “força de choque”), apoiado pelos militares para conter toda e qualquer forma de resistência ou questionamento. Os métodos que foram usados contra Lula serão usados para amedrontar e perseguir todo e qualquer sindicato ou movimento social que queira lutar. Esse é o cenário ideal sonhado pelos grandes setores empresariais e financeiros que passaram de malas e bagagens para a candidatura de Bolsonaro. Mas se necessário, Bolsonaro e Mourão também não terão nenhum problema em sacrificar as instituições “democráticas” e governar através do Poder Executivo apoiado diretamente sobre as polícias e as Forças Armadas.

Somente a mobilização independente da classe trabalhadora, dirigindo a indignação da juventude, dos negros das mulheres, LGBTs, sem-tetos e sem-terras nas ruas, greves e ocupações pode verdadeiramente fazer frente ao avanço do autoritarismo e da extrema direita. É possível dissolver o grande bloco que Bolsonaro construiu nessas eleições, porque existe nele importantes setores que ainda não compreendem o plano de conjunto do ex-capitão e do general da reserva Mourão para liquidar todos os seus direitos, e votam sem apoiar realmente essas medidas, mas enganados pelas manipulações golpistas impostas sobre essas eleições.

Para enfrentar essa dinâmica sabemos que o PT é completamente impotente. Depois de governar por anos com os capitalistas, assimilando seus métodos de corrupção e se vangloriando de garantir a eles lucros inauditos, quis mostrar que ainda podia lhes servir começando o segundo mandato de Dilma com a aplicação dos ajustes contra a classe trabalhadora, e com isso terminou de desmoralizar sua própria base social, abrindo caminho ao golpe que colocou Temer no governo para avançar mais rapidamente com os ataques. Sua estratégia puramente eleitoral, de contenção da luta de classes, para canalizar o descontentamento para o terreno dos votos, terminou sendo incapaz de oferecer qualquer resistência séria ao golpe institucional. Uma vez na oposição, sua política de responder ao ódio destilado pela Lava Jato e pela Rede Globo com ilusões no Poder Judiciário e nas eleições terminou sendo completamente impotente para frear o avanço da extrema direita.

Ainda assim, a classe trabalhadora não está derrotada, mas deve se organizar. Ano passado protagonizamos duas grandes paralisações nacionais que frearam a reforma da previdência de Temer, e só não aumentamos nossa luta para frear a reforma trabalhista porque a CUT e a CTB (dirigida pelo PT de Haddad e o PCdoB de Manuela D’Avila) contiveram a energia de nossa classe para canalizá-la por dentro de sua estratégia eleitoral. Precisamos desde já nos preparar para os combates que estão por vir organizando uma força militante nos locais de trabalho e de estudo que seja capaz de impor a unidade na ação dos sindicatos e movimentos sociais para enfrentar os ataques da extrema direita de forma não rotineira, ou seja, impor uma ampla frente única da classe trabalhadora que responda com uma firmeza à altura dos ataques, sem o que será impossível quebrar o bloco reacionário que se constituiu por trás de Bolsonaro.

Por isso achamos fundamental que os trabalhadores da USP, que se posicionaram contra o golpe institucional e contra a prisão arbitrária de Lula, que estiveram no front de batalha na greve geral de 28 de abril e 30 de junho, que foram à Brasília contra Temer e as reformas, também sejam parte ativa da luta contra a extrema-direita, Bolsonaro e o pacote de ajustes e reformas que a burguesia quer impôr contra a classe trabalhadora.

Nós, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores pela via do Movimento Nossa Classe, Quilombo Vermelho e Pão e Rosas, fomos parte dessa batalha junto dos trabalhadores da USP, sempre com uma política independente do PT, e hoje, frente à excepcionalidade dessas eleições brutalmente manipuladas, que favorecem o autoritarismo herdeiro da ditadura, que quer impor de fato uma mudança reacionária de regime, achamos que os trabalhadores da USP devem acompanhar o ódio e a vontade de luta contra Bolsonaro votando criticamente em Haddad.

Assim como a Associação dos Docentes da USP (ADUSP) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) se posicionaram, os trabalhadores da USP precisam realizar urgentemente uma Assembleia Geral para que o Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) também tome um posicionamento frente a situação do país e discuta as medidas de ação contra a extrema-direita. Assim como, pela via da nossa central sindical CSP-Conlutas, impulsionemos com os sindicatos e movimentos sociais a organização de uma unidade na ação para responder a altura os ataques contra nossa classe, conduzindo o ódio contra o fortalecimento dessa extrema-direita ao único terreno em que podemos triunfar: a luta de classes, para que os capitalistas paguem pela crise.

Assinam o presente chamado:

Adriano Favarin, FO e Diretor do Sintusp; Antônio Batista Nascimento, PUSP; Bárbara Della Torre, HU e Diretora do Sintusp; Bruno "Gilga" Rocha, FFLCH e membro do CDB - Sintusp; Caio Leão, HU e membro do CDB - Sintusp; Carlos Alberto Gameiro, PUSP; Claudionor Brandão, Diretor do Sintusp; Cleber de Oliveira, FE e membro do CDB - Sintusp; Cristiano Trindade, FAU; Décio França, PUSP e membro do CDB - Sintusp; Diana Assunção, FE e membro do CDB – Sintusp; Elenice Rocha Santos, SAS; Ezequiel Leite de Barros, PUSP; Gerson José da Silva, PUSP; Ilka Aparecida Costa Pereira, FFLCH; Jadiel Silva Cunha, PUSP; José Adeilton Feitoza, PUSP; José Antonio da Silva, PUSP; José Tadeu de Souza Leite, PUSP; Juarez Cavalheiro da Motta, PUSP; Julia Soares Bayerlein, ECA; Marcello Pablito dos Santos, SAS e Diretor do Sintusp; Marília Lacerda, HU e membro do CDB - Sintusp; Mary Coseki, EF e membro do CDB - Sintusp; Michelle Odete Santos, FFLCH; Patricia Galvão, FFLCH e Diretora do Sintusp; Rodolfo Ferronatto de Souza, PRCEU e membro do CDB - Sintusp; Vilma Maria da Silva, SAS; Yuna Ribeiro Conceição, FFLCH e membro do CDB - Sintusp.




Tópicos relacionados

SINTUSP   /    Eleições 2018   /    Bolsonaro   /    USP   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar