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Trupe Lona Preta se apresenta na Casa Marx em SP

Trazendo à tona aspectos fundamentais da luta de classes "O Perrengue da Lona Preta" vai fundo, mergulhando na questão da propriedade privada, construindo relações do "patrão e do empregado", do "rico e pobre" de forma crítica e dialética, expondo as diversas contradições e ao mesmo tempo, sem perder a comicidade crítica e por vezes ácida de sua atuação.

segunda-feira 27 de novembro| Edição do dia

Dois palhaços recebem o público na noite de sábado. Através da palhaçada, provocam o riso. Com suas esquetes e piadas criam um clima leve e logo estamos todos imersos nesse universo da tradição circense. No entanto, logo se nota que não estávamos ali exclusivamente para rir e sorrir das sincronizadas piadas e artimanhas de Chico Remela e Rabiola. Logo a dupla de palhaços nos mostra a que vieram de fato: são dois trabalhadores explorados questionando o porquê de sua condição.

Em total cumplicidade com o público, os momentos de "quebra" , de reflexão e apontamentos teóricos foram pontuais e extremamente assertivos, dando ao espetáculo conteúdo sem em nada endurecer sua forma.

Os palhaços precipitam a realidade capitalista para o “baixo” terrestre e corporal que simultaneamente materializa e eleva, desprende as coisas do senso comum e das ilusões inspiradas pela percepção idealista. Conscientemente, vislumbram um novo horizonte, conquistado através da luta. Um futuro material, mais próximo do homem, mais compreensível, livre das amarras do capitalismo. E chegam no que definem como o limite do espetáculo, que é justamente este sonho revolucionário. Assim compreendem a arte , assim abrem debates com o público e disso também se alimentam.

A Trupe Lona Preta surgiu em 2005, a partir da experiência em saraus e intervenções artísticas organizadas na comunidade do Jd. Guarau (SP) e no seu entorno dialogando com associações de moradores da região e movimentos culturais. Tal experiência coincidiu com o desenvolvimento de uma pesquisa sobre a linguagem do palhaço, o que incentivou ainda mais a prática de colocar em cena, tanto nos saraus como nas ruas, os esquetes criados coletivamente.

Em uma das passagens mais inspiradoras de Trotsky em "O Grande Sonho" diz que "nossa proeza é realizar um esforço apaixonado para sacudir aqueles que estão entorpecidos pela rotina; fazer com que abram os olhos e vejam aquilo que se aproxima". Assim fez e faz a Trupe Lona Preta quando nos tira do lugar comum, quando leva a todo canto o legado marxista e revolucionário, quando através da arte traz à tona as questões que nos assolam diariamente colocadas a nossa frente sob outra perspectiva.

Aquele riso que nos faz pensar , o silêncio que nos transborda de sensações e percepções. E nos traz de volta ao senso crítico devidamente incendiados. O respiro necessário que só a arte consegue nos proporcionar. A paixão que a arte revolucionária nutre e impulsiona mais e mais uma vez. Esta foi a passagem de Chico Remela e Rabiola pela Casa Marx no último dia 25 de novembro.

Vida longa à Trupe Lona Preta !

Vida longa à arte revolucionária!




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