Cultura

DITADURA

O Teatro como forma de resistência à ditadura

domingo 22 de outubro| Edição do dia

Durante a ditadura militar, o teatro brasileiro teve grande participação na resistência cultural. Em encenações de peças estrangeiras de questionamento e que despertavam o senso crítico, de autores como Sartre e Brecht, além de peças autorais, atrizes se uniram com muita coragem contra a pesada censura.

Em tempos de “ escola sem partido”, a posição destemida dessas artistas pela liberdade de expressão dá o sentido da importância desse direito de questionamento político que temos apenas graças à sua ferrenha luta, luta a qual devemos continuar.

Durante a década de 1960, grupos como o Arena, de Augusto Boal, em São Paulo, encenavam peças ligadas à realidade brasileira. Com o AI-5, a produção de peças como essas foi ameaçada.

Nessa efervescência, dos movimentos de resistência e como forma de se contrapor ao Teatro Brasileiro de Comédia que vinha cada vez mais se colocando aliado aos interesses da Burguesia. O grupo de Teatro Oficina nasceu no Centro Acadêmico 11 de Agosto do Largo São Francisco em 1958. Com a ideia de inovação, com a de romper com a lógica posta. Conta com diversos atores importantes e que seguem referência no Teatro como Zé Celso. O grupo, bastante inspirado por Sartre no início, mas também Brecht. Com a instalação da ditadura, o grupo vai cada vez mais se vendo também com a tarefa de questionamento ao que estava posto, inovando na técnica, na linguagem. Inclusive ccom Zé Celso sendo preso e exilado do país. Após a ditadura, o grupo volta a se articular e existe até hoje, claro que com mudanças no elenco.

Também como forma de resistência, surgiram grupos como o Opinião, criado pelo Centro Popular de Cultura, da UNE. No shopping center Copacabana, em dezembro de 1964, artistas como Nara Leão contracenaram “Opinião “, de direção de Boal, show-manifesto de resistência com referências disfarçadas em músicas de protesto, de forma a driblar a censura. Assim, “Opinião “ se tornou emblemático na história brasileira. Veja mais aqui.


Cena de “ Opinião “

Outros espetáculos continuaram a desafiar o governo militar, como ‘Liberdade, Liberdade’de Millôr Fernandes e Flávio Rangel e‘Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come’, de Vianinha e Gullar.

Em 1968, a peça “roda viva”, de Chico Buarque, foi brutalmente censurada. O Comando de Caça aos Comunistas invadiu o teatro onde a peça era encenada, em São Paulo, espancaram atores, destruíram o cenário e obrigaram os atores Marília Pêra e Rodrigo Santiago a passarem por uma espécie de corredor polonês na rua, nus.




Tópicos relacionados

cultura   /    Teatro   /    Campinas   /    Cultura

Comentários

Comentar